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Saudades do Rio - Luiz Darcy

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Categoria: Adulto
Postado por SAUDADES DO RIO em 24/01/2008 06:23

REMO NA LAGOA - DÉCADA DE 60
.
Os primeiros dias eram os piores.

Acordar noite escura ainda, ali pelas cinco da manhã, e ir para a sede do Flamengo, na Lagoa.

Colocar o pesadíssimo "iole" na água, buscar o remo, ajustar o "finca-pé", experimentar o "carrinho", aprender a remar sem "enforcar", dar várias voltas pela lagoa, recolocar o barco na garagem após o treino.

Logo ficar com bolhas nas mãos e pensar em desistir.

Fazer a "preparação física": naquele tempo não havia especialistas e os exercícios eram conforme a "lua" de algum remador mais antigo.

Usualmente fazíamos 100 flexões, 200 abdominais, um sem número de "polichinelos" e, para arrematar, subir e descer as arquibancadas, já quase sem sentir as pernas.

Como "prêmio", uma gemada na garagem de barcos e sair correndo a tempo de assistir às aulas na faculdade.

Meses depois chegava o grande dia: na véspera da prova de estréia, nem conseguir dormir tamanha a tensão, levantar cedo no domingo e, pela primeira vez, vestir o "manto sagrado".

Colocar o barco na água, ouvir incentivos de toda a família, dos amigos e companheiros, olhar para os torcedores na arquibancada do Estádio de Remo, nem perceber bem tudo o que se passava.

Aquecer no caminho para a plataforma de largada, lá perto da Igreja de Santa Margarida Maria, mal ver a prova anterior, posicionar o barco, ouvir o tiro de partida.

Aí era só fazer força, remar e remar acompanhando o voga, ouvir o "patrão", pensar que fosse morrer, sentir a torcida no Estádio de Remo, cruzar a linha de chegada, olhar para os lados, confirmar a vitória e "botar os bofes para fora", tamanho o esforço.

A alegria de remar até o pódio, receber a medalha, tirar esta foto aí de cima e "dever cumprido"!

_______________________________________________________________________

Ao fundo, o novo entorno da Lagoa, no trecho entre o Caiçaras e o Flamengo.

A Favela da Guarda havia sido removida há pouco tempo, barracões dos trabalhadores responsáveis pela urbanização do local ainda ocupavam as margens da Lagoa, praticamente só casas no trecho inicial da Av. Epitácio Pessoa, no Jardim de Alá.



Comentários (36):

Em 24/01/2008, às 08:07:55, Rouen | fotolog disse:
E o Clube Monte Líbano na direita.
Luiz dá para me mandar em alta pois quero ver este prédio de perto, me parece estar diferente do atual.
Em 24/01/2008, às 08:22:52, Carlos Correia disse:
Me admiro da força de vontade dos remadores não profissionais que fazem todo esse sacrifício para praticar o esporte.
Morador de Ipanema via muito os barcos treinando na parte da lagoa perto deste bairro o que já não acontece hoje em dia quando só treinam no espaço da raia olímpica.
A fotografia parece um slide mofado mas vale como registro histórico.
Em 24/01/2008, às 08:58:41, Rafael Netto | fotolog disse:
O remo amador deve ser o esporte que mais exige de seus praticantes. Ninguém acorda de madrugada nem se arrebenta desse jeito pra jogar futebol ou vôlei, a não ser que seja profissional.
Em 24/01/2008, às 09:19:36, Nana | fotolog disse:
O tempo não volta, mas as lembranças estão sempre presentes.
E a saudade também...

Em 24/01/2008, às 09:28:35, JBAN disse:

Acordar de madrugada, "catar" o 157 no meio da São Clemente (o desgraçado simplesmente não parava) e aterrissar no Botafogo ainda meio dormindo. Depois de uma volta na Lagoa, ginástica e uma sessão de esporro do Gaúcho ou do Fio, que quase sempre era nosso patrão. Por isso gostava tanto do 4 sem. Na saída, uma passada no Posto Atlantic da curva do Calombo (atual Ipiranga) para uma Coca Litro devidamente "rachada" por três ou quatro.

Nos finais de semana, corrida saindo do Botafogo até a Mesa do Imperador. Quem chegava lá em cima, ganhava um café com leite e um sanduiche de queijo...

Apesar das bolhas e calos, haviam os "músculos" que vinham no pacote.

Em 24/01/2008, às 09:35:27, Rafael Netto | fotolog disse:
Pergunto aos distintos atletas: se o cara que não praticava esporte, resolvia fazer remo, como é que ele conseguia condicionamento físico pra essa batalha?

