Terra Terra Fotolog
"Anjos caídos Vivem em paraisos perdidos, eu perdi quase tudo menos a esperança e a escuridão"

Postado por Hawk em 07/09/2009 13:01


Imaginamos a vida sempre para lá do que a vista pode alcançar, corropias de serpentinas ao luar e balões de ar quente a voar. Imaginamos um cento de coisas que gostaríamos de fazer ou ter; imaginamos um céu límpido como a água da nascente ou a brisa suave de uma noite de Verão. Sem medo de sermos orgulhosos, fortes e esguios.
Imaginamos as manhãs e as tardes de sol, as noites cheias de estrelas e o cheiro a terra molhada. Sentimos ao longe o aroma das Cassiopeias que nos contam histórias de cavalos alados de outrora, fábulas encantadas. Tudo isto escrito em folhas de pergaminho enroladas e lacradas, como um tesouro ou uma raridade nunca antes experimentada.
Entretanto vêm as primeiras chuvas e, a uma passagem do limpa pára-brisas, esperamos ansiosos por um dia sem chuva. O tempo piora. Chegam nuvens vindas do Norte que fustigam a nossa pele e ao longe caem minúsculas pedras de gelo, por entre o silveiral.
Depois do gelo vem o vento cortante, que abre frestas no coração, nunca antes protegido contra o mau tempo. Vestimos um casaco de lã e olhamos pela janela o que nunca pudémos tocar - a rua, as pessoas, a pele… - Iludidos pela mudança de estação experimentamos primeiro sair à porta, depois tocamos as flores das glicínias que pendem na varanda, depois a rua, as pessoas e chegamos à pele.
Nunca nos démos conta da ilusão que carregávamos no olhar, do sabor real do vento ou do frio agreste do toque. E quando quisémos regressar à janela já não havia porta alguma, apenas um penhasco protegido por corvos. E a ilusão tornou-se em loucura e devaneio e nada mais resta senão experimentar andar para lá do abismo e imaginar que estamos, algures, para lá do que a vista pode alcançar… porque nada mais existe em redor nem nada poderá concertar a desilusão que se apoderou de nós. Já nada faz sentido, nem sabemos como deixámos isto acontecer…
Erque-se a lua ao longe, os corvos esperam por nós madrugada dentro… deixemo-nos ir… mesmo que o abismo amorteça a nossa queda…



Comentários (6):

Em 7/09/2009, às 14:31:02, Ovelhinha... | fotolog disse:
Oi amiga...estou passando rapidnho para dizer que fiquei feliz de ter tido noticias sua!
Bom, depois volto e leio o seu texto.....

Beijos...................
Em 8/09/2009, às 01:24:43, landgruber | fotolog disse:
Olá minha bela mortal!

Sinto por vez ou outra ausentar-me, mas entenda, sou de um mundo em que o tempo para por longos períodos e que contemplo a humanidade à correr como loucos por entre as cidades de pedras...

Mas aqui estou, e sempre enquanto quiser-me por aqui estarei, estarei sempre a te oferecer meus eternos beijos...


Em 8/09/2009, às 01:26:15, landgruber | fotolog disse:
Se estiveres acordada mande-me um recado ao meu castelo agora...
seria um prazer...
Em 15/09/2009, às 22:37:08, landgruber | fotolog disse:
Eu também senti muitas saudades suas...
Em 16/09/2009, às 19:17:40, Ovelhinha... disse:
Nhai..depois de alguns dias..mas voltei!
Acabei de ler seu texto...e vejo que valeu a pena esperar um pouco..sempre com pensamentos único e expressivos.
Adorei suas palavras...Sem imaginamos muitas vezes o que não podemos ter , e ao entrar completamente nessa ilusão acabamos por nos perder....Mas sempre há uma chance de um novo começo..uma nova porta!

Boa noite amiga.....
Em 26/09/2009, às 01:28:10, landgruber disse:
...saudades...
Nome:
Mensagem:
caracteres disponíveis
E-mail (opcional):
URL (opcional):