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FRANZÉ D'AURORA

Postado por Francisco Oliveira em 23/09/2009 13:26

ALBERTO PORFÍRIO FALA DE SUA ALFABETIZAÇÃO
O poeta ALBERTO PORFÍRIO fala de sua alfabetização (trecho de sua auto-biografia):

"Havia, naquele tempo (Década de 30, do século XX), no mais alto do seu auge, a Literatura de Cordel que desarnava as pessoas alfabetizadas. Eram uns livrinhos que contavam as histórias dos acontecimentos populares da região e também os de fora. Estes eram produzidos pelo próprio povo e vendidos nas feiras por baixo preço. Ainda hoje existe. Mas sem aquela empolgação.

Talvez pelo diminuto valor financeiro e a abrangência das revistas sofisticadas.

Aqui, entre nós, vinham de Pernambuco e do Juazeiro do Norte onde tinha os seus Autores e Editores.

Os chamados folheteiros adquiriam os livrinhos na fonte e saiam de feira em feira vendendo. Estes chegavam na feira, esticavam um cordão de uma para outra estaca e escanchavam os livrinhos deixando-os à vista do povo que os escolhiam e compravam. Daí seu nome: Literatura de Cordel. Ou de cordão como preferir chamar.

Era tão grande o interesse por esta Literatura que contavam a história de um folheteiro que ia com uma mala de folhetos na cabeça de uma para outra feira e, encontrou-se com um freguês que lhe disse: Quero um de cada titulo. E ele vendeu de uma só vez 36 romances.

Tinha os autores que eram poetas especializados. O maior deles era o Leandro Gomes de Barros. E, depois, vinha João Martins de Ataíde respectivamente da Paraíba e de Pernambuco. E, daqui do Ceará, tinha o Luis da Costa Pinheiro e, tinha do Piauí, Firmino Teixeira do Amaral. Sendo este ultimo o autor da célebre peleja de Zé Pretinho com o Cego Aderaldo.

Esta peleja é considerada um clássico da Literatura Popular Brasileira. Considera-se clássica uma literatura quando esta é lida por maior número de pessoas e fica por mais tempo em vigor. E a peleja de Zé pretinho com o Cego Aderaldo é lida até em países estrangeiros. Sendo conhecida no Brasil por quase cem anos.

Muita gente, em todo Nordeste, desenvolveu a leitura lendo essa peleja."



Comentários (3):

Em 23/09/2009, às 14:45:47, ARIEVALDO VIANA | página pessoal disse:
IDÉIAS DE CABÔCLO
Estraído do Livro:
"POETAS PUPULARES E CANTADORES DO CEARÁ,de Alberto Porfírio


O professô dos menino
Fala, fala chega estronda!
Querendo qui eu acredite
Qui a terra seja redonda.

Não, senhor, num acredito
Nunca pude acreditá
Qui viva assim todo mundo
Andando em cima duma bola
Sem nunca iscorregá!

Vós mincê preste atenção,
Um monstro cuma é o trem!...
Se a terra fosse redonda,
Iscorrega tombém.

Ele só diz qui a terra
Veve solta no espaço
Rodando num canto só
Sem tê nada de embaraço.
Muvimenta... muvimenta
E nunca descansa um pedaço,
E qui é as volta qui ela dá
Qui serve pra controlá
A frieza e o mormaço.

Num acredito!... não! não!
Qué sabê cuma é a terra
Na minha maginação?
É um prato feito de barro
Mal feito mais bem grandão!
Emborcado em riba d’água
N’uma firme pusição,
Cum a gente morando in riba
Cum toda satisfação.

Vou prová cuma é mermo
Vou dá toda a insplicação:

Quando Deus fez este mundo
Mandou a terra secá,
Mandou se juntá as água
E foi assim qui fez os má.
E se a terra fosse doida
Rodando pra se acabá,
Tinha derramado as água
E era até pirigoso
O próprio Deus se afogá.

Tá certo ou num tá?!

