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Soneto de Agosto

Postado por Veredas em 30/06/2008 11:03

Castelã da tristeza
Altiva e couraçada de desdém
Vivo sozinha em meu castelo: a Dor
Passa por ele a luz de todo o amor
E nunca em meu castelo entrou alguém

Castelã da Tristeza, vês?... A quem?
-- E o meu olhar é interrogador
Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr
Chora o silêncio, nada, ninguém vem

Castelã da Tristeza, porque choras
Lendo, toda de branco, um livro de horas
À sombra rendilhada dos vitrais?

À noite, debruçada, pelas ameias
Porque rezas baixinho? Porque anseias?
Que sonho afagam tuas mãos reais?

Flor Bela Espanca