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Psicologia em Foco

Postado por J. Landeira em 23/02/2006 02:15

A Cirurgia na Mesopotâmia
Apesar dos diversos textos médicos achados na Mesopotâmia, somente quatro tabletes sobreviveram que descrevem um procedimento especifico de cirurgia. Um deles está muito destruído para ser decifrado. Dos três tabletes decifráveis encontrados, um parece descrever um procedimento no qual o Asu corta o peito do paciente para drenar o pus da pleura. Dois deles são intitulados de “Prescrições para doenças da Cabeça”. Um descreve os cuidados pós-operativos de um ferimento, recomendando a aplicação de óleo de gergelim, que curiosamente, sabe-se hoje, age como agente antibactericida. O outro texto menciona a faca do Asu fragmentando o crânio do paciente (possivelmente uma trepanação). De fato há indícios de que trepanações ocasionalmente eram realizadas. O crânio trepanado de uma criança foi encontrado na região noroeste do Irã, com aproximadamente 1100-800 a.C. Aparentemente, o paciente sobreviveu à operação.

Embora os textos não façam menção a anestesia, fortes analgésicos e drogas narcóticas eram conhecidas pelos Asu, certamente desde 2000 a.C. Destaca-se ai o cânhamo e o ópio assim como extratos da folha, semente diferentes tipos de bebidas tais como o vinho. Algumas drogas analgésicas eram aplicadas localmente, especialmente em lesões da pele e dores de dente. Sem dúvida, os médicos preocupavam-se com a dor de seus pacientes.

Apesar dessa aparente ausência de registros, não podemos descartar a prática na região; muito provavelmente o ensino era transmitido oralmente e demonstrados ao vivo. Além destes tabletes citados, encontramos menções a algumas ações cirúrgicas no Código de Hamurabi, onde uma operação é feita com uma faca por um Asu. Entretanto, tratamentos de lesões superficiais eram mais comuns enquanto operações cirúrgicas eram mais raras.

O cirurgião era limitado pelo conhecimento da anatomia humana interna. Este conhecimento de anatomia se restringia a animais sacrificados. As dissecações humanas post-mortems não eram feitos na Mesopotâmia. Não há evidencia de especialização de nenhum tipo de cirurgia. Nesse sentido, o conhecimento dos egípcios em relação à anatomia humana era muito mais extenso, assim como as condições cirúrgicas. Os tratamentos cirúrgicos egípcios eram simples, mas mais avançados do que seus colegas mesopotâmicos.

Foram encontrados nesta região antigos instrumentos cirúrgicos possivelmente utilizados para operações de trepanação assim como crânios com orifícios feitos.

Na imagem acima, a escrita cuneiforme para cirurgião (naglabu em assírio), que incluía representação de uma mão. Representa a primeira concepção de cirurgião-barbeiro: o uso das mãos na execução de operações cirúrgicas.

Referência:

- Surgery In Ancient Mesopotamia. Adamson, P. B. Medical History, 1991, 35: 428-435.



Comentários (4):

Em 23/02/2006, às 07:53:34, Luiz D´ | fotolog disse:
Para mim é motivo de espanto saber que alguns submetidos à trepanação sobreviveram - com os riscos de infecção é um milagre.

Por outro lado, não tenho dúvidas que os mais curiosos deveriam estudar a anatomia humana em algum cadáver disponível em alguma guerra.
Em 23/02/2006, às 08:34:08, GUI | fotolog disse:
Achei interessante a naglabu em assírio, uma escrita cuneiforme para cirurgião, com a representação da mão (seria a origem dos pictogramas?). Nana
Em 23/02/2006, às 09:12:22, .Fabiano. disse:
Nana,
A escrita suméria, herdada pelos assírios, é baseada essencialmente numa escrita pictográfica.
Em 23/02/2006, às 22:24:38, AG disse:

Isso que o Luiz falou é o que estava exatamente nos meus pensamentos: como é que o camarada resisitia à cirurgias tão delicadas sem capotar numa septicemia galopante.
Ao mesmo tempo fico pensando se os "bichinhos" daquela época não seriam mais benignos, mais amiguinhos, enfim.

Viu, foi o Luizinho tomar umas reprimendas do professor para ficar quietinho no seu canto.
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