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Psicologia em Foco

Postado por J. Landeira em 21/02/2006 03:19

O Fígado Mesopotâmico
Os conhecimentos de anatomia dessa civilização parecem ter sido escassos, mas sabe-se que os mesopotâmicos consideravam o fígado como o órgão responsável pelo metabolismo do corpo e o centro da circulação, além de ser o centro da vida e onde ficava a alma. O estômago era considerado a sede da coragem e o útero, sede da bondade.

Essa importância dada ao fígado é percebida pela prática da hepatoscopia – inspeção de fígados de animais sacrificados – geralmente carneiros – em busca de sinais reveladores dos deuses. Modelos em argila e bronze do fígado de carneiros foram encontrados em diversas cidades da Assíria e Babilônia. Acredita-se que estes modelos eram utilizados no ensino dos jovens sacerdotes na arte da hepatoscopia. Estes modelos eram divididos em pequenos quadrados com orifícios no centro de cada quadrante, com marcações cuneiformes em cada um deles – o nome de uma divindade. À medida que observavam o fígado do animal, marcavam os quadrantes correspondentes com um palito, formando um “mapa” do fígado no modelo de argila. A partir deste “mapa”, deduzia-se a enfermidade que afetava o enfermo.

A hepatoscopia analisava os lóbulos superiores e inferiores do fígado, seus apêndices, a vesícula biliar, os dutos cístico e hepático e a veia. Os sinais no lado direito do fígado eram considerados de bom agouro, e os da esquerda de mau; e uma vesícula inchada indicava aumento de poder.

Na imagem acima, temos um exemplo de um modelo em argila do fígado de um carneiro encontrado na Babilônia, como medindo com 6 cm e de aproximadamente 2050-1750 a.C. Pedaços de madeira eram colocados nos buracos do modelo, como lembretes das características encontradas no fígado analisado.



Comentários (9):

Em 21/02/2006, às 07:41:29, Luiz D´ | fotolog disse:
Interessante!
Em 21/02/2006, às 07:42:26, GUI | fotolog disse:
Bem interessante a arte da hepatoscopia. A divisão do órgão em quadrantes, os sinais de um lado interpretados como bons e do outro como maus. Isso parece coisa de "cartomante". Nana
Em 21/02/2006, às 09:55:54, EDUARDO BERTONI | fotolog disse:

Pobres antigos...como estavam longe da verdade...será que eram mais felizes?
Em 21/02/2006, às 10:05:13, EDUARDO BERTONI | fotolog disse:

Em relação ao post de ontem:

Chegamos à conclusão que era muito fácil ser médico antigamente. Não havia compromisso com o acerto e com a verdade. Qualquer coisa que os doutores fizessem era considerada certa. Me causa espanto ver que nomes reverenciados da medicina antiga como gênios, teriam errado 99 por cento dos diagnósticos se aplicássemos os métodos científicos hoje disponíveis. Era um dogma. O médico dizia: "É isso"! e fim de papo.
Em 21/02/2006, às 15:56:46, AG disse:

Continuo pasmo com esse método mesopotâmico de examinar o paciente através de um outro sacrificado.
Mesmo que a ciência desses povos carecessem de vernizes civilizantes, é muito estranho que as pessoas aceitassem esse procedimento de se fazer diagnóstico.
Eu entenderia mais se os exames fossem feitos com varinhas imantadas, bolas de cristal "energizadas", pêndulos magnéticos. Era tudo a mesma tapeação mas, pelo menos, era feito no teu corpo e não no fígado de um cachorro vira-lata, que passava pelos jardins suspensos, atrás de um osso.
Em 21/02/2006, às 17:15:18, .Fabiano. disse:
AG,
Os mesopotâmicos acreditavam que durante a criação do mundo e dos seres vivos (os animais e nós, humanos), os deuses deixaram seus sinais, indicações de suas intenções divinas.

Por este motivo eles acreditavam que pela análise do fígado de um animal poderiam descobrir algo. Afinal, os sinais estavam por aí, pra quem quisesse ver.

Bem, de certa forma, me parece compreensível. Ou não.
Em 21/02/2006, às 18:15:04, Mauro_AZ disse:
A vantagem de estarmos observando os misticismos antigos milhares de anos depois nos possibilita ver com clareza como sao estapafurdios. Porem, no fundo, nao sao mais estapafurdios do que os misticismos contemporaneos.
Em 21/02/2006, às 19:07:23, AG disse:

Fabiano,
compreensível é. Como diz o Mauro (saudações cruzmaltinas!) pior são as crendices que campeiam neste século inicial do terceiro milênio.
Mas crendice ou não, mesmo para esses humanos ainda primitivos, é difícil imaginar a teoria que: "uma doença em mim, pode ser diagnosticada no corpo do outro".

Mestre, com licença:
o Luizinho capeta, trouxe pó de mico no bolso e está jogando nos coleguinhas. Acha que só porque estamos na semana do carnaval, vale tudo.
Isso aqui não é Brasília não, Luizinho.
Um pouco mais de respeito, peste.
Em 21/02/2006, às 21:25:32, .Fabiano. disse:
Sim, talves seja pior mesmo.



Huum...Então é por isso que estou me conçando todo...
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