"Quem se queima brincando com fogo uma vez custa a brincar de novo" ... e eu aceitei o desafio :P

Postado por Ivo Pontes em 31/08/2006 12:38
A poeira transformou-se com o vento em um vaso quebrado... dor...
O tempo vem com o vento, retirando do baú objetos já esquecido pelas lembranças passageiras da criança. Sono leve diante da noite estrelada que iluminava o chão do quarto sem encostar na cama fria, aquecida pelo cobertor doado pelo próprio pai. O vento vem com o tempo levando assim um pedaço da alma do jovem perdido no meio da estrada insegura, descoberto de proteção e angustiado pelo sofrimento de ter nascido de uma forma incompleta. Lhe falta um pedaço da alma, e o espírito chove emborcado, como se tudo estivesse de cabeça para baixo. Sangue, dor, sofrimento de uma queda vinda do teto, permanecida sobre o chão frio, do lado de dentro da porta trancada.
Regredir alguns passos sem ao menos ter pernas para andar, mas a necessidade disso faz com que tudo se torne obrigado a ter um fim, e a procura desse fim acaba se tornando eterna. Sinto frio, sinto fome, sinto dor... e minha mesa está farta de alimentos, carnívoros sentam à mesa e se alimentam do meu ser, moldando minha carne até me sobrarem os ossos de uma angustia superada no passado e refletida sobre a atualidade do espelho guardado na porta de meu guarda roupa...
Já não tenho pra onde ir, já não tenho a mais quem recorrer... tudo foi pro lixo e do lixo não se pode sair mais, já é tarde pra isso... se arrependimento matasse. Desde o começo o silencio prevalecia e pairava, ate que um dia escutar ao longe o sino de uma igreja me fez ensurdecer o corpo, tive que gritar pra mim mesmo e para o mundo quer nada tem sua perfeição, tudo possui sangue e não tem como se extrair dessa seiva sem experimentar da sua dor, da sua lágrima. Eu preferia o silencio a ter me submetido a viver tudo isso mais uma vez, e não sei mais quantas vezes ter que passar pelo mesmo sofrimento...
Angustia, dor... solidão... amor... amar não deixa de ser uma forma de prezar pelo egoísmo, de cravar com as próprias unhas a musculatura de um coração cicatrizado. E eu sou egoísta, talvez por isso a falta de ar me faz respirar com uma intensidade única... e quando tudo parece clarear aos poucos, quando penso estar vendo o sol pairar sobre meus cabelos, sinto o pesar da noite me empurrando novamente para o chão... ele continua frio, desprotegido de qualquer cobertor doado pelo que chamam de um... pai.
Comentários (2):
Em 1/09/2006, às 13:28:21,
Geraldo Pontes
disse:
Putz! Caramba, Ivo! Seus textos ficam dentro da cabeça de gente (talvez até na alma) como se fossem escritos com essa intençao... Profundo, muito profundo!
Em 3/10/2006, às 18:14:47,
Hartemilce!
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disse:
Vc sabe que admiro muito seus textos, isso não é novidade. É como se ler a bíblia, cada vez uma mensagem diferente, uma interpretação dependendo do momento da leitura. Parabéns meu filho! Te amo!