Comentários (35):
Em 26/10/2009, às 07:01:56,
Menezes
disse:
Bom dia.
Tipo de casa daquela época e que ainda podia-se reunir toda uma familia.
O texto acima nos faz conduzir a este ambiente. Este pé de Bouganvile também faz a composição da fachada dando o ar de cidadezinha do interior.
Estou verificando que os muros e portas são baixos dando a impressão que ainda não havia o "perigo" rondando a não ser a entrada de algum cachorro vira lata desavisado.
Bela foto.
Em 26/10/2009, às 07:38:43,
Plinio
disse:
Uma bela maneira de começar a semana aqui no Saudades do Rio, lembrando um Rio de Janeiro que não volta mais. Uma casa muito simpática,numa rua tranquila, com muros baixos, portão aberto e uma linda árvore na frente.
Sou vizinho pois moro na esquina da Saturnino de Brito e lamentavelmente as casas foram substituídas por prédios todos com grades nas portas.
O texto do Fernando Martins é o magnífico retrato das famílias de classe média da década de 50.
Ele deve ter tido uma infância como já não existe hoje em dia com os avisos, regulamentos e vantagens daquela época.
Tomara que ele tenha outras fotografias como essa para compartir conosco.
Em 26/10/2009, às 07:59:51,
Alcyone
disse:
Bom dia Dr.Luiz e Menezes.
Belíssima casa, situada em uma ainda tranquila, L.de Paula Machado.
Muito bem observado pelo Menezes, os muros baixos e aquela sensação de liberdade que hoje não mais existe. O texto é muito bom , muito engraçado e é uma ótima apresentação da família que alí morava.
Em 26/10/2009, às 08:02:08,
Alcyone
disse:
Bom dia Plinio. Você ainda não tinha comentado enquanto escrevia o meu.
Em 26/10/2009, às 08:02:48,
RENATO
disse:
Casa!
Me parece a tradução mais completa de propriedade e de liberdade.
Morar em prédios, sempre me faz lembrar que apesar de estar na minha casa, devo por exemplo pisar de leve para não incomodar o vizinho de baixo e espero o mesmo daquele que mora sobre o meu imóvel. As regras, que ao meu ver são totalmente necessárias, por vezes me remetem a um quartel.
Saudades da casa da minha família na minha infância. Tinhamos um quintal de terra, onde eu podia brincar com os carrinhos, o posto de gasolina, os aviãozinhos e helicópteros de lata, com meu FNM vermelho de madeira e rodinhas de borracha! e com a mão na terra, construía estradas, ruas, túneis e pontes, cavando a terra, e usando chapas de metal para os viadutos. Tinha algumas árvores frutíferas de pequeno porte: um pé de abiu, um de figo, um de fruta do conde, além do jardim com antúrios, margaridas brancas e roseiras. O entorno desse jardim era cercado por gervão roxo. Chegava ao fim do dia todo sujo de terra, até no cabelo, ía direto pro tanque na área de serviço e era esfregado com vontade com uma bucha, detalhe água fria, mesmo inverno! para tirar a "caraca". Depois devidamente seco, agasalhado, tomava a sopa quente de entrada e depois era servido o jantar, e o doce de abóra com coco e queijo branco de sobremesa. Antes de dormir o clássico copo de leite quente bem docinho com gotas de baunilha. É como uma ponta dilacerante no coração que estas memórias retornam, cada um tem a sua. O tempo deveria parar na nossa infância.
Em 26/10/2009, às 08:07:19,
JBAN
disse:
O texto é magnifíco. Me identifiquei com vários dos itens e partes do regulamento. Acrescento um, que era rigorosamente fiscalizada por JBN e MLMAN:
- Albuns de figurinhas são terminantemente proibidos. As tentativas de burlar essa regra tinham conseqüências drásticas, com confisco e destruição do material apreendido.
O tema me remeteu a nossa casa em Itaipava, comprada ainda em construção, em 1963. Não sei como ele conseguiu essa façanha. 29 anos, bancário, 4 filhos (o quinto viria no ano seguinte). Uma casa pequena e simples, que foi recebendo melhoramentos ao longos de todos esses anos. Agora passa por uma pintura geral e recuperação de telhado, pátio entre outras coisas.
Sempre moramos em apartamento, mas tínhamos a nossa casa e todo o espaço do mundo no loteamento para nos acabarmos de brincar nos finais de semana e principalmente nas férias de verão que passávamos lá na serra, enquanto JBN passava a semana no Rio e subia nos finais de semana. O lugar era tão vazio e silencioso que escutávamos e reconhecíamos o motor do carro chegando pela estrada lá embaixo e depois subindo pela rua de acesso do loteamento até a casa.
