ITAQUI "O Portal do Rio Grande" Criado por Marcio Barros.

Postado por MÁRCIO BARROS em 09/10/2007 09:24
O FUTEBOL DAS GURIAS. Texto José Ovideo Foto: Cidade de Alvear-Argentina que faz divisa com Itaqui
O campeonato mundial feminino apresentou vitória da Alemanha, na final, deixando-nos como vice-campeões. Assistimos a um grande desempenho da nossa seleção, que só não foi melhor porque deixou escapar o título máximo. Jogamos de igual pra igual com as alemãs, perdendo no detalhe. E porque enfrentamos uma goleira excepcional, que passou por todos os jogos da Copa sem levar um único gol. Até pênalti defendeu, a comprovar que se trata, realmente, da melhor do mundo na posição. Contra o futebol técnico da seleção brasileira, prevaleceu a determinação e a obediência tática da Alemanha. A equipe brasileira, com seu jogo alegre, por vezes até irresponsável, sucumbiu diante da seriedade alemã. Ganhou a mais competente, essa a verdade.
Apesar do apoio inexistente – atualmente nem competição se faz - o futebol feminino se mantém num nível impressionante. A seleção das mulheres tem obtido vitórias que contrariam a lógica mais primária, ou seja, quando se sabe que o desempenho só melhora com treinamento, com a prática constante do ofício e o intercâmbio permanente de experiências com os mais desenvolvidos, surpreende que no caso delas isso não funcione. Não jogam porque não têm o que disputar e treinam muito pouco entre si, apenas quando se encontram. Exceto, claro, as seis ou sete que se mandaram pro exterior. E, mesmo assim, obtêm esses resultados, consagradores, em todos os jogos ou torneios que disputam. É um verdadeiro milagre que tal aconteça nessas condições. Mas e por que, afinal de contas, com todo esse retrospecto, o futebol feminino não deslancha entre nós? Várias são as razões alegadas pra justificar o pouco caso dispensado ao “futebol das gurias”. Todas elas válidas. Uma, no entanto, explicaria, em tese, o desleixo pra com o futebol das mulheres, refiro-me à cultura do povo brasileiro. Houve um tempo em que aprendíamos que futebol era esporte de homem, jogo pra macho. Mulher jogando pelota, chutando bola? Difícil concordar com a hipótese. Eu, particularmente, geração dos sessenta, até já consigo assistir a jogos “delas”, mas no início foi barra pesada. Admitir que uma mulher pudesse jogar futebol como se homem fosse, nem pensar. Ocorre que, diferente das outras modalidades de esporte praticadas por ambos os sexos, como aconteceu com o vôlei, neste as regras não se adequaram às condições físicas das mulheres, indiscutivelmente, mais frágeis. Joga-se o futebol feminino da mesma forma que o masculino. Até o fardamento feito, especialmente, pra brutamontes usarem, foram adotados pelas beldades do sexo oposto, dando a impressão de que elas buscam disputar, com os homens, a preferência do torcedor. Nessas condições, impossível dar certo. Excepcionalmente, até pode surgir alguma outra craque do porte da Marta, por exemplo, mas é claro que as meninas, no seu todo, vão praticar um futebol inferior ao dos homens. Vai prevalecer sempre o porte físico, a resistência, a força, do varão.
Penso que se algumas medidas favoráveis à mulher, que viessem ao encontro de suas características, fossem tomadas, o futebol feminino encontraria menos resistência dentro do mundo dos esportes. Ao invés de calções folgados e pelos joelhos, bermudas apropriadas à pernas bem esculpidas, com estas mais à mostra, dariam um charme especial ao jogo. Um chega pra lá nas camisetonas tipo camisolão e em seu lugar blusas bem cortadas, capazes de privilegiar o belo e mexer com a imaginação da torcida, certamente, seriam atrativos. Não mais chuteiras abrutalhadas, com travas pontudas de alumínio e, sim, sapatilhas macias com agarradeiras de borracha, preparadas pra envolver pés delicados. E assim por diante, no tocante a fardamento. Nessa altura as regras também poderiam ser alteradas, pra beneficiar as musas. Uma bola mais leve, goleiras de tamanho reduzido, campo de jogo menor, etc. e etc., fazendo com que o futebol feminino assumisse a cara de autêntico jogo pra mulheres. Teríamos um futebol pra eles e um futebol pra elas.
Comentários (5):
Em 9/10/2007, às 09:27:27,
Continuação
disse:
Cada um na sua, sem constrangimentos. Haveria espaço pra ambos crescerem e a paz se estabeleceria, definitivamente. Com tais alterações até o preconceito, que não admite mulheres praticando o futebol, “jogo de homem”, não teria motivos pra sobreviver. Porque, queiramos ou não, o preconceito tá aí. E é praga pesada.
A despeito das correntes contrárias, porém, o futebol feminino é uma realidade e, desta feita, veio pra ficar. É a hora, pois, da nossa CBF - Confederação Brasileira de Futebol, tomar pra si a responsabilidade que lhe cabe e caminhar de acordo com o resto do mundo.
Em 9/10/2007, às 09:33:43,
valdir martins rodrigues
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e-mail
disse:
Eu tambem sou gaucho e mora em mato grosso.Já estou com saudades de minha terra..Construi familia aqui e agora não possso voltar para meus pagos
Em 11/10/2007, às 10:02:47,
thay
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fotolog
disse:
bah...tinha me esquecido disto aki...rsrsrs.....iai...mts atualizações....rsrsrs....
t+
Em 11/10/2007, às 10:51:32,
Continuação do Texto
disse:
ou seja, estimulando a criação de ligas, organizando competições, enfim, incentivando o crescimento da modalidade. Lembro que há tempos atrás já estivemos bem adiantados em termos de futebol feminino. O Inter, por exemplo, tinha seu departamento montado, disputava jogos no interior e em outros estados. Parece que até torneios internacionais jogou. Recordo, inclusive, que em nossa cidade havia equipes da categoria, botando pra quebrar. E, por sinal, jogando o fino da bola. Depois, como sói acontecer quando falta apoio, as iniciativas minguaram e os times acabaram extintos. Hoje, com nossas meninas jogando esse bolão, a esperança renasce, e nós voltamos a sonhar com as gurias em franca atividade futebolística. Numa dessas.....
Texto: José Ovidio
Em 11/10/2007, às 19:47:34,
Antonio Erivaldo
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fotolog
disse:
Um ótimo feriado!!!
Abraços