Corrida do Botafogo até a Mesa do Imperador? PQP, isso é difícil até de carro!!!!!
Em 24/01/2008, às 09:36:04, Rafael Netto | fotolog disse:
bem, se foi o JBAN que contou a história, acho prudente dividir por 5...
Em 24/01/2008, às 09:59:11, JBAN disse:

Rafinha,

Os nascidos antes da criação do mundo, em 1970, eram bem mais fortes que as versões mais recentes. É culpa da Bomba Atômica.

Hoje em dia o pessoal faz a corrida usando o Google Earth e ficam cansados só de ver o trajeto.

Em 24/01/2008, às 10:15:00, MMBOUHID | fotolog disse:
Esse trecho da margem que aparece no canto direito é de pedra ou aquilo é barro?
Em 24/01/2008, às 10:22:58, Andre Decourt | página pessoal disse:
Vai ter gente dizendo que essa foto merece um fotoshope....

Alto lá, nasci depois de 70 e subia quase todo o fim de semana a D. Castorina de bicicleta, as vezes a volta emendava ate a Mesa do Imperador e nas outras descíamos Gávea Pequena e Canoas para voltarmos pela Niemeyer e orla do Leblon e Ipanema.


Em 24/01/2008, às 10:25:25, JBAN disse:

Bicicleta ou Velosolex ? Isso é doping !!

Haja freio.

Em 24/01/2008, às 10:27:20, Observador Geológico disse:

Este trecho da margem era em granito ju-paraná, colocado a pedidos da turma do remo do Framengo, que achava um Hoooorrrrrooooorrrrr por as sapatilhas de balé (eles remavam de sapatilhas de balé) na terra suja.. Ui !

Em 24/01/2008, às 10:50:22, Derani | fotolog disse:
Haja força de vontade pra fazer um negócio desses... isso, perto da natação que eu fazia as 6 da manhã no inverno em piscina sem aquecimento, que já achava um sacrifício, é sem dúvida muito pior.

Em 24/01/2008, às 10:58:08, Giramundo disse:
Luiz, o seu texto me toca bastante, pois apesar de nunca ter remado, a minha filha tinha bolsa por fazer parte da equipe de remos da universidade, na Califórnia.
Assisti vários treinos e competições e ouví muitos relatos do sacrifício e do prazer que era.
Em 24/01/2008, às 11:14:06, Conde di Lido | fotolog disse:
.
Luiz,

O seu texto é brilhante até o penúltimo parágrafo quando a verdade começa a falsear.

Vocês, nesta época, só faziam tomar chocolate da gente. Sempre!

QUE SE RESTABELEÇA A VERDADE!
Em 24/01/2008, às 11:37:31, MENDES | fotolog disse:
Essa fotografia esta com sarampo.
Em 24/01/2008, às 11:51:54, Ze Rodrigo disse:

Pronto, lá vem o André com seus delírios...

"...subia quase todo o fim de semana a D. Castorina de bicicleta, as vezes a volta emendava ate a Mesa do Imperador e nas outras descíamos Gávea Pequena e Canoas para voltarmos pela Niemeyer e orla do Leblon e Ipanema"

Esse povo do Bairro Peixoto tem uma imaginação fertilíssima!

:-))))
Em 24/01/2008, às 12:19:11, Chauffer Blasé disse:
Adorei passar na poça de lama e sujar a lente da câmera do fotógrafo.
Faço isso sempre.
Esporte mais gratificante que o remo.
Em 24/01/2008, às 12:29:38, Tumminelli | fotolog disse:

"100 flexões, 200 abdominais, um sem número de "polichinelos" e, para arrematar, subir e descer as arquibancadas, já quase sem sentir as pernas. "

Não obrigado...

:-)))

Em 24/01/2008, às 13:36:41, Luiz D´ | página pessoal disse:

Meu caro Conde,

o "site" da Federação de Remo do Rio de Janeiro não registra nenhum título do Botafogo, neste esporte, no período entre 1965 e 1975.
Em 24/01/2008, às 15:42:09, Richard disse:
Luiz, só pratiquei nos dias piores. Os dois primeiros. Nos outros, fiquei em casa dormindo.
JBAN, também fiz diversas corridas até a Mesa do Imperador. A largada era no "Postinho".

:)
Em 24/01/2008, às 15:56:50, JBAN disse:

Alguém em sã consciência pode acreditar que o Conde remava ? No máximo entrava no barco e cochilava com o remo na mão...