Depois veio a fase dos finais de semana com amigos e os muitos churrascos. Depois subir com os filhos pequenos e botar a criançada para aproveitar o gramado e a piscina. Hoje em dia subo para descansar da semana no Rio.
A casa também tem a função de abrigar todos os objetos e utensílios vindos de várias partes da família em várias épocas. A concentração de objetos "históricos" é incrível, como a faca do peixe do meu avô. o liquidificador marca Sears e a geladeira Frigidaire lá de casa, um cinzeiro da Varig, uma bandeja de borboleta (tema de um próximo fundo do baú), as nossas camas de solteiro. Todas as vezes que subo a serra e passo um final de semana por lá é como se revivesse e continuasse a viver toda essa história. Meus irmãos não são tão apegados,mas eu sou assim. Fazer o que ?
Em 26/10/2009, às 08:24:35,
Menezes
disse:
Alcyone, bom dia.
RENATO, belo e magnífico o seu texto. Irretocável, não tendo nada a acrescentar nas tuas doces lembranças de infância que é a base de tudo ou quase tudo para nossa vida adulta. Temos sonhos, mas ainda bem que você colocou a realidade ao final, quando tinha que tomar teu banho, a sopa, teu jantar, o leite com baunilha...
Não lamente este tempo que passou. Diga sim que "ainda bem que vivi isto" ou melhor vivemos pois também lá no meu Ceará no quintal da casa vivia estes momentos maravilhosos. Ainda bem que vivi...
Em 26/10/2009, às 08:37:15,
Andre Decourt
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página pessoal
disse:
O estilo de casa lembra muito a dos Bloch na Rua 5 de Julho, e de outra no mesmo estilo que existia do seu lado. Revestimento em pó de pedra, varanda coberta junto as salas e terraço nos quartos principais. A entrada normal, do dia a dia, deveria ser lateral acessando perto da escada e do vestíbulo de comunicação do primeiro andar.
É curioso as lembranças do Jibam, nos tempos da casa de meus avós no ainda vazio alto do Ingá, o silêncio também era tão grande que dava para conhecer os carros da família,subindo pela rua de trás para depois acessar nossa rua. Hoje aquele pedaço está praticamente igual ao resto do bairro, cheio de casas.
Em 26/10/2009, às 08:43:06,
RENATO
disse:
Menezes,
Vivi sim cada etapa da infância como deve ser vivida. Dentro dos limites do muro de casa até os 7 anos, e já maiorzinho nas brincadeiras com os colegas de rua, bola, pique, bolinhas de gude etc.. sem os medos urbanos nos idos anos 60.
E nada mais me remota aquele tempo do que os aromas e sabores emanados da cozinha. O feijão recém temperado, o alho queimando para cozinhar o arroz, o bife de panela com batatas. O cozido a portuguesa ou a bacalhoada dos domingos, família portuguesa com certeza.
Essas lembranças se apertam a cada dia. Daqui a 11 dias completarei meio século de vida. Era tão distante e agora tão próximo. Confesso que me causa certa inquietude esse número; 5.0 mas é apenas um número. Hoje em dia chega-se a maturidade bem mais "conservado" do que se chegava na época dos meus pais e nesse quesito estou muito bem mesmo inclusive a máquina interna tá tinindo!
Já foi passou!
Em 26/10/2009, às 09:02:20,
Menezes
disse:
RENATO, o corpo amadurece, fica velho, entra em falência tudo isso acontece, mas nossa memória permanece firme e forte até o ato final.
Somos capazes de lembrar coisas de nossa tenra idade mas não somos capazes de "fazer" coisas de algumas décadas atrás.
Não fique inquieto com os 5.0. Eu já estou nos 6.3 com um filho de 8 anos ai para me dar o maior gaz. Precisamos isto sim de projetos de vida, mesmo que sejam aos 8.0. Isso é essencial senão até nos 4.0 sentimos o peso dos anos.
Papai com 8.6 lá no Ceará, casou-se de novo depois de ficar viúvo a 3 anos. Tá de vento em popa e ontem disse-me pelo telefone que fez a revisão anual sem precisar trocar o óleo. Fala sempre que eu, o filho primogênito, não consegue acompanha-lo em uma corrida. É verdade mesmo...
Em 26/10/2009, às 09:04:06,
Lavra
disse:
Morar nessa rua, era excelente para quem apreciasse o esporte da Sinuca. Havia nessa rua um enorme galpão onde meninos desenvolviam as sua habilidade nessa área.
