Postado por Veredas em 17/01/2009 14:56
Cantem outros a clara cor virente
Do bosque em flor e a luz do dia eterno
Envoltos nos clarões fulvos do oriente
Cantem a primavera: eu canto o inverno
Para muitos o imoto céu clemente
É um manto de carinho suave e terno
Cantam a vida, e nenhum deles sente
Que decantando vai o próprio inferno
Cantam esta mansão, onde entre prantos
Cada um espera o sepulcral punhado
De úmido pó que há de abafar-lhe os cantos
Cada um de nós é a bússola sem norte
Sempre o presente pior do que o passado
Cantem outros a vida: eu canto a morte
Alphonsus de Guimaraens