ENCICLOPÉDIA NORDESTE
Categoria: Celebridades

Postado por Ivan Maurício em 25/12/2008 15:31
MANOEL BOMFIM (1)
Manoel José Bomfim (Aracaju, SE, 8/8/1868 – Rio de Janeiro, RJ, 21/4/1932), médico, professor, escritor e ensaísta.
Descendia de Paulino José Bomfim e Maria Joaquina Bomfim, proprietários rurais.
Após fazer seus primeiros estudos em Aracaju e trabalhar alguns anos nas terras da família, Bomfim foi para Salvador, Bahia, com a finalidade de estudar Medicina, tendo posteriormente se transferido para o Rio de Janeiro onde concluiu o curso em 1890.
Formado, trabalhou como médico da Secretaria de Polícia durante os anos de 1891 e 1892.
Nesta época casou-se com Natividade de Oliveira que foi a sua companheira por toda a vida.
Tiveram dois filhos: Aníbal e Maria.
A filha faleceu em tenra idade provocando uma dor tão profunda em Bomfim que ele abandonou a Medicina.
Abraçou então o magistério como profissão, defendendo a escola pública como instrumento eficaz na construção da cidadania na República nascente.
Mas, ao defender a educação dos jovens, Bomfim não descuidou da necessidade de também investir na escolaridade de adultos.
Com tal propósito, em 1904, participou da fundação da Universidade Popular de Ensino Livre (Upel), ligada ao Partido Operário Independente, de tendência anarquista.
Vivenciando grandes dificuldades financeiras e sofrendo boicote por parte dos segmentos mais conservadores da sociedade brasileira, a Upel durou pouco tempo, funcionando apenas durante alguns meses no ano de sua criação.
Pelo pioneirismo e ousadia, essa instituição é um marco na tentativa da implantação da educação popular no nosso país.
Além de professor, Bomfim exerceu vários cargos administrativos na área da educação.
Entre outros, foi diretor de Instrução Pública no antigo Distrito Federal (1895-1900 e 1905-1907) e diretor-geral do “Pedagogium” (1896-1902 e 1911-1919), a primeira instituição dedicada à pesquisa educacional no Brasil.
Entre 1902 e 1903, estudou Psicologia na Sorbonne (França), com o propósito de especializar-se nessa disciplina para estar em condições de melhor desempenhar as suas tarefas no “Pedagogium”.
Colaborou em diversos jornais e revistas, sempre com artigos combativos, voltado para interesses populares.
Bomfim foi também um dos criadores da primeira revista infantil brasileira, “O Tico-Tico” (1905).
Meio século depois do lançamento dessa publicação, ou seja, em 1955, ela deixou de circular.
Em meados da década de 1950 as revistas estrangeiras, voltadas para o público infantil, inundaram as bancas de jornal do país.
Ao falecer no Rio de Janeiro, em 1932, Manoel Bomfim havia publicado, entre outros, os seguintes livros: “A América Latina: males de origem” (1905); “O respeito à criança” (1906); “Noções de Psicologia” (1916); “Lições de Pedagogia” (1902); “Pensar e dizer – estudo do símbolo no pensamento e na linguagem” (1923); ”O Brasil na América” (1929); “O Brasil na história” (1931); “O Brasil nação” (1931, 2v.) e “Educação e cultura do povo brasileiro” (1932).
Bomfim escreveu também livros didáticos para uso nas escolas primárias, alguns dos quais em co-autoria com o poeta Olavo Bilac.
PENSAMENTO DE MANOEL BOMFIM
“O colono encontrou na escravidão o processo sonhado: algumas centenas de escravos e um chicote para cada turma – eis tudo que era preciso (...). Comprado ou vendido, o negro ou índio era um capital: o chicote o meio de crescer-lhe o juro, o recurso para que não se extraviasse.” (“América Latina”, p. 131).
(...)
Fonte: “Manoel Bomfim – combate ao racismo, educação popular e democracia radical”, Aluizio Alves Filho, Editora Expressão Popular, 2008.
Comentários (1):
Em 25/12/2008, às 15:31:52,
Ivan Maurício
disse:
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