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ENCICLOPÉDIA NORDESTE

Categoria: Celebridades
Postado por Ivan Maurício em 18/11/2007 13:17

MANEZINHO ARAÚJO (1)
Ilustração: Léo Cerqueira.

Manuel Pereira de Araújo, artisticamente conhecido como Manezinho Araújo, nasceu no dia 27 de setembro de 1910 na cidade do Cabo, Pernambuco. Quando jovem, fazia o Curso de Comércio. Foi em Casa Amarela, subúrbio do Recife, que aprendeu a embolar com Severino de Figueiredo Carneiro - Minona (1902-1936) - um dos primeiros divulgadores desse gênero musical sertanejo.

Quando rebentou a revolução de 1930, Manezinho Araújo viajou com um contingente do Exército. Quando o navio já se aproximava do Rio de janeiro a revolução terminou com a vitória dos liberais. Mas a tropa seguiu até seu destino. Naquela época Manezinho Araújo já era conhecido como cantor de embolada por seus companheiros de farda. Na volta da tropa para o Recife também viajavam no mesmo navio alguns artistas famosos, entre os quais Carmen Miranda, Almirante, Josué de Barros e outros. Foi, então, organizado um show a bordo e Manezinho Araújo dele também tomou parte, por insistência de seus companheiros de farda. E a participação do desconhecido cantor foi um verdadeiro sucesso; todos gostaram de suas emboladas, gênero musical pouco conhecido. 0 sucesso foi tão grande. que Josué de Barros prometeu lançá-lo no mundo artístico da então capital do país

Três anos após, incentivado por seu mestre Minona e amigos, Manezinho Araújo foi tentar a vida no Rio de Janeiro, onde, em novembro de 1933, gravou, em selo Odeon, seu primeiro RPM que tinha de um lado A Minha prantaforma e, do outro, Se eu fosse interventô, duas emboladas de sua autoria, procurando satirizar a política e os políticos da época.

Com o sucesso de seu primeiro disco abriram-se as portas para o jovem cantor pernambucano e vieram outras gravações como Pra onde vai, Valente?, embolada motivada por sua ,ida, como soldado, para a Cidade Maravilhosa durante a revolução de 1930:

Pra onde vai, valente?
Vou pra linha de frente,

Tava na feira
C'a pistola e um cravinote
0 muleque deu um pinote
Me chamou mode brigá.

Pego no meu punhá
Enfio a faca, o sangue pula
Moleque você não bula
Com Mané do Arraiá.

Veio um sordado
C'um boné arrevirado
Com dois oio abuticado
Que só cachorro do má.

Botou-me a mão
Home, me disse, você tá preso
E eu fiquei c'um braço teso
Na cara lhe quis passá.

Pra vadiá
Eu sou caboco bom na briga
Mas só gosto da intriga
Quando encontro especiá.

Dedo do Cão
Moleque bom no gatilho
Se coçou, eu vi o brilho
Atirou pra me pegá.

Ele me atira
Eu me abaixo e a bala passa
E fico achando graça
Do baque que a bala dá.

Pra onde vai, valente?
Vou pra linha de frente.

Todas as composições de Manezinho Araújo, notadamente as emboladas. continuavam a fazer sucesso. Seus discos eram muito vendidos em todo o país e sua música caiu na boca do povo, como também aconteceu com Cuma é o nome dele? e o Caminhão do Coroné.

E Manezinho Araújo, da noite para o dia, passou a ser um cantor popular. Tão popular que em 1936 participou de um filme de Julien Mandel, Maria Bonita, cantando suas emboladas. Sabe-se até que ele foi o primeiro artista brasileiro a gravar jingles no Brasil, como o do sabonete Ufebuoy. E o óleo de Peroba patrocinou algumas de suas numerosas excursões e programas nas difusoras do país.

Dando continuidade a esse sucesso tão marcante, Manezinho Araújo prosseguiu sua carreira artística cantando e gravando toadas, cocos e notadamente emboladas, sua especialidade, chegando a ser considerado como Rei da Embotada.

Mas Manezinho Araújo não gravou somente composições de sua autoria. Não apenas faziam parte de seu repertório composições de parceria com outros autores, como aconteceu algumas vezes com Manuel ' 1Queiroz (A Festa do Arraiá - embolada, selo Odeon, novembro, 1935, Tome cuidado, Jóiô e Piririguá - emboladas, selo Odeon, setembro, 1936); com Darci de Oliveira (Pró eco respondê- embolada, selo Odeon, maio, 1936) (...)

http://www.soutomaior.eti.br/mario/paginas/cro_mane.htm



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