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Categoria: Adulto
Postado por ellegua.com em 25/06/2008 21:17

>>> A FUNDAÇÃO DO TERREIRO DO ALAKETO <<<
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7a. PARTE

14 A linhagem Mefu (Méfou na transcrição francesa de Dunglas, o autor que tem mais intimidade com as tradições orais de Ketu), aparece como Mefa em Palau Martí. Ketu, hoje, é apenas uma província da República do Benin.
Afro-Ásia, 29/30 (2003), 345-379 355 novo território foi chamada de Aro, o que revela um destaque da linhagem
homônima no ato da sua fundação, e tornou-se local sagrado nas tradições de Ketu, um dos espaços onde, através dos séculos, perfizeram- se os complexos ritos de entronização do Alaketu.

Na aldeia de Aro encontra-se a tumba real do Alaketu Owé, o segundo rei de Ketu, certamente desta linhagem. Os Aro tiveram portanto um papel destacado na fundação do reino de Ketu há mais de mil anos, e alguns dos seus membros, em virtude das turbulências da história, vieram a encontrar-se, um belo dia, escravizados na Bahia.

15 Os primeiros ataques do exército daomeano ao reino de Ketu deram- se em 1788 e 1789, em pleno reinado de Akibiohu, que durou de 1780 a 1795. Durante esta campanha os daomeanos saquearam inicialmente algumas fazendas e aldeias, dentre as quais Krukruhuntó. Em uma segunda investida, não conseguindo penetrar na capital defendida por uma dupla muralha e ostentando a famosa porta Idena, o mais brilhante exemplo da arquitetura militar nagô-iorubana — prosseguiram sua devastação avançando mais para o sertão. Gourg, então comandante do forte francês de Uidá, escreveu a este respeito em uma correspondência datada de 16 de julho de 1788: “Os daomeanos foram contra os nagôs [...] estiveram a catorze dias de caminho em um país nagô, onde fizeram uma
grande pilhagem”.

Em 17 de novembro: “A última investida dos daomeanos foi mais feliz, destruíram inteiramente um pequeno país de nagôs. Isto resultará em cativos”. E em 28 de fevereiro do ano seguinte: “O exército do rei acaba de voltar. Foi para muito longe dentro das terras contra os nagôs; assegura-se que destruiu muitas aldeias, e é nisso que se limita sua vantagem, pois trouxeram poucos cativos”.16 15 Cf. Dunglas, “Contribution”, p. 24, 31, 43, 49 e 62. Parrinder, The story of Ketu, p. 13, 17 e 23. Martí, Le roi-dieu au Bénin, pp. 51-56. Cf. também Smith, Kingdoms of the
Yoruba, pp. 67-70 e 101-104, onde encontramos as datações mais precisas. Aro terminou tornando-se um título importante em alguns dos conselhos políticos superiores da sociedade nagô-iorubá tradicional.


16 A correspondência de Gourg encontra-se em Pierre Verger, Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos, dos séculos XVII a XIX, São Paulo, Corrupio, 1987, p. 222, com uma versão mais simplificada em Orixás, deuses iorubás na África e no Novo Mundo, São Paulo, Corrupio/Círculo do Livro, 1981, p. 12. Sobre a arquitetura militar iorubana: J. F. Ade Ijayi e Robert S. Smith, Yoruba warfare in nineteenth century, Cambridge/Ibadan, University Press/Institute of African Studies-University of Ibadan, 1964; e Martí, Le roi-dieu au Bénin, pp. 43-44. 356 Afro-Ásia, 29/30 (2003), 345-379 .Segundo os historiadores do reino de Ketu, neste último ataque de janeiro de 1789 o exército daomeano saqueou e destruiu a cidade de Iwoye (Iuó-iê), situada alguns quilômetros ao norte de Aro e cerca de vinte e cinco quilômetros a nordeste da capital, perto da fronteira do reino de Shabé, já na região das savanas que precedem o deserto do Saara (ver mapa).

17 A cidade de Iwoye era um importante centro litúrgico regional, mesmo o alaketu não poderia ordenar a prisão de um perseguido político que ali pedisse asilo, e parece ter sido um reduto da família Aro; a mãe do alaketo Akibiohu era natural daquela cidade, Ojeku, o pai das gêmeas seqüestradas, bem como sua família, certamente moravam lá. Em resumo, a linhagem (ou o clã) Aro parece ter sido responsável ritual e militar pela região nordeste do reino, onde a cidade de Iwoye e a aldeia de Aro eram os centros mais importantes.

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CONTINUA>>>>



Comentários (4):

Em 25/06/2008, às 22:44:24, ANINHA T'OSUN | e-mail disse:
A Benção aos meus mais velhos
A Benção Ellegua
irmão sem comentarios Parabens
Ase
Em 29/06/2008, às 01:51:52, Yèyéye o. disse:
Oi meu querido, tudo bem??? Agora que estou de férias na faculdade voltei a ler seus artigos a respeito de nossa cultura e religião, porém hoje, me ocorreu que nunca havia deixado mensagem alguma para você. Pois bem, aqui estou para deixar registrada minha admiração e meu respeito por uma pessoa que não somente se limitou a praticar o Candomblé com o mínimo de conhecimentos básicos, mas sim, a também estudar a fundo todas as suas minúcias, fundamentos e a parte histórica no geral.Espero sinceramente que, esta singela mensagem possa servir como uma forma de incentivo para que você não pare de nos informar e abrilhantar com seu conhecimento. Meus Parabéns, grande abraço, ótimo final de semana e muito Asé!!! Beijão, Yèyéye o.

Em 15/09/2008, às 13:12:45, p´lp´l´lpl disse:
lp´lp´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´
Em 15/09/2008, às 13:13:25, ddsadsaev otariioooaaasss disse:
uma porcaria issuine ee so complinandljanfn nkijjidiis nsjdud mid 21544564 vcs saum chatossssss
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