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Soneto de Agosto

Postado por Veredas em 20/02/2009 13:07

Estátua
Cansei-me de tentar o teu segredo
No teu olhar sem cor, - frio escalpelo
O meu olhar quebrei, a debatê-lo
Como a onda na crista dum rochedo

Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo
Por noites de pavor, cheio de medo

E o meu ósculo ardente, alucinado
Esfriou sobre o mármore correto
Desse entreaberto lábio gelado

Desse lábio de mármore, discreto
Severo como um túmulo fechado
Sereno como um pélago quieto

Camilo Pessanha