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ENCICLOPÉDIA NORDESTE

Categoria: Celebridades
Postado por Ivan Maurício em 17/05/2009 21:18

AUSTRO COSTA (2)
Austro-Costa em revista

Jornal do Commercio - 17.05.2009

Paulo Gustavo

Com um nome já definitivamente inscrito na história social e literária do Recife, o poeta e jornalista Austro-Costa, falecido em 1953, estaria completando 110 anos neste mês de maio. Se, às novas gerações, seu nome ecoa distante ou simplesmente desconhecido, vale assinalar que, por outro lado, não houve, nas primeiras décadas do século 20 em Pernambuco nome tão exposto à mídia impressa de então, fazendo com que alcançasse uma rara popularidade para um homem de letras no Nordeste. Nas revistas, nos jornais e até mesmo em páginas volantes e copiadas por admiradores, Austro-Costa era o poeta mais querido e festejado. Hoje, tantas décadas depois, poderíamos dizer que foi, sem qualquer exagero, o mais emblemático do seu tempo, daí talvez sua sobrevivência na memória popular, memória tantas vezes refratária a estrelismos de momento e para a qual tantos astros logo voltam à completa escuridão.

Imigrante pobre da vizinha Limoeiro, vem a propósito dizer que "fez do limão uma limonada" pela magia do seu talento verbal. Fez-se jornalista, cronista social, repórter e poeta de uma época de transição de costumes, na qual celebrou em versos não só Mulheres e rosas (título do seu primeiro livro) como acontecimentos sociais e políticos, contando, para estes últimos, com a verve e o humor que Deus lhe deu. Dessa forma, oscilou entre uma dicção romântica e uma sátira tão comunicativa quanto contundente. Foi cronista em prosa e cronista em verso e, como já afirmei noutras passagens, um misto de homem de letras e de cantador, a exemplo de um Gregório de Matos na visão crítica de Nelson Werneck Sodré.

Espírito dionisíaco e a seu modo epicurista, o poeta dispersou-se em milhares de versos nas páginas de jornais e revistas, entre os quais muitos vazados nas formas fixas que amava – como o soneto, as trovas, as baladas, os vilancetes, os madrigais, os rondéis – e vários embebidos das primeiras liberdades do nascente Modernismo, movimento a que momentaneamente aderiu por influência do jornalista Joaquim Inojosa e no qual pôde exprimir-se com a habitual ênfase dos convertidos, rompendo, por algum tempo, com as amarras das rimas e ampliando seus temas e seus motivos líricos. Nuns e noutros, deixou obras de mérito como os sonetos Último porto, Salomé toda de verde, Tartufo-mor, Moças de São José, O jardineiro louco, o poema Capibaribe, meu Rio..., Fábrica Tacaruna, O Recife da madrugada é um poema futurista, dentre muitos que se tornaram antológicos e apreciados pela crítica.

Mais que nos livros (apenas dois publicados em vida, provavelmente por falta de recursos!, e um póstumo – De monóculo – organizado por Luiz Delgado numa iniciativa do hoje ministro Marcos Vilaça), foi nos jornais e nas revistas que o poeta se fez presente numa produção que, se totalmente publicada, daria um alentado volume, como agora mesmo vem atestar o trabalho empreendido pelas documentalistas Lúcia Gaspar e Virgínia Barbosa, ao prepararem, com base no acervo de periódicos da Fundação Joaquim Nabuco, uma rica, inédita – enfatize-se esse pioneirismo! – e extensa bibliografia do escritor. De fato, em revistas recifenses da época, como A Pilhéria, Pra Você, Presente de Natal, Revista da Cidade e Rua Nova, tantas outras, Austro-Costa, aos 110 anos, acaba de ressurgir por inteiro em prosa e verso, disposto a inspirar pesquisadores e o público em geral no portal da Fundação: www.fundaj.gov.br/biblioteca. Parabéns à iniciativa da Fundaj e às suas especialistas que, dessa forma, trazem o poeta e o jornalista de volta à vida, "desarquivando arquivos" como diria o nosso saudoso Mauro Mota.

» Paulo Gustavo é escritor e mestre em teoria da literatura



Comentários (2):

Em 17/05/2009, às 21:20:03, Ivan Maurício disse:
Mais de 940 biografias de nordestinos!

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Em 17/05/2009, às 21:20:54, Ivan Maurício disse:

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