Postado por Veredas em 13/05/2009 20:48
Ó Madalena, ó cabelos de rastos
Ó Madalena, ó cabelos de rastos
Lírio poluído, branca flor inútil
Meu coração, velha moeda fútil
E sem relevo, os caracteres gastos
De resignar-se torpemente dúctil
Desespero, nudez de seios castos
Quem também fosse, ó cabelos de rastos
Ensangüentado, enxovalhado, inútil
Dentro do peito, abominável cômico
Morrer tranqüilo, - o fastio da cama
Ó redenção do mármore anatômico
Amargura, nudez de seios castos
Sangrar, poluir-se, ir de rastos na lama
Ó Madalena, ó cabelos de rastos
Camilo Pessanha