The Beathes, Roberto Carlos, Jovem Guarda e as novidades dos anos 60, não passaram despercebidas aos meus ouvidos. Vieram os anos 70 e o velho, e criativo Raul Seixas - além de outros cantores e compositores “bregas” (para alguns). Para quem vivia no interior, sem jornais, revistas, televisão, telefone e recebendo sinais distorcidos de rádio, essas informações foram e são impagáveis.
Os circos e cinema Emoir de Sertânia (filmes exibidos com quase dois anos de atraso) foram de vital importância para a formação de um migrante. Não perdia um filme semanal. Vi na tela as maravilhosas Brigitte Bardod e Sofia Loren. O Vigilante Rodoviário (ator Carlos) era o herói brasileiro desse e outros meninos da época. Falei com Carlos (por telefone) na década de 90 - já em São Paulo. Ele trabalhava do Departamento de Turismo de uma cidade do litoral paulista. Conversamos quase 20 minutos. Outros enlatados americanos, faroestes verdadeiros e cópias italianas, moldaram a minha cara cultural. Até as películas “capa e espada” eram novidades. Assistindo aos espetáculos circenses - alguns sem lonas - percebi o descaso e discriminação social com os artistas. Comecei a entender o que é a sociedade brasileira. ( http://www.overmundo.com.br/overblog/pao-circo-e-amor ).
Na minha memória um fato ficou gravado: eu tinha 12 anos de idade... Ouvi o famoso Zé Cotó do Sertão das Alagoas (artista popular) tocar guitarra na feira de rua de Sertânia, sem dedos e tocando muito bem. Aplausos... Um ritmista do Zé Cotó (parecido com Jackson do Pandeiro) passava seu pandeiro em busca de alguns trocados. O público colocava moedas e algumas notas graúdas. Zé Cotó era um artista do povo. Talvez tenha inspirado os guitarristas do moderno calipso.
Já em São Paulo – 1976 - comecei outra vida... Ouvi Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Morais, Milton Nascimento e toda a turma da MPB. Ouvi ainda Caetano Veloso e Gilberto Gil. Conheci pessoalmente um gênio: Tom Zé. Cantando em um evento de rua (com a Banda Moxotó - minha banda), ele ouviu algumas músicas nossas, subiu no palco e me deu um abraço! Mostrou humildade, companheirismo e sabedoria em apoiar novos artistas. Tem muitas histórias... Daria um livro! Esqueci algo: Zé Ramalho! Talvez tenha sido o “Zé” o meu ícone como compositor e músico. Vi nele o Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Zé Cotó do Sertão das Alagoas. Zé Ramalho com suas canções e aboios, traz a referência da feira de Caruaru e de Sertânia, para os ouvidos dos críticos musicais.
Sou um leitor maluco. Leio até bula de remédio! Quando vou dormir... Caio na cama e viajo para o espaço!