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Reflexões de Uma Adolescente Que Nao Sabe o Que Quer

Postado por Letty em 03/08/2006 17:39

Uma crônica de trocadilhos
Por Michael Keep

Nessa sociedade multirracial, nós, gringos, nos comportamos como camaleões e passamos despercebidos. Até abrirmos à boca. E aí nossos sotaques, erros gramaticais e tropeços bilíngües criam situações tão constrangedoras que começamos a sentir saudades da pátria.
Para mim, essa saudade bateu poucos dias depois da minha chegada aqui. Tinha acabado de entrar num banco com uma amiga brasileira, levando cédulas misturadas para depositar. Para separá-las, decidi pedir ao caixa alguns elásticos e perguntei a minha amiga, em inglês, como dizer rubber band (elástico). Mas ela ouviu que eu estava perguntando como dizer rob a bank em português, e respondeu "roubar um banco". Então virei para o caixa e falei "quero roubar um banco". O caixa assustado fitou minhas mãos buscando uma prova mais ameaçadora. Felizmente, minha amiga se deu conta e intercedeu a tempo de evitar um desentendimento mais grave.
Esses tropeços bilíngües são normalmente só embaraçosos. Quando chamo um pequeno roedor de "cagamundo" ou uso um provérbio como "vou matar dois coelhos com uma caixa d'água só", os brasileiros se divertem, mas me sinto um "débito" mental.
Esse mal-estar me pegou, quando com alguns amigos num bar, vi uma moça faceira passando e, tentando me abrasileirar, falei "aquela tem borococho" em vez de "borogodo".
Sofri um constrangimento ainda maior quando disse ao chefe de uma agencia de noticias que me entrevistava para um emprego no Rio de Janeiro que eu era "bacalhau" (em vez de bacharel) em Zoologia. Minhas tentativas de elogiar minha mulher também saíram pela culatra quando, ao apresentá-la a alguns conhecidos, eu a chamei de "uma tesoura" (em vez de tesouro).
Depois de estar aqui ha 15 anos, o meu sotaque forte ainda causa equívocos. Quando ligo, por exemplo, para marcar uma entrevista, a secretária pergunta "quem quer falar?". Respondo "jornalista americano", e ela invariavelmente pergunta "João Luis quem?”.
Comodamente, coloco a culpa do meu sotaque na minha única professora de português uma americana que viveu em Portugal com uma família angolana.
Mas, honestamente, só posso culpar pelos graves erros idiomáticos o fato de, em algum ponto da minha temporada aqui, ter parado de melhorar meu português - me acomodei.
Vou sempre ser um gringo aqui. Só que agora, se não abrir minha boca, passo despercebido na praia, de sunga e sandálias de borracha, em vez de bermudoes, meias escuras - e boné.

"Sonhando com sotaque: confissões e desabafos de um gringo brasileiro" Michael Keep

Texto retirado da revista Seleções Reader's Digest



Comentários (7):

Em 3/08/2006, às 18:35:20, ♥☆kelly&maythê♥☆ | fotolog disse:
boa noite querida

bjinhossss
Em 3/08/2006, às 19:57:40, Douglas | fotolog disse:
Oi Le querida, tudo bem, vou ficar esperando então a HARLEY...manda msm que eeu posto ela logo...LINDO SEU POST DE HOJE..seu texto vou ler mais tarde com calma ok..bjinho
Doug
Em 4/08/2006, às 14:06:03, Douglas | fotolog disse:
TENHA UM ÓTIMO FINDE, MUITA PAZ
Doug
Em 4/08/2006, às 17:37:31, Clara disse:
Num fato desse como o narrado, acredito que a pessoa perda a identidade, já nem saiba mais a que país pertence, se é um "gringo abrasileirado" ou "um brasileiro agringado"
Boa crônica.
Bjs
www.fotolog.terra.com.br/pedacosdememorias
Em 5/08/2006, às 09:17:58, Gi - MT | fotolog disse:
Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente infeliz, dilacerada pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional.
(Agatha Christie)

beijos, tenha um ótimo final de semana
Gi Manteli
Em 5/08/2006, às 10:31:06, Didi | fotolog disse:
Assim como a semente traça a forma e o destino da árvore, os teus próprios desejos é que te configuram a vida."
didi
Em 5/08/2006, às 17:28:34, fernando | fotolog disse:
Oi,foto muito linda viu?Como a conseguil?Beijos e bom fim de semana!!!!
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