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Categoria: Negócios
Postado por Gilson Schwartz em 28/10/2008 04:36

Dívidas, ações, moedas: a ciranda completa
O mais evidente sintoma de que os esforços de coordenação entre as principais autoridades econômicas do mundo não bastam para já nem se fala em reverter, mas pelo menos estancar a sangria desatada em que se transformou o pânico mundial é a contaminação dos mercados cambiais.

Algumas pessoas têm perguntado: se a crise é nos EUA ou pelo menos teve sua origem por lá, como se explica a desvalorização das outras moedas em relação ao dólar?

Quem estudou física sabe que se todos os corpos do universo se contraem ou expandem à mesma taxa, temos a sensação de que está tudo do mesmo tamanho. Dois trens que andam lado a lado numa extensão qualquer passam a impressão, para os passageiros, de que nenhum dos dois está em movimento.

De fato, a crise nos EUA tornou-se global. Isso significa que as contrações econômicas e desvalorizações de ativos ocorrem mais ou menos à mesma velocidade em toda parte. O resultado, portanto, é a sensação de que nada muda, continuam todos na mesma posição.

Quando as autoridades falam em coordenação, procuram acima de tudo orquestrar uma continuidade dessa dança macabra, onde pelo menos as posições relativas não se alterem.

Claro que, na prática, os trens não andam à mesma velocidade, o universo das coisas econômicas e financeiras não se contrai à mesma taxa para todos (como também não se expandiu de forma homogênea para todos os jogadores) e, na prática, muita gente pula do trem porque tem certeza de que a composição toda corre para um precipício sem fundo.

Há algumas semanas, alertei nesse blog para o piso de 20 mil pontos como horizonte para o derretimento da Bovespa. Muitos acharam exagerado, catastrofista, fora algumas ofensas pessoais de leitores menos educados.

Nessa semana, já estamos no inacreditável (para os beócios) território abaixo dos 30 mil pontos. Falta pouco para bater no piso que eu sugeri (não venham me cobrar se comprarem ações e o mercado cair abaixo desse "piso"!). Ninguém consegue ver o fim do pânico e do poço.

Depois das dívidas no setor imobiliário e das ações (as principais bolsas de todo o mundo já perderam no conjunto cerca de 50% do valor, ou seja, o capitalismo encolheu à metade do que era no ano passado!), a ciranda se completa com a crise das moedas.

Sim, a crise surgiu e é gravíssima nos EUA, mas ganhou força a percepção de que o estrago nos emergentes pode ser pior ainda (reversão da baboseira repetida à náusea por economistas de banco e seus papagaios de plantão nas colunas de economia dos grandes jornais). O resultado é a desmontagem de posições em moedas de maior risco em sistemas de alto retorno, como o brasileiro.

A reação natural, nos últimos anos, sempre foi elevar os juros para conter a crise externa no Brasil (super-premiando os bancos que fazem essa intermediação).

Está na hora de baixar os juros, já e em dose cavalar. Dr. Meirelles, é a sua hora!



Comentários (6):

