Terra Terra Fotolog
Psicologia em Foco

Postado por J. Landeira em 24/02/2006 02:45

A Epilepsia
Documentos antigos revelam de forma clara que a epilepsia sempre foi interpretada como a manifestação da ação de demônios que possuíam o sujeito. A própria Bíblia relata casos em que pacientes epilépticos eram tratados por exorcistas que tentavam expulsar espíritos que haviam possuído o corpo do enfermo. Acredita-se que uma das finalidades da trepanação seria a de liberar espíritos malignos supostamente enclausurados no cérebro do paciente. A utilização de amuletos e a introdução de líquidos no intestino através do ânus (enemas) constituíam outras práticas para o tratamento da epilepsia.

Os povos que viveram na Mesopotâmia não foram exceção a esta regra. Por exemplo, há uma coleção de tabletes dedicados à descrição da epilepsia datados de 718-612 a.C. A lista descreve os primeiros sintomas (“sintomas prodromais”), além de diversos tipos de crises, como:
• Ataques tônicos (ou as conhecidas “convulsões”);
• ataques de ausência – comum em crianças, onde ocorre uma súbita interrupção da consciência que dura uns poucos segundos;
• tomadas parciais complexas – quando há uma diminuição qualitativa da consciência;
• ataques jacksonianos – convulsões motoras focais com movimentos unilaterais que se iniciam em um grupo de músculos e se estendem aos adjacentes
• e os fenômenos de confusão mental comum de estados post-ictais.


Também são citados alguns fatores provocadores como perda de sono e humor.

Referência:

Translation and Analysis of a Cuneiform Text Forming Part of a Babylonian Treatise on Epilepsy. Wilson, J. V. K. and Reynolds, E. H. Medical History, 1990, 34: 185-198.
Em pdf:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/utils/lofref.fcgi?PrId=3494&uid=2187129&db=PubMed&url=http://www.pubmedcentral.gov/articlerender.fcgi?tool=pubmed&pubmedid=2187129



Comentários (5):

Em 24/02/2006, às 06:17:04, Luiz D' | página pessoal disse:
Era dura a vida dos epilépticos naqueles tempos...
Em 24/02/2006, às 09:55:25, GUI | fotolog disse:
Essa prática de "enemas" de antigamente, remeteu-me ao atual exame de próstata. Eu sei que ninguém gosta de fazê-lo, mas é necessário. Talvez, ocorresse o mesmo, naquela época com os epiléticos! Nana
Em 24/02/2006, às 12:33:36, AG disse:

Sempre que medicina e religião se misturam é um desastre; principalmente, claro, para o pobre do paciente.
O sacerdote estava pouco se lixando. Se o doente morresse era culpa do diabo.
Já disse o Luiz aí em cima: como sofriam os epiléticos daquele tempo.

Em 25/02/2006, às 02:27:13, .Fabiano. disse:
Aos interessados:
Como é carnaval, próxima semana o fotolog não será atualizado. Divirtam-se e nos vemos dia 06/03.
Em 25/02/2006, às 15:56:12, AG disse:

Pronto, o professor saiu da sala e o Luizinho Peste me acertou um caroço de azeitona preta.
Eita cara encapetado, sô.
Não é possível comentar este post. Limite de 1 comentários atingido.