SÃO CRISTÓVÃO (1) São Cristóvão é uma aula de história
Fabiana Leal
Direto de São Cristóvão
Fabiana Leal/Terra
São Cristóvão guarda relíquias da arquitetura do País
O município de São Cristóvão, a 23km de Aracaju, traz no ar um cheiro de saudosismo e uma aula de história a cada esquina. A quarta cidade mais antiga do País, fundada por Cristóvão de Barros em 1º de janeiro de 1590, foi a primeira capital do Estado. Só em 1855, o então presidente da Província Sergipe Del Rei, Inácio Joaquim Barbosa, transferiu a capital para a cidade de Aracaju.
A cidade é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional desde 1967. O município desenvolveu-se seguindo o modelo urbano português em dois planos: cidade alta com sede do poder civil e religioso e cidade baixa com o porto, fábricas e população de baixa renda. Nas fachadas das construções é possível identificar a divisão social do Brasil colônia. As tribeiras, beiras e as eiras indicavam quem ali morava, se era rico ou pobre, poderoso ou não.
O Lar Imaculada Conceição é parada obrigatória na cidade. Ele já foi orfanato e desde 2002 é um semi-internato que abriga 46 meninas. No local, a escola atende 350 crianças de 1ª a 4ª série. Dentro do lar tem a Igreja da Visitação e uma gruta de cerca de 100 anos com a imagem de Nossa Senhora de Lourdes.
Na cidade, é comum encontrar casas com portas e janelas estreitas. Na época, o imposto era cobrado de acordo com o tamanho da fachada da residência. Mas São Cristóvão tem ao menos cinco sobrados dos séculos XVII a XIX. O Sobrado do Balcão Corrido, que fica no centro histórico, foi construído no século XIX em estilo colonial com forte influência mourisca. O balcão do sobrado tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional é guarnecido por madeira esculpida. O Sobrado da Antiga Cadeira, do século XIX, hoje abriga a Escola de 2º Grau Deputado Elísio Carmelo. O Sobrado da Antiga Rua das Flores é do final do século XVII. Ele também foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional.
Outro ponto turístico que deve ser visitado é o Cristo Redentor, monumento de concreto de 16m de altura, que fica a 2km do centro histórico. De autoria do arquiteto italiano Belando Beladi, o monumento foi construído em 1924.
Para comer, São Cristóvão tem a queijada - doce típico português. A receita é de família e é guardada a sete chaves.
A repórter viajou a convite do governo do Estado de Sergipe.