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Categoria: Adulto
Postado por ellegua.com em 25/06/2008 21:16

>>> A FUNDAÇÃO DO TERREIRO DO ALAKETO <<<
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6a. PARTE
O funcionamento dessas grandes festas coletivas exigia entretanto uma grande variedade de especialistas na produção da imagem, na administração dos eventos e na transmissão de tradições espirituais, esportivas, musicais, teatrais. A capacidade de produção de grandes ritos coletivos era portanto um dos fundamentos do poder antes do advento dos meios elétricos e eletrônicos de comunicação de massa.

12 Na área cultural iorubá as artes do espetáculo foram desenvolvidas desde o século XIV, na corte dos alafins de Oyó e nos grandes festivais consagrados aos ancestrais.
11 Melville Herskovits, Antropologia cultural, S. Paulo, Editora Mestre Jou, 1969, vol. II, pp. 373-374. Isto não significa que Herskovits tenha sido um entusiasta da superioridade sudanesa, pois ele foi o primeiro a denunciar a subestimação da religiosidade africana equatorial pela antropologia afro-brasileira: “Dentro da área do Congo encontram-se algumas das mais complexas culturas da África; e nenhuma indicação existe de que tivessem sido construídas com um material tão fraco que, por si mesmas, houvessem de curvar-se ao contato com os sistemas da África Ocidental”. Cf. Herskovits, Pesquisas etnológicas na Bahia, Salvador, Publicações do Museu da Bahia, 1943, p. 100.

12 A bibliografia sobre este tema já é considerável, mas como ele, neste artigo, é apenas incidental, indico como referência o clássico de Claude Rivière, As liturgias políticas, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1989. 354 Afro-Ásia, 29/30 (2003), 345-379 a origem Ologbin começou a se destacar pela qualidade de sua mise-enscène, seus figurinos e suas acrobacias. No final do século XVIII, durante o reinado do alafin Abiodun, desenvolveu-se em Oyó um verdadeiro teatro profissional, com a multiplicação de companhias bem estruturadas, passando essa tecnologia da produção espetacular em seguida para os demais reinos nagô-iorubás.

Em 1826, quando o capitão do exército inglês Hugh Clapperton viajou através do país, constatou que todos os obás faziam-se acompanhar pelas suas próprias companhias, quando das suas saídas públicas ou visitas ao imperador de Oyó. No curso do século XIX, no bojo de uma vida social a cada dia mais urbanizada, essas produções espetaculares oficiais foram assumidas pelas festas profanas de puro divertimento e pelos ritos de passagem particulares, como nascimentos, aniversários, casamentos e funerais. Não é portanto por acaso que os nagôs da Bahia contribuíram decisivamente para abrilhantar as festas no Brasil escravista, tornando, por exemplo, a procissão do Senhor dos Martírios uma das mais espetaculares da cidade, segundo nos conta Silva Campos, pela sua “grande imponência em dias idos, pelo seu luxo e extensão”.

13 Segundo as tradições orais de Ketu, das cento e vinte linhagens que se engajaram na migração, nove eram importantes famílias de Ifé, porém durante o período inicial de implantação no novo território quatro desapareceram sem deixar rastros, certamente dizimadas pelas guerras de adaptação, restando as cinco que até hoje se revezam no poder: Alapini, Magbo (pronuncia-se aproximadamente Magbô), Me1s1a (Mexá), Mefu e a nossa Aro.

14 A linhagem Aro é portanto uma das famílias reais que fundaram o reino de Ketu e têm o direito constitucional de indicar por revezamento um candidato ao trono, eleito em seguida pelos oloyé, membros do conselho de Estado. A segunda aldeia construída no 13 Cf. Josette Rivallain e Félix Iroko, Yoruba: masques et rituels africains, Paris, Hazan, 2000, pp. 110-111. E João da Silva Campos, Procissões tradicionais da Bahia, Salvador, Publicações do Museu da Bahia/ Secretaria de Educação e Saúde, 1941, p. 81. A procissão do Senhor dos Martírios era organizada pela irmandade homônima, cuja sede ficava na igreja da Barroquinha, um dos palcos dos acontecimentos analisados neste artigo, como veremos na seqüência.


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