Em 26/10/2009, às 09:27:29,
Pgomes
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página pessoal
disse:
Sempre tive o prazer e a sorte de morar em casas, inclusive hoje em dia. Apesar de nascer no Rio, sempre morei em SP. Cresci e me desenvolvi por aqui, mas é do Rio e da casa de meus avós é que vem algumas lembranças mais marcantes. Acho que a expectativa de passar férias/feriados na casa deles contribuiu para issso. Nada como ficar um tempo na casa de avós, que mesmo sendo rigorosos em alguns aspectos, como diz o texto inicial, sempre tem aquela tolerância que meu pai não teve. Sabia que tinha de voltar a SP, mas sabia que em breve voltaria na próxima oprtunidade e esperar por isso também era gostoso. E era por ali também, na Rua Nascimento Silva, 74 e lembro até o tel (226.6711) e hoje tem um edifício onde um dia foi a casa. Uma pena, ainda bem que tenho fotos desta casa. Também passou, o que ficou é a lembrança.
Quantas reações uma fotografia provoca, não é mesmo?
Em 26/10/2009, às 09:32:02,
BELLETTI
disse:
Excelentes.Foto e texto.
Em 26/10/2009, às 09:50:46,
Paulo Borchert
disse:
Pela qualidade não só do texto mas dos comentários, vou ter que me esforçar mais nas minhas crônicas, pois a concorrência tá boa !!
Em 26/10/2009, às 09:54:02,
JBAN
disse:
Pedro,
Nascimento Silva, 74 é aqui perto. Quase esquina de Farme de Amoedo, em Ipanema. Vou passar por lá e tirar uma foto do prédio.
O prefixo do telefone não seria 227 ?
Menezes,
Esse povo do Nordeste é díficil de acompanhar. Mistura de português, indio, negro e um pouco de holandês e francês, criado na macaxeira com manteiga de garrafa, carne de sol, peixe e camarão, ainda por cima curtido de sol. É covardia !
Cheguei aos 5.0 este ano. Como diria o sujeito que se jogou do quadragésimo andar de um edifício, ao passar pelo vigésimo: "Até aqui, está tudo bem !".
Em 26/10/2009, às 10:01:09,
NALU
disse:
As lembranças de RENATO trouxeram também as minhas. É impressionante a memória olfativa/afetiva! Lembrei das árvores, do jardim, enfim, nasci e cresci na casa dos meus avós maternos, com direito a quintal, brincadeiras e regulamentos.
Quanto à foto, lembrei dos cavalinhos que passeavam por ali tranqüilamente.
Em 26/10/2009, às 10:09:09,
Alcyone
disse:
Renato, com 50 você ainda é um menino.
Tem muito chão pela frente! Poderia ser sua mãe e ainda me sinto com 15 anos de idade. Ao corpo, é verdade, já falta obediência à cabeça mas vou tentando levar. Acho que o importante é a alegria de viver. Ter sempre a perspectiva de algo novo no horizonte e tentar tirar de letra os problemas que estão aí no nosso dia a dia.
E Menezes, é isso aí meu amigo! Garanto que você não aparenta os 63. Tem muito coisa ainda por vir.Beijos no VH.
E eu que tinha jurado que não diria a minha idade, me entreguei.
Em 26/10/2009, às 10:33:53,
Ciro
disse:
Texto e foto sensacionais e uma amizade de mais de 50 anos - isto é um privilegio.
Em 26/10/2009, às 10:42:08,
Derani
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fotolog
disse:
O texto é um verdadeiro Tratado Imobiliário!
Uma mistura de texto de classificados com aquelas regras que ficam atrás da porta dos quartos dos hotéis e que ninguém lê!
As casas, mais que os apartamentos, sempre reunem muitas recordações a todos participantes das famílias (e agregados).
Em 26/10/2009, às 10:47:01,
Ana
disse:
Maravilhoso o texto do Fernando, que traz a todos boas lembranças. Também tive o prazer de passar minha infância numa casa. Brincávamos, eu e meus irmãos, no quintal e na rua. A casa, de muros baixos, passava o dia inteiro com as portas destrancadas. Eram os anos 60. Tenho saudades da tranquilidade daquela época.
Em 26/10/2009, às 12:10:09,
Derani
disse:
Agora que parei e tive tempo de ler todos os comentários, achei realmente sensacionais e concordo plenamente, principalmente com a Alcyone de que o que faz a pessoa viver bastante, e bem, na verdade é a alegria de viver.
Não é o medo de colesterol nem comer alface com pepino e beber só água mineral ou outras pajelanças do tipo.
E, como dizia Nelson Rodrigues, "o Homem só gosta daquilo que comeu na infância".
Serve pra comida e para construir o que cada um é hoje em dia.
Em 26/10/2009, às 13:34:51,
Maria Inês
disse:
Adorei a fotografia desta casa com a linda árvore na frente. Uma rua super-tranquila. O texto mostra toda a saudade dos tempos de infância e juventude. E como é bonita uma amizade de mais de 50 anos.
Em 26/10/2009, às 14:01:28,
Beatrice Portinari
disse:
Não tenho quase nada a acrescentar. A amizade de mais de 50 anos, a casa, o texto primoroso, os comentários... As recordações do Fernando Luiz Martins são semelhantes as minhas, porque eu morava perto. Além de tudo as vantagens e os regulamentos eram os mesmos.
Meus parabéns a Dom Luiz D' e ao Fernando Luiz Martins.
Obs.: Sou quase vizinha do Plínio, pois a passagem pela Rua Saturnino de Brito é obrigatória para que eu chegue até minha casa.
Em 26/10/2009, às 14:39:53,
Miguel
disse:
Mulher morre baleada e bebê
é ferida no colo.
Em 26/10/2009, às 15:23:23,
Richard
disse:
Gostei da relação de direitos e obrigações
dos moradores.
Na minha casa também tinha um (não escrito, claro) que tentávamos seguir, o que era fácil porque as "regras" eram feitas naturalmente.
Em 26/10/2009, às 16:03:10,
Cacique Touro Sentado
disse:
Na minha casa só tinham duas regras:
1- Todo mundo tinha que ficar sentado
2- Quem ficasse em pé não era da família
Ráu !
Em 26/10/2009, às 16:55:52,
Sara
disse:
É pelo tamanho dos muros das casas que medimos a tranquilidade das cidades, dos bairros... Até eu pulava esse murinho, que saudade! A gente agora tem medo até de abrir a garagem para entrar com o carro. Parece uma doença que se abateu na cidade do Rio, chegou e não tem cura. A população parece outra,parecem refugiados, sei lá.
Em 26/10/2009, às 17:31:14,
Menezes
disse:
Detalhes da foto.
Perguntas:
1 - A rua não era revestida em paralelepípedos?
2 - Poste em madeira?
3 - A visão ao fundo poderia ser o maciço do Corcovado?
Em 26/10/2009, às 18:47:39,
Observador de Comentários
disse:
1) A rua não me parece ser de paralelepípedos.
2) O poste não me parece ser de madeira
3) Ao fundo é o morro do Corcovado.
Em 26/10/2009, às 19:32:53,
Pgomes
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página pessoal
disse:
Desculpem, principalmente ao JBAN, a Rua é Nascimento Bitencourt, 74 e por isso o prefixo 226. Na Nascimento Silva moravam duas amigas da adolescência, por isso a confusão.
Vou colocar uma foto da casa, construída nos anos 40 e que tivemos que vender em 1978, ano que meu avô se foi.
Em 26/10/2009, às 20:00:39,
JBAN
disse:
Pedro, agora faz sentido. 226 era o prefixo que atendia Botafogo, Humaitá e Jardim Botânico. Uma das últimas centrais a passar para o sistema digital. Tive um telefone 226 na década de 80 e era impossível ligar para Niterói. Só com sinal de fumaça no topo do prédio.
Em 26/10/2009, às 22:35:49,
Paulo Borchert
disse:
Este blog de hoje, foi dos melhores : mistura de fundo do baú, "sou do tempo..." arquitetura, etc...
Por falar em "sou do tempo" : eu sou do tempo que o prefixo de Ipanema era 27, ainda me lembro do meu telefone de criança na decada de 60: 274215...
Em 27/10/2009, às 00:22:02,
Richard
disse:
Paulo, tive uma tia cujo telefone era 274315. Deve ter havido ligações erradas para os dois várias vezes.
Em 27/10/2009, às 11:58:43,
Carlos Paiva
disse:
Estava pensando na casa da 5 de julho quando li o comentário do André.É um estilo Art Decô misturado com o Marajoara(?).
Hoje essa rua sofre com intenso movimento de carros.Quem segue para a Alexandre Ferreira ou Lopes Quintas que o diga.
Em 30/10/2009, às 00:39:51,
João Carlos
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página pessoal
disse:
Fotos como esta estão me deixando viciado em blogs sobre o Rio de Janeiro. Tão perto de casa mas tão longe no tempo.