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CORDELISTA JOÃO GOMES DE SÁ

Sou João Gomes de Sá
Natural das Alagoas
Aprendi fazer cordel
Pra falar de coisas boas
Levando a nossa cultura
Para todas as pessoas.

Categoria: Artes
Postado por João Gomes de Sá em 05/11/2009 10:28

Caravana do Cordel homenageia o Gênio Leandro
Imagem: xilo de Arievaldo Viana

Dia 7, na Rua Augusta, 1239 – Espaço Cineclubista, às 19:00 h, a Caravana do Cordel, que completa um ano este mês, homenageará o poeta maior da Literatura de Cordel, Leandro Gomes de Barros.

19 de novembro, Dia Nacional do Cordelista (data de nascimento de Leandro) haverá novo encontro, desta vez com a participação do Doutor em Letras, Aderaldo Luciano.

Abaixo, um dos artigos que escrevi enfocando o nosso grande farol:

Guerra Junqueiro e Cancão de Fogo

Por: Marco Haurélio

A literatura de cordel no Brasil conheceu cumes e abismos, para, passado mais de um século de seu surgimento, firmar-se como uma das mais importantes manifestações culturais de nossa terra. Por conta dos registros escassos e das pesquisas incipientes, é impossível se apontar o marco inicial, a obra pioneira, embora não falte quem indique a História de Zezinho e Mariquinha, do paraibano Silvino Pirauá de Lima (1848-1913), como um dos primeiros folhetos impressos no Brasil. Mas a difusão da literatura de cordel deve muito a Leandro Gomes de Barros (1865-1918), paraibano de Pombal, que, ao migrar para o Recife, transformou a capital pernambucana no maior centro difusor da literatura popular em verso do Nordeste.

Leandro foi, além de grande empreendedor, um estupendo poeta. 91 anos após sua morte, ainda é considerado o maior poeta popular brasileiro de todos os tempos. Ninguém legou tantos clássicos à posteridade. Do épico ao satírico, do lírico ao dramático, nada escapava à sua pena arguta, à sua verve incomparável. Sua impagável criação, o presepeiro Cancão de Fogo, é uma espécie de Lazzarillo de Tormes sertanejo. Livre pensador, crítico impiedoso das instituições e dos vícios de seu tempo, Leandro fez de Cancão um porta-voz dos menos favorecidos, que recorrem à astúcia para sobrepujar os opressores. E que, mesmo depois de morto, conseguiu enganar o juiz, o padre e o escrivão, personificações dos vícios da plutocracia.

Assim, a viúva do quenguista explica aos dois primeiros o porquê de o moribundo havê-los convocado para que o assistissem em seus derradeiros momentos:

Ele chamou os senhores
Quando estava aqui prostrado
Porque queria imitar
O Cristo crucificado:
Queria morrer também
Com um ladrão de cada lado.

Este episódio também aparece numa anedota referente ao poeta português Guerra Junqueiro (1850-1953), famoso por ter compostos vários libelos declaradamente anticlericais, como o poema O melro que integra o livro A velhice do Padre Eterno, publicado em 1885. Moribundo, o poeta teria sido visitado por um padre e um juiz. Há variantes. Obviamente, trata-se de um motivo mais antigo, que ganhou novas roupagens no anedotário português e na obra impagável de Leandro Gomes de Barros. Mudam-se os personagens, conservam-se as funções e comprova-se a universalidade da poesia popular.

Fonte: http://marcohaurelio.blogspot.com/2009/11/caravana-do-cordel-homenageia-leandro.html



Comentários (3):

Em 5/11/2009, às 11:34:32, ARIEVALDO VIANA | página pessoal disse:
O saudoso pesquisador Sebastião Nunes Batista, em sua "Bibliografia prévia de Leandro Gomes de Barros" assegura que o Cancão de Fogo era, de certo modo, um folheto autobiográfico. Leandro misturou fragmentos de sua própria história com a ficção. Eis uma pista...

Cancão era um apelido
Que os irmãos lhe puseram
Pelas travessuras dele
Esse apelido lhe deram
Por ele nunca querer
O que os parentes quiseram.

Ele era um branco moreno
De olhos agateados
O rosto largo e pequeno
Os cabelos estirados
Não eram pretos nem louros
Eram quase acastanhados.

No quengo é que não se pode
Dar dele uma descrição
Só posso classificá-lo
Como grande aberração
Um caso extraordinário
Enfeites da criação...

Em 27/11/2009, às 11:26:36, KLÉVISSON VIANA disse:
*****
VIVA A CARAVANA DO CORDEL!!!

O folheto de cordel
Vem ganhando novos ares
No Sudeste do País
Galgando outros patamares
Com a nossa Caravana
Chegando a vários lugares.

Essa grande Caravana
Tem Marco Haurélio e o Frei
Verneci, grande poeta
Um cordelista de lei
Falando em Leandro Gomes
Que para nós é o Rei.

João Gomes de Sá garante
A qualidade no texto
Moreira de Acopiara
Que faz parte do contexto
Nosso querido Cacá
Um cordelista bissexto.

Muita gente talentosa
Divulga nosso cordel
Encantando aos corações
Cumprindo um belo papel
De difusão da cultura
Do poeta menestrel.

Parabéns missionários
Dessa arte soberana
Segue um abraço fraterno
Do vate Klévisson Viana
Que mesmo distante sonha
Em andar com a Caravana.

Em 12/12/2009, às 09:23:58, Ivan Maurício | fotolog disse:
Visitem

www.onordeste.com

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