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Categoria: Artes
Postado por Emir em 10/08/2008 16:31

Também era fã do Colonnesse.
Lamentávelmente, mais um mestre dos quadrinhos nacionais se foi, e como sempre, é pranteado apenas por pouca gente.
Estava lendo no fotologue do Alan Goldman, e este - com razão - reclamava que a mídia só alardeava notícia de falecimento quando se tratava de um cantor, ator, apresentador de TV, ou até mesmo se fosse um daqueles mostruários para voyers fúteis desocupados (a turminha do Big-qualquercoisa-Brasil).
É um claríssimo sinal que a nossa imprensa e o Brasil, de um modo geral, nem considera quadrinhos como arte... ou a vê como arte menor.
Observem como raramente se vê a TV noticiar sobre algum projeto de quadrinhos, algum personagem ou autor brasileiro.
Quando surge alguma matéria sobre o assunto, é sempre para os já tão badalados, adulados e mundialmente famosos artistas estrangeiros.


Também era um fã do Eugênio Colonnesse, e particularmente da sua Mirza, da qual comprei absolutamente tudo que vi sair nas bancas.

Recentemente, havia conseguido realizar um sonho antigo de fã, ao formar uma parceria com o mestre R. F. Lucchetti, no Tomo 1 da edição "35 anos de Velta" (ver notícia em: http://www.emirribeiro.com.br/noticias_007.php )
Pensava que ia concretizar outra antiga aspiração, que era ter Eugênio Colonnesse como parceiro. E melhor ainda: unir a sua esbelta Mirza com a minha Velta.
Falei com Colonnesse em outubro de 2002, quando o encontrei pessoalmente num desses Fest Comix que eram promovidos pela Opera Graphica e a Comix Book Shop. Lembro que ele até disse uma piada sobre a comparação das alturas da Velta e da Mirza: "Quando ela faz crescer as asas de morcego, fica mais alta que sua Velta, se medi-la até a ponta da asa."

Tempos depois, enviei-lhe um roteiro de minha autoria. Colonnesse me respondeu através de amigos comuns, e disse que desenharia o roteiro se achasse uma editora que lhe pagasse pelo trabalho.

Nesse meio tempo, cheguei a desenhar um história escrita pelo Roberto "Meteoro" Guedes, usando outra criação do Colonnesse: o herói MYLAR.
São dez páginas de uma aventura alocada nos anos 60, o auge da produção nacional de quadrinhos. Até o momento, não foi possível publicá-lo. Além disso, Colonnesse pretendia aprová-lo para uma editora profissional, onde pudesse receber o que lhe era devido, na qualidade de autor do personagem.

Só recentemente, uma editora profissional se interessou pelo encontro entre VELTA e MIRZA, e estava em negociações diretas com o mestre Colonnesse, afim de que ele trabalhasse na arte a lápis, enquanto eu faria a posterior arte-final.
Infelizmente, o AVC vitimou Colonnesse antes que ele sequer desenhasse uma única página.
Pena que agora, esse sonho de fã, não realizarei.
O mestre se foi, mas seus trabalhos ficam. Tenho todos, e poderei rever sempre, e novamente me deslumbrar com sua arte fantástica, com as belas e sensuais mulheres, com o claro-e-escuro impecável, e pela pesquisa profunda que era feita para cada tema desenvolvido para uma história.

Fica aqui minha pequena homenagem, neste desenho da Mirza.
Abraços a todos.
Emir



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