Os home religioso
Gostun de dizê a gente
Qui tem um tal de inferno
De fogo qui é munto quente
Qui vai pra dentro desse fogo
As alma dessas pessoa
Qui num vão munto decente

Desses home priguiçoso
Qui num quere trabaiá;
Dessas muié vaidosa
Qui usun as roupa curta
Qui é do juêio pra lá;
Qui usun outras safadage
Fazendo a gente pecá
Dispois tudo morre
Vai morá nesse lugá
Debaixo desse arguidá.

Agora eu aviso os home
Qui pras muié são ingrato
Tombém aviso as muié
Qui andun de ponta-de-pé
Mode os sarto do sapato;
Dão zunhada e esconde as unha
Fazendo a moda de gato
Se morrê nesses pecado
Vão pra debaixo do prato...

Em 24/09/2009, às 12:00:28, KLÉVISSON VIANA disse:
*****

AO MESTRE ALBERTO PORFÍRIO
Autor: Klévisson Viana


Artista como Porfírio
Não nascerá mais nenhum
Com seu talento incomum
Tinha a pureza do lírio
Sofreu amor e martírio
Como todo menestrel
Mas sendo à arte fiel
Tinha talento de sobra
Morre o homem, fica a obra
Gravada em pedra e papel.

Lapidou versos na rocha
Fez esculturas nos versos
Rompeu vários universos
Empunhando a sua tocha
Como a flor que desabrocha
Seu estro de menestrel
Tinha a doçura do mel
Um gigante da palavra
Morre o homem fica a lavra
Gravada em pedra e papel.

Foi repentista inspirado
No verso foi professor
Seguiu sempre com amor
Tendo a viola de lado
Cantou bem, foi respeitado
Foi gigante do cordel
Ganhou palmas e laurel
No Nordeste em toda parte
Morre o homem fica a arte
Gravada em pedra e papel.

Vá em paz, meu bom poeta
Nessa nova caminhada
E lá na mansão sagrada
Onde a alma se completa
Jesus, o maior profeta
Lhe abrace com São Miguel...
E que o trono de Emanuel
Lhe dê amável acolhida
Morre o homem fica a vida
Gravada em pedra e papel.

Seja mais um passarinho
No pomar do Criador
Castro Alves, o Condor
Seguiu no mesmo caminho
Aderaldo, Canhotinho...
E todo bom menestrel
Que contemplando o vergel
Escreve para os ateus
Que o poeta é a voz de Deus
Gravada em pedra e papel.

Em 24/09/2009, às 13:54:35, ARIEVALDO VIANA disse:
Matéria do jornal O Povo

Morre, aos 83, Alberto Porfírio

Faleceu, na manhã de ontem, o poeta, escritor, escultor e cantador Alberto Porfírio, que, há cerca de sete meses, lutava contra uma fibrose pulmonar causada pelo contato com o cimento, uma das matérias-primas de sua arte. Antes disso, ele já havia sido acometido por um AVC, que o deixou semiparalítico mas que, conforme dizia, não o fez perder o senso.

Filho de pai agricultor e de poucos recursos, Alberto tinha deixado o hospital pela última vez em agosto, depois de uma melhora parcial. Na semana passada, no entanto, ele teve de ser internado novamente na UTI do Hospital Antônio Prudente. Dessa vez, ele não resistiu. ``Foi um grande sofrimento, mas, graças a Deus, ele está agora descansando``, afirma Eugênia, filha dele que, no fim de sua vida, supriu a deficiência do pai datilografando ou digitando seus escritos.

Ao longo de seus 83 anos de idade, o multi-artista nascido no município de Quixadá chegou a presidir a Casa do Cantador e traçou uma carreira que o tornou, segundo o cantador e repentista Geraldo Amâncio, um nome de grande importância para a cultura cearense. ``Além de sua produção, ele tinha também um lado intelectual. Ele dava aulas sobre métrica, rima, escrevia sonetos e livros``, explica. ``Ele é de uma época em que, em toda família, havia mais de um cantador``, lembra de forma nostálgica Geraldo, referindo-se a um artista que, de fato, tinha família grande, de nove pessoas no total.

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