ENCICLOPÉDIA NORDESTE
Categoria: Celebridades

Postado por Ivan Maurício em 20/10/2007 22:26
DELMIRO GOUVEIA (5)
No dia 10 de outubro de 1917, começo da noite, era assassinado Delmiro Gouveia, quando lia jornais no alpendre do seu chalé em Pedra. Tiraram-lhe a vida dois balaços: um localizou-se no braço, outro, no peito, varando-lhe o coração; o terceiro alcançou a parede. A história desse homem prospectivo e determinado é uma homenagem do Cultura nos 90 anos de seu desaparecimento.
Pedra não enfrentara, até então, alvoroço igual ao que ocorreu depois do atentado. Antes, muita gente concentrara-se ali para a chegada da luz elétrica; celebrara-se com festa a inauguração da fábrica de linhas; a gente que se reunia, agora, atônita e entre assomos de revolta, deplorava a morte do homem que transformara Pedra de simples parada de trem em núcleo industrial de trabalho e progresso nos carrascais do sertão agreste.
Dos que consumaram a empreitada sinistra nada se sabia; apenas se dizia que, após os tiros, haviam sido vistos vultos que se esgueiravam do local nas sombras da noite. Piquetes foram armados nas estradas pelas quais se deixava Pedra ou nela se penetrava. De nada adiantou quanto ao objetivo visado, ou seja, a detenção dos criminosos.
Quando mataram Delmiro Gouveia, na noite de 10 de outubro de 1917, não se findou uma existência apenas. Interrompeu-se, de maneira brusca, a marcha evolutiva do Nordeste, iniciada vigorosamente no momento em que começaram a funcionar as turbinas montadas nas escarpas da Cachoeira.
Outra seria, hoje em dia, a situação do Nordeste se as balas assassinas não o houvessem abatido. Da fábrica de linhas Delmiro teria partido para outros avantajados empreendimentos. A ampliação da usina da Cachoeira era uma de suas metas. Alcançada, que fosse, surgiriam novas indústrias, ampliar-se-ia o parque fabril, perspectivas bem mais alentadoras teriam os cidadãos nordestinos na luta contra o famifgerado subdesenvolvimento.
Nascido na segunda metade do século XIX, Delmiro ingressou na centúria seguinte embalado pelos rumorosos sucessos registrados em Paulo Afonso. É estupendo que, naquele tempo recuado, marcado por tantos fatores negativos, encarnasse o estereótipo de grande empreendedor do século XXI.
Delmiro desapareceu quando mais dele precisávamos. E, para infelicidade nossa, não teve continuadores. Nem a fábrica de linhas logrou sobreviver ao seu fundador. Doze anos depois, isto é, em 1929, um dia consumou-se o crime maior: depois de uma concorrência desleal, o trust inglês apoderou-se das instalações que Delmiro deixara e que não conseguira abocanhar enquanto vivo foi o caboclo cearense do Ipú. Parte da maquinaria foi lançada ao rio São Francisco, outra levada para bem longe pela Machine Cottons.
O que ninguém conseguirá, porém, é destruir a glória do pioneiro autêntico, empreendedor que nos albores do século XX apontou para o Brasil o caminho da redenção econômica da região nordestina.
O fadário romanesco
Delmiro é fruto de um amor arrebatado, que ensejou um desses raptos rumorosos que povoam a história dos sertões.O pai, Delmiro de Farias, cavalariano que deixou fama no Norte do Ceará pela audácia e temeridade das suas proezas, numa das viagens a Pernambuco, realizadas com objetivos comerciais, enamorou-se de uma jovem - Leonila Flora da Cruz Gouveia- e com ela fugiu. Perseguido pelos irmãos da moça, conseguiu escapar e chegar às terras do Ipú, onde constituiu uma segunda família.
Sim, porque Delmiro Porfírio de Farias já era casado. Quando se iniciou o romance com Leonila, possuía cinco filhos da sua união com Francisca de Mesquita Farias. Nos arrebatamentos da paixão, não atentou imediatamente para as pesadas responsabilidades antes contraídas.
(...)
J. C. ALENCAR ARARIPE
Especial para o Cultura
O autor da matéria é jornalista e escritor
"Diário do Nordeste", 14/10/2007:
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=477905
Comentários (1):
Em 2/06/2008, às 17:40:38,
zezo
disse:
Existe uma publicação que circulou no início dos anos 70 intitulada CADERNOS DO NORDESTE que deveria constar deste enciclopédia.. Uma das edições dos CADERNOS DO NORDESTE trata de Delmiro Goveia
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