LAMPIÃO (7) Serra Talhada. Localizada no sertão do Pajeú, o município ainda não conseguiu assimilar a imagem histórica de Lampião. A idéia de erguer uma estátua do filho famoso da antiga Vila Bela, na entrada da cidade, não resistiu aos preconceitos que ainda hoje são alimentados por famílias que foram vítimas do cangaço. Nem mesmo a morte do tenente Davi Jurubeba, que fez parte das volantes que combateram Lampião, reanimou as autoridades a construir a estátua do lendário cangaceiro, comandante das caatingas na década de 30, que foi considerado herói popular durante plebiscito realizado em 1991 em sua terra natal.
A única referência sobre Lampião é o Museu do Cangaço, administrado pela Fundação Cabras de Lampião, uma Organização Não Governamental (ONG) que luta praticamente sozinha para preservar a memória do “rei do cangaço”. “Falta apoio do poder público”, reclama o presidente da Fundação, Anildomá Willams. Ele diz que a ONG está “empunhando a bandeira lampiônica” praticamente sozinha. “Buscamos tentar convencer as autoridades de que a história é mais importante do que os preconceitos que ainda perduram em determinados setores da comunidade”, afirma.
O bancário aposentado e professor universitário de Administração, Manoel Ivan Pedroza, adverte que Serra Talhada e os municípios do Vale do Pajeú estão deixando de explorar o potencial turístico da região. Segundo explica, é o chamado Turismo Sertanejo, uma forma de lazer fundamentada na paisagem natural, no patrimônio cultural e no desenvolvimento social das regiões interioranas do Brasil.
Este turismo, conforme Manoel, tem como principal objetivo promover a compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo os aspectos naturais, socioeconômicos, culturais e éticos.
“Imagine o sistema de vida da família Ferreira neste fim de mundo, onde falta tudo, até água para beber”, raciocina o professor universitário, lembrando que a exploração da imagem de Lampião resultará na valorização da identidade cultural regional e na melhoria das condições de vida da comunidade local.
O Museu funciona na casa paroquial, cedida pelo vigário, que mora na parte de cima. Ali estão arquivadas mais de 200 fotos sobre o cangaço, armas e livros. No palco-auditório são exibidos filmes e encenações.
A Fundação Cultural Cabras de Lampião mantém também oficinas de artesanatos com o objetivo de oferecer emprego e renda para a juventude da cidade e divulgar a história de Virgulino Ferreira.