Dizem que o Jô também remava na época. Eram companheiros no Dois-Sem-Vergonha.

Em 24/01/2008, às 16:04:09, FlavioM | página pessoal disse:

Ô Conde. Não sou Flamengo (nem de longe), mas, na época do técnico Buck, ficou muito difícil para os outros...

Luiz, naquela preparação inicial, "bom" mesmo era quando alguma "anta" balançava o barco na hora de embarcar e molhava a ponta errada do remo... Aí dava bolha até de luva de box.

Gostava demais dos ioles. Remei pela PUC, que, junto com a Escola Naval, tinha os últimos ioles do RJ. Os clubes descartaram todos quando inventaram as piscinas de remo. O aprendizado no iole era muito melhor e mais realista, e demoraram a perceber isso. A piscina só dá força, não dá ritmo. Uma "enforcada" na piscina não vira o barco, nem quebra o queixo.
Em 24/01/2008, às 16:19:43, JBAN disse:

Tinha coisa mais engraçada do que quando algum mané "enforcava o remo no meio de um "tiro" e quase era jogado para fora do barco ?

Tinha coisa mais irritante do que pegar alguém "morcegando" no Oito-Com ?

Em 24/01/2008, às 17:01:16, Curioso Saudoso disse:

Onde anda o AG ?
Por onde se meteu o Mauro_AZ ?
E o Wagner ?
Alguém sabe do Zsolt ?
E o Frei Boaventura ?
E Finólia Piaberelina onde anda ?
E o Prof. Pintáfona ?

hein? hein? hein ?

Em 24/01/2008, às 17:37:07, JBN disse:
No meu tempo de Internacional de Regatas, início da década de 50,a praga no oito-com era a dos "chupa-sangue". Quando se pagava um, o pau comia.
Em 24/01/2008, às 18:53:10, Rafael Netto | fotolog disse:
JBAN tá pegando no meu pé com esse negócio de 1970...

Eu também já tive meus tempos de "atleta", há 10 anos eu subia o Sumaré e descia pela Barra, Joá e Niemeyer, ou pela Mesa do Imperador. Mas subir a D.Castorina, no sentido inverso, é tarefa hercúlea.
Em 24/01/2008, às 18:54:44, Rafael Netto | fotolog disse:
Quanto ao condicionamento físico, não me admiro que os já atletas conseguissem se submeter a esse treinamento. O problema é para os não-atletas. Como se fazia para começar? Não se pode botar o cara logo pra fazer essas centenas de flexões e correr Vista Chinesa acima, sem um treinamento prévio.
Em 24/01/2008, às 19:09:54, JBAN disse:

Rafito, de táxi não vale...

A turma pré-1970 já nascia forte e cheia de disposição. O treinamentro era dar a voltra na Lagoa puxando o Bode Velho. Depois de 1970 passou para um Fusca. Depois de 1980 O Fusca é que levava o atleta.

Em 24/01/2008, às 19:27:47, Luiz D´ | página pessoal disse:

Rafael,
por incrível que pareça era assim mesmo.
A "preparação física" era igual para qualquer um que se apresentasse como candidato a remar.
A maioria ficava pelo caminho e desistia, como o Richard contou aí em cima.


Em 24/01/2008, às 19:31:37, JBAN disse:

E ficava com fama de mulherzinha ou maricas... sem ofensas.

Em 24/01/2008, às 20:57:40, Giramundo | fotolog disse:
Alô "Curioso Saudoso" .
Já conferiu o perfil do Giramundo ?

ZN

Em 24/01/2008, às 21:23:58, Richard disse:
Ou então, JBAN, dormia bastante para passar as noites com as garotas. A propósito, fui um bom atleta. E, claro que não fiquei ofendido.
Em 24/01/2008, às 22:28:27, JBAN disse:

Salve Richard ! Aqui não se perde a piada !

JBN foi remador do Internacional, como ele conta aí em cima. Me lembro que na garagem dos barcos havia umabela frota de Ioles. O Botafogo teve uma até há pouco tempo.

Em 24/01/2008, às 23:22:29, Richard disse:
Iole, para mim, era o nome de uma garota, minha amiga, que hoje é uma escultora de responsa. Yole Freitas. Alguem por aí deve ao menos ter ouvido falar.
Em 5/10/2008, às 09:50:12, JAIME EDMUNDO DOLCE | e-mail disse:
meu pai,fazia parte da equipe de remo do botafogo.
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