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Psicologia em Foco

Postado por J. Landeira em 22/02/2006 03:08

A Farmácia Mesopotâmica
Embora não fosse comum, os profissionais da saúde mesopotâmicos utilizavam algumas substâncias com fins terapêuticos. Embora grande parte da descrição destas substancias foi encontrada na Biblioteca de Assurbanipal, o primeiro tablete encontrado foi o de Nippur (2100 a.C.). Ele é considerado um texto farmacológico, pois descreve as normas para elaborar os medicamentos e suas aplicações. Enumera trinta produtos diferentes utilizados em sua forma simples ou para formar os chamados medicamentos compostos (onde são utilizadas diversas drogas). Neste tablete, não há nenhum conteúdo mágico.

Nestes tabletes médicos, encontram-se informações sobre as drogas utilizadas e o procedimento de aplicação destas substâncias. Nestes registros, há referências à erva-doce, beldroega e alcaçuz, uvas, pimentas, figos, pepinos, cebolas, açafrão e o cominho. Existem também referências a várias raízes vegetais assim como a algumas drogas com agentes ativos, tais como a beladona e a mandrágora. O ópio foi a primeira droga psicoativa reconhecida nos tabletes. O cânhamo indiano era aconselhado como analgésico nos casos de reumatismo. Dos animais, usavam o leite, o sangue, a carne, as vísceras, a gordura e também os excrementos para afastar os espíritos. Os minerais eram utilizados principalmente para as receitas oftalmológicas e para as enfermidades dermatológicas.

Relatos de historiadores da Antigüidade, ao descreverem os Jardins Suspensos da Babilônia, construídos por Nabucodonosor, fazem referência ao fato de que, entre flores e árvores, eram plantados o alecrim e o açafrão.

O objetivo do remédio era persuadir o demônio de que continuar ocupando aquele corpo seria uma experiência desagradável. Comumente os sumérios colocavam um carneiro ou cabra próximo ao doente, esperando atrair o demônio para dentro do corpo do animal, que, então, seria morto.

Esta rica farmácia mesopotâmica era utilizada de forma empírica. Geralmente o Asu utilizava termos metafóricos para as substâncias que utilizava, como “gordura do leão”, “sopro do bebê”, etc. Além disso, é importante ressaltar que não havia qualquer preocupação com os mecanismos responsáveis pela ação destas substâncias, mas sim pelos seus resultados. Dessa forma, grande parte dos efeitos produzidos por estas substâncias estava relacionada com efeitos placebos.

Na imagem acima temos (1) a flor da papoula, da qual se extrai o ópio; (2) o cânhamo indiano (Apocynum cannabinum); (3) a mandrágora (Mandragora officinarum); e (4) a Beladona (Atropa belladonna).

Referências:
- Historia de la farmacia. Em:
http://html.rincondelvago.com/historia-de-la-farmacia.html

- A Farmácia e a Historia. Dias, J. P. S. Em:
http://www.ff.ul.pt/paginas/jpsdias/Farmacia-e-Historia/Farmacia-e-Historia.html



Comentários (6):

Em 22/02/2006, às 06:43:35, Luiz D' | página pessoal disse:
A descoberta dos efeitos de certas substâncias deve ter sido uma aventura: quantas surpresas, alegrias e decepções...
Em 22/02/2006, às 14:13:29, AG disse:

Isso é outra coisa que me espanta. Como é que esses camaradas sabiam que determinada planta fazia determinado efeito.
Sei, sei; pela experimentação. Botavam os doentes num balaio de cobaia, usavam-se variadas plantas e, aquela que matasse menos, seria eleita a campeã.

Mas não é bem isso que eu queria dizer: o que me enche de admiração é tentar advinhar como é que um cara, olhou uma espiga de trigo e descobriu que lá dentro, atrás daquelas hastes nada suaves haviam uns grãozinhos escondidos que, se moídos, viravam farinha ?
Eassim é o cacau, o guaraná, o café etc.

E outra coisa: passados tantos séculos, ainda deve haver muitas plantas a se descobrir.
Será ou não ?
Em 22/02/2006, às 15:43:07, GUI | fotolog disse:
Hum...acho nessa época, com essa prática, estava nascendo a medicina natural e o tratamento homeopático, né?
Em 22/02/2006, às 15:57:46, GUI | fotolog disse:
AG,
O nome disso é empirismo. Sabe-se que o trigo vira farinha pelo conhecimento empírico. Os pesquisadores pesquisam, pesquisam, pesquisam e através de experimentos acabam por descobrir a referida função. Nana


Em 22/02/2006, às 21:39:42, Mauro_AZ disse:
Como eram ingenuos os demonios nos tempos antigos. Estava la' um demonio, feliz da vida, dentro do corpo de um sumerio e causando uma doenca. De repente ao ver um carneiro ou cabra perto (imagino que ovelha e bode tambem serviam), nao resistiam `a tentacao e incautamente pulava para dentro do animal. Quando menos esperava, o animal era sacrificado. Por algum motivo inerente `a (sobre)natureza demoniaca, demonio que era pego dentro de organismo morto nao tinha mais direito a entrar em organismo vivo. Ou talvez o Codigo de Hamurabi tinha leis com aplicacao especifica aos demonios, o que podiam e nao podiam fazer.

Suspeito que os demonios de hoje em dia evoluiram, sao um pouco mais espertos e nao caem nessa cilada.
Em 22/02/2006, às 21:43:15, Mauro_AZ disse:
Imagino a decepcao dos nascentes medicos naturais quando experimentavam dar uma erva como cicuta para o paciente e empiricamente verificavam que a erva nao so' nao curava a doenca, como tambem mandava o paciente para o beleleu.

Alias, acho esse nome "medicina natural" uma bobagem.
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