
Postado por Suzane Pontes em 30/10/2009 16:29
Itan
Oyá Onira...
Itan-"Existia nas terras de Irá, uma linda jovem chamada Òníra (senhora de Irá), ela sempre comandava seu povo com sabedoria, porém tinha um grande problema: Adorava lutar e se sentia bem em matar seus inimigos. Òníra era descontrolada quando tinha em punho sua adaga de guerra. Certo dia enlouqueceu, chegou a um vilarejo e matou todos que ali encontrou. Os sábios da cidade de Irá resolveram procurar Osàlá para que ele na condição de Rei mandasse Onira parar de matar.
Òníra recebeu o recado que Osàlá queria vê-la e foi até Ilè Ifé (palácio de Osàlá). Chegando lá Osàlá assustou-se, pois as roupas de Òníra eram vermelhas com o sangue de suas vítimas. Ela ajoelhou-se e perguntou o que o grande Rei queria. Osàlá mandou que trouxessem uma grande quantidade de Efun (seu pó branco sagrado). Pegou seu pó e jogou sobre Òníra. Na mesma hora suas vestes de cor vermelha, tornaram-se rosa, por causa da mistura do pó branco com o sangue. Ele ordenou que Òníra não matasse mais ninguém, que ela jamais vestisse vermelho em público e rosa seria sua cor, já que ela era uma moça tão quente, fosse morar nas águas doces junto a Òsún.
E lhe disse:
Òníra minha filha és uma moça tão bela, tão doce, por que matas?
- Sinto-me bem quando tiro a vida de alguém, mais sei que isso não é certo…
Foi então que Osàlá teve uma idéia:
- Já que você gosta de lidar com a vida e com a morte, você terá junto com Oya o domínio sobre os eguns. Não tirarás mais a vida de ninguém, apenas irá conduzir os que já se foram.
- Seu desejo é uma ordem, mais só não quero que tires minha adaga.
- Sim, mais agora vá morar nas águas doces com Òsún.
Onira obedeceu e foi morar com Òsún.
Chegando lá Òsún ria e debochava dela, mas resolveu ser sua amiga. Porém Onira muito mal humorada, não queria conversa. Até que um dia, com tédio, ela adormeceu sobre uma pedra, as águas subiram e ela estava morrendo afogada, Òsún vendo, mergulhou e foi salvá-la, chegando lá Òníra estava quase morta. Òsún fez um feitiço e na mesma hora Òníra reviveu e transformou-se em uma espécie de lava que correu rio a fora. Onira transformou-se em um rio de fogo. Òsún pensou que Onira havia morrido, chorou por horas sem saber o que diria a Osàlá, já que ele a incumbiu de tomar conta da moça atrevida. Foi então que surgiu uma linda Borboleta de cor salmão com tons alaranjados, que voava ao redor de Òsún. Ela tentou pegá-la, que voou para dentro da floresta, Òsún seguiu a Borboleta que parou em frente a uma árvore e tomou a forma da linda Òníra. Òsún não acreditava no que via, e ela lhe disse:
- Por que choras? Estou aqui viva, e graças a você!
- Graças a mim porque? Eu não fiz nada…
- Na hora em que eu estava morrendo você fez um feitiço e dividiu comigo todo o seu encanto. Agora sou uma NINFA (mulher encantada) assim como você; posso ser um RIO de FOGO nos meus momentos de ira, posso ser um BÚFALO quando eu quiser ficar sozinha e me transformo na mais bela BORBOLETA quando estiver feliz.
Òníra foi até Osàlá lhe contar o ocorrido, ele ficou feliz mais sabia que toda esta mudança jamais acalmaria Òníra, e que por dentro ela ainda seria aquela guerreira incansável. Mandou-a então morar com Oya e aprender o domínio sobre os Eguns. Depois Òníra Mudou-se e foi viver com Òsóosí, e como ela foi criada por caçadores, sabia caçar como ninguém. E Òníra morou com quase todos os Òrisás, aprendendo tudo que eles sabiam fazer.”
Comentários (3):
Em 1/11/2009, às 18:36:40,
Luiz Carlos D'Onira
disse:
NADA COMO O TEMPO
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!
Em 5/11/2009, às 20:18:18,
Marcello Montes
disse:
Linda, linda história de nossa mãe Onira. Eu me emocionei ao ler o texto e me surpreendi ao perceber que meu temperamento é muito parecido com Onira. Sempre me disseram que sou um vulcão quando nervoso, um doce na ternura (alguns já disseram, pejorativamente, que sou uma borboleta! Mal sabem eles que isto é verdade!) e nos meu momentos de instrospecção fico ruminando, pensando, de soslaio em tudo. Muito obrigado por ter-me oferecido essa história belíssima.
Em 23/11/2009, às 18:24:24,
claudia da silva
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disse:
muito bom saber desta historia,gostaria de saber q tipo de oferenda pode se oferecer a este tipo de entidade,e a minha paixão pela a nifa