Em 28/10/2008, às 08:44:18, cicero amaro | e-mail disse:
Gilson, Você dorme tarde, acorda cedo, ou ainda está no Japão? Agora falando sério, você é um otimista, se acha que os juros por aqui vão baixar mais do que 0,25% (e, olhe lá). Os juros vão continuar altos, os bancos, especialmente os grandes vão continuar ganhando dinheirinho sem fazer nada, os grandes fazendeiros (os pequenos agricultores que se danem) vão continuar ganhando dinheirinho barato, chorando para não pagar as dívidas depois e ainda sonegando imposto como ninguém. A Indústria já está se retraindo e demitindo, quando estava contratando. O Comércio também vai minguar e o povo, especialmente classe média vai sofrer, chorar largada. os pobres vão continuar se virando como sempre se viram, com mixaria, sub-emprego, cesta básica, etc. etc. Estamos e estaremos sempre no Brasil, um país onde o Presidente do Supremo Tribunal Federal tem empresa e ganha dinheiro das bancas de advocacia, do poder executivo e do poder legislativo para dar cursos de pós-graduação em direito para quem não precisa. De Gaulle estava certo.
Em 28/10/2008, às 10:47:05, Mario S.P. | e-mail disse:
Achei interessante comentario , mas o que ninguém se atreve é tentar prever onde esta situação vai parar ou para quem têm açoes compradas de Vale e Petrobrás e esta já agora perdendo mais de 50% se vende para ver não virar pó ou espera até talvez nunca mais ver estes valores retornarem , porque dizer que daqui alguns anos 5 ou 10 anos vai estar nos valores que estavam é ridiculo , pois estaria se perdendo da mesma forma e ninguém garante esperar tanto tempo , talvez por nada e outra como se proteger quem se atreve a dar um paltite se imóvel a medio prazo sobe ou se mantém , quem pode prever algo para minimizar prejuizo de trabalhagores que estão perdendo e sendo chamado de especuladores por apenas terem tentado formas de preservar frutos de trabaho de uma vida inteira , quem têm coragem de arriscar uma opinião com base !?
Esta é a pergunda quem têm coragem de apostar aonde esta situação vai parar?
Em 28/10/2008, às 11:28:07, mario.marca@terra.com.br | e-mail disse:
Achei interessante comentario , mas o que ninguém se atreve é tentar prever onde esta situação vai parar ou para quem têm açoes compradas de Vale e Petrobrás e esta já agora perdendo mais de 50% se vende para ver não virar pó ou espera até talvez nunca mais ver estes valores retornarem , porque dizer que daqui alguns anos 5 ou 10 anos vai estar nos valores que estavam é ridiculo , pois estaria se perdendo da mesma forma e ninguém garante esperar tanto tempo , talvez por nada e outra como se proteger quem se atreve a dar um paltite se imóvel a medio prazo sobe ou se mantém , quem pode prever algo para minimizar prejuizo de trabalhagores que estão perdendo e sendo chamado de especuladores por apenas terem tentado formas de preservar frutos de trabaho de uma vida inteira , quem têm coragem de arriscar uma opinião com base !?
Esta é a pergunda quem têm coragem de apostar aonde esta situação vai parar?
Em 29/10/2008, às 17:44:05, aldo américo lemos de souza | e-mail disse:
Ridículo o que estamos assistindo. Ações de bancos lá em baixo (bradesco -60,32%, itau -54,95%, brasil -55,40%)deteriorando com a poupança de muitos. Esses bancos poderiam SUSTENTAR os preços das suas ações, pois tem reservas e lucros armazenados. Amador Aguiar deve estar tremendo na sepultura com o que estão fazendo com seu banco !
Em 26/11/2008, às 15:52:07, A arte de vender | página pessoal | e-mail disse:
Mas já estava na hora dessa crise. E por sinal os efeitos estao mais fracos do que muitos imaginavam. Crescimento de 5% em média todos os anos na economia mundial, e por vários anos consecutivos nao ter uma crise para um ajuste.

Olha só o que um empresário chinês falou antes da crise(maio de 2007):

http://www.forexpivotsbrasil.com/forum/viewthread.php?thread_id=673
Em 14/12/2008, às 13:38:03, Rafael Cabral Maia | e-mail disse:
Crise em escala global é OPORTUNIDADE, o Brasil tem que aproveitá-la e se firmar como a maior potência econômica e política da américa latina.
Precisamos que haja coragem do BC e da Fazenda em reduzir as taxas para o mercado e fiscalizar a utilização de recursos extras pelos bancos, como o compulsório, liberado afim de ser utilizado em crédito.
A redução da carga tributária na semana passada já é uma saída que pode estimular a demanda, mas isso só acontece quando ocorre junto à uma política de redução dos juros.
Precisamos prestar atenção no setor agrícola, é fato que com a redução dos preços e a redução da demanda externa fica difícil pensar em recuperação, mas o estímulo deve ser dado agora, crédito fácil e fiscalizado, com a finalidade de ganhar mercado e manter o ritimo de crescimento desse setor. Está na hora de ocuparmos espaços que serão deixados de lado por outros.
A hora de arriscarmos é quando todos os outros estão sendo conservadores.

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