
Postado por GIL MONTEIRO em 04/10/2009 12:41
VIDA INTERESSANTE...
Eu não sirvo de espelho para ninguém, nem para dar conselhos, bem sei disso, mas, se você quer saber por experiência, me ofereço como exemplo e explico por quê.Sou a Miss Imperfeição, muito prazer.Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho meu dinheiro, brinco com minhas sobrinhas, reservo sempre um tempo para elas, almoço com aos domingos com a família, estudo e muito, converso outro tanto com minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas e amigos não tenho muitos mas, os que tenho confio e conservo mesmo que não os veja sempre sei que estão lá sempre que precisar e eles sabem que estou aqui, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails por dia, faço revisões no dentista, clinico geral, providencio consertos domésticos, ouso música, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço massagem no cabelo e as unhas toda semana!E, entre uma coisa e outra, leio livros, tenho uma verdadeira paixão por ler. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. (é uma expressão americana que designa coloquialmente uma pessoa viciada em trabalho, é derivada da palavra alcoholic, alcoólatra).
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas muito importantes e que operam verdadeiros milagres. Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir nenhuma culpa por dizer NÃO.Culpa por nada, aliás.Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.Quando nasceu, nenhum anjo veio do céu na sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que você seria modelo de perfeição para os outros, então não tenha a pretensão de ser-lo. Embora eu afirme sempre sou exageradamente perfeccionista, não me permito errar, mas é claro erro e muito às vezes, principalmente comigo mesmo.Você não é Madre Tereza ( Eu pelo menos não tenho nenhuma vocação para santidade). Você é, humildemente e humanamente, uma mulher, com qualidades e defeitos, desejos e medos.E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, adeus vida interessante.Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é ser “a certinha”, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.É ter tempo.Tempo para fazer nada.Tempo para fazer tudo.Tempo para dançar sozinha no quarto e pulando em cima da cama como criança.
Tempo para ser criança.Tempo para fusar uma loja de discos antigos (Amo música dos anos 80).Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!Tempo para uma massagem.Tempo para ver a novela (No meu caso prefiro um bom filme).Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.Tempo para conhecer outras pessoas.Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Escrever poemas.
Tempo para ser feliz.Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de viver para isso.Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto, pela quantidade de mensagens virtuais que atolam nossa caixa postal, ou por longas reuniões, que duram horas, e que sinceramente às vezes me parecem ser mais cansativas do que um dia de trabalho de um pedreiro. (Costumo sair tonta dessas reuniões).
Viver destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.Desde que lembre de separar alguns bons momentos da continua...
Comentários (1):
Em 4/10/2009, às 12:52:27,
GIL MONTEIRO
disse:
da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
De nada vai adiantar ser o destaque profissional e ter um infarto no fim do mês.Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus conceitos.E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar ou nas montanhas e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante. E com certeza é um ótimo remédio contra infarto.