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Categoria: Adulto
Postado por ellegua.com em 13/07/2008 21:53

>>> A FUNDAÇÃO DO TERREIRO DO ALAKETO <<<
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9a. PARTE

19 Olga de Alaketo, “Nação-Queto”, p. 27. A expressão “rio de Minas Santê” deve ser mais um erro de transcrição de um depoimento gravado. Dona Olga deve ter dito Mina Santê, mas mesmo assim esta nomenclatura deve ser encarada com reservas. Na língua geral baiana dos séculos XVIII e XIX, “mina santê” designava o subgrupo fanti ou santi, da etnia akan, que vivia na parte ocidental da Costa da Mina, em uma região não muito próxima de Ketu e, além do mais, no litoral e não “nos fundos do reinado”. Sobre o primeiro visitante branco a Ketu, Parrinder, The story of Ketu, p. 37.

20 Costa Lima, “Nações-de-candomblé”, p. 26 e A família-de-santo, p. 48, n. 96. Em Eduardo Fonseca Júnior, Dicionário Yorubá (Nagô) - Português, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1993, àkó1bi significa primogênito. Oxóssi, na verdade, é um oriki de Odé, um nome laudatório, Ò1s1ó1wusì, que significa o caçador (ou o guerreiro, ou o guarda noturno, ou o feiticeiro) é popular. Cf. Verger, Orixás, pp.112-113. Aqui na Bahia este oriki tornou-se seu nome mais usado.

21 Cf. também Pierre Verger “Notion de personne et lignée familiale chez les Yoruba”, in La notion de personne en Afrique noire (Paris, Éditions du CNRS, 1981), p. 68; e Maximilien 358 Afro-Ásia, 29/30 (2003), 345-379
Nicolau esclarece também que o cognome de Obokô Mixôbi significa, em fon, filho ou filha mais velha, decorrendo da fusão de mEx• (pessoa idosa, ou mais velha) e vi (como vimos, filho). O que significa, concretamente, que Obokô Mixôbi foi a segunda das gêmeas a nascer, portanto considerada a mais velha das duas.

22 Permanese, entretanto, a respeito de Akobiodé, a dúvida seguinte: se ela era filha de Babá Láji, segundo a tradição oral do Alaketo consagrado a Oxalá, não vejo como ele pode ter sido um chefe caçador, dedicado a Odé. Ele era um chefe, sem dúvida, o seu título Babá o indica, mas não era um caçador. A respeito da norma de filiação entre os nagôs, Verger escreveu: “As mulheres da família participam das cerimônias e podem se tornar elégùn do orixá da família paterna; mas, se forem casadas, é o orixá da família do seu marido que será o de seus filhos”. Em uma situação excepcional, o prestígio da linhagem real Aro deve ter prevalecido na construção de uma nova tradição. O chefe-caçador considerado deve então ter sido Ojeku, o avô de Iyá Akobiodé, provavelmente como um dos chefes do clã Aro, talvez como chefe da linhagem Ojaro.

23 Este detalhe é importante porque a saudação feita a Oxóssi — caso específico, com uma formulação diferente das demais saudações aos orixás — que permanece vigente em todas as casas de Keto baianas é: “okê Odé, okê Arô”, por vezes apenas “Okê Arô”, significando que primeiro saúda-se o antepassado mítico e, em seguida, a família que trouxe seu culto para o Brasil. Segundo os historiadores de Ketu, como resultado da campanha militar daomeana de janeiro de 1789, cerca de duzentos ketus foram vendidos aos traficantes, com uma maioria de Quénum, Au pays des fons: us et coutumes au Dahomey, Paris, Maisonneuve & Larose, 1999 (orig.1936), p. 103 e cap. vi, “Naissance et imposition des noms”, particularmente pp. 114-115. Sobre a mudança de vi para bi, com licença da má palavra, a consoante fricativa labiodental sonora V, pela sua proximidade, transforma-se facilmente na oclusiva bilabial sonora B.

22 Sobre a primogenitura dos gêmeos, ver Montserrat Palau Martí, “Le nom et la personne chez les S1àbé1 (Dahomey)”, in La notion de personne en Afrique noire, p. 323: “...Fazem parte desta classe os nomes dos gêmeos, sempre previstos por pares, com indicação precisa do destinatário, o mais velho ou o mais moço dos gêmeos”. Com complemento em nota: “É considerado o mais velho dos gêmeos aquele que nasceu por último”.


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