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Mapas Antigos

Fatos pouco conhecidos ou deturpados em nossa História, ilustrados por mapas antigos. Atualizado quando tenho tempo, ou seja, raramente. Seja bem-vindo!

Categoria: Ciência e História
Postado por Serqueira em 20/03/2007 15:36

DEITADO ETERNAMENTE (parte 3 de 4)
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(Mapa das Capitanias Hereditárias, Luiz Teixeira, ano 1574)

Nos planos da monarquia portuguesa, o Brasil precisava de "colonos e cultivadores" e não de "artistas e fabricantes". Por isso, era permitida somente a atividade agropastoril. As pequenas tecelagens e até as poucas fabriquetas de artigos como cordas, pentes e botões foram fechadas.

SEQÜESTRO DAS LETRAS

Em 1747, um dos mais importantes impressores de Lisboa, Antonio Izidoro Fonseca, arriscou-se a instalar uma gráfica no Rio de Janeiro, e com apenas três obras editadas foi obrigado a fechar o estabelecimento; a ordem régia assinada em maio do mesmo ano determinou "o seqüestro de todas as letras de imprensa" e proibiu a "impressão de livro ou papel avulso, sob pena de as pessoas envolvidas serem presas e enviadas para Lisboa". A única fonte de informação na colônia eram os livros importados de Portugal, mesmo assim, submetidos à severa censura da monarquia e da Igreja.

Creio que a descrição acima é suficiente para dar uma idéia de como ainda estávamos isolados havia quase 300 anos do Descobrimento. Mas é necessário falar também da Lei Extravagante, de 1749, que terminou ficando conhecida como "Pragmática" e proibiu o luxo dos adornos em vestuários, carruagens, móveis e caixões de defuntos e restringia o uso de espadas, entre outras coisas. A Pragmática determinava que as roupas não poderiam ter "enfeites, bordados, telas, brocados, tissus, galacés, fitas, galões, passamanes, franjas, cordões, espiguilhas, debruns ou qualquer detalhe de prata ou ouro fino ou falso". Até as cerimônias fúnebres tiveram regulados os tipos de madeira dos caixões e o número de velas ou castiçais.

BRASIL MEDIEVAL

As cidades não podiam ter ostentação e sua arquitetura devia ser despojada e simples, exigência que influenciou a aparência urbana brasileira e lhe conferiu características quase rústicas - o que mais tarde, no século 20, ensejou a reconstrução de algumas capitais em rebuscado estilo parisiense, como o Rio de Janeiro na Reforma Passos. Membros da corte e religiosos ficaram imunes à lei Pragmática, naturalmente.

Um país isolado do mundo, sem educação, privado de informação, impedido de evoluir social, científica e tecnologicamente. Cidades onde as mulheres só podiam sair de casa aos domingos, acompanhadas pelos parentes, para ir à missa. Enquanto o Brasil prostrava-se perante a tirania medieval portuguesa, em 1786, por exemplo, na América do Norte brilhavam personalidades como Benjamim Franklin e Thomas Jefferson; e se aqui o povo ainda engatinhava na leitura de folhinhas de reza e livros de Santa Bárbara (best-seller da época), nos EUA era elaborada a Constituição Americana. Percebe a diferença?

(segue)

Celso Serqueira
Mapas Antigos & Histórias Curiosas
www.serqueira.com.br



Comentários (12):

Em 20/03/2007, às 15:59:38, derani | fotolog disse:
E o Brasil seguia na Idade Média, em pleno Renascimento.
Só podia dar no que deu...
Em 20/03/2007, às 16:11:41, derani | fotolog disse:
Engraçado, na prática essas faixas das Capitanias permanecem até hoje.
É só mudar os nomes dos donos...
Em 20/03/2007, às 16:51:45, EDUARDO BERTONI | fotolog disse:
.
O "seqüestro" deve ter contribuído para a falta de interesse dos brasileiros pelos livros, vide o número de livrarias existente no país. Nem precisa comparar com Paris ou Nove Iorque. Basta comparar com Buenos Aires que deve ter mais livrarias do que o Brasil todo.
Em 20/03/2007, às 17:02:46, JBAN | fotolog disse:
O problema não foi só o que aconteceu, mas o que continua acontecendo. Os donatários mudam, mas a política de manter o povo na ignorância é a mesma. Até o fato de termos um presidente ignorante contribui para o plano perverso dos donatários.

A tradição de leis ridículas continua até hoje. Nossa constituição é uma colcha de retalhos e existem leis que pegam ou não pegam.

Repito a pergunta que fiz há dois posts:

E o clima ? Não tem influência ? Qual o é o país desenvolvido dentro dos trópicos ? Por todos os países desenvolvidos estão fora deles. Na Africa, a Africa do Sul está lá na pontinha... e é de longe o país mais desenvolvido do continente.... Por que nada vai para frente nos trópicos. Até no Brasil os Estados ao sul do trópico de capricórnio são mais desenvolvidos....

Os povos de clima quente são mais indolentes ?

Foi tão somente a colonização ou houve outros fatores como o clima e a religião ?

Em 20/03/2007, às 17:12:59, derani | fotolog disse:
JBAN,
Sobre o clima, em minha modesta opinião ele é mais um estimulante do que um condicionante.
Onde normalmente há inverno, existia só uma safra e um período, o de inverno, completamente improdutivo o que obrigava povos à planejar com antecedência a colheita e conservação dos alimentos para se preparar para o duro inverno quando nada dava.
Sem dúvida, ajuda muito a organização da sociedade, mas não obriga à prosperidade e civilização.
Como exemplo temos algumas regiões da China, Oriente e mesmo do Oriente Médio onde existem invernos rigorosos e mesmo assim sofrem dos mesmos males de formação que nós, os tropicais.
Em 20/03/2007, às 17:23:19, EDUARDO BERTONI | fotolog disse:
.
Por outro lado temos a Austrália que, em determinados meses faz um calor senegalês e está anos na nossa frente.

Sem dúvida a luta contra o frio forçou as pessoas a pensar mais do que as que não tinham problemas de temperatura.
Veja a diferença entre o nosso índio e o índio americano. O nosso tinha tudo à mão . O americano precisou desenvolver vestuário, abrigos, conservação de alimentos etc...
Em 20/03/2007, às 17:42:02, Serqueira | fotolog disse:

Minha opinião é de que o principal fator do subdesenvolvimento do Brasil foi a decisão dos portugueses em nos manter como míseros provedores de matéria-prima e bloquear o nosso desenvolvimento por quase 400 anos.

E pra piorar, como o AG comentou ontem, quando a civilização finalmente chegou, com a vinda da Corte em 1808, foi uma cultura tacanha, medíocre, corrupta como é a "corte" atual.

JBAN, repito a resposta que lhe dei dois posts atrás: "clima por clima, os EUA, Portugal, Espanha, Itália, etc têm parte des seus territórios em zonas bem quentinhas".

Sobre religião, uma pista interessante é o fato de os países mais atrasados geralmente terem praticado o catolicismo e, conseqüentemente, o sistema feudal; as mais adiantadas eram protestantes e voltavam-se para o mercantilismo.
Em 20/03/2007, às 18:24:06, JBAN | fotolog disse:
Dr. Celsão,

Minha pergunta foi apenas para fomentar a discussão. Na verdade não defendo esta tese.

Em 20/03/2007, às 19:14:23, Serqueira | fotolog disse:
JBAN, eu entendi e por isso estou comentando, uai! Repeti a resposta porque achei que você não a tinha lido antes. Mas a questão da indolência pelo clima é verdadeira: no Centro-Oeste e parte do Norte, por exemplo, fora do ar condicionado é quase impossível qualquer atividade física após meio-dia. A sesta ainda é bastante popular nestas bandas.
Em 20/03/2007, às 20:18:58, CONVIDADO | fotolog disse:
Mauro_AZ diz:

Suspeito que nas arvores genealogicas da maioria dos grandes "donos do pedaco" atuais se encontrem a maioria dos donatarios das Capitanias Hereditarias. Continuaram hereditarias ate' hoje, nao de direito, mas de fato.
Em 20/03/2007, às 22:40:32, Luiz D´ | fotolog disse:

E o "nosso" Sir Ney que propõe a divisão do Maranhão para manter seu feudo?
Em 20/03/2007, às 23:54:45, Rafael Netto | fotolog disse:
Sobre a questão climática o Derani tirou metade das palavras da minha boca...

Seria interessante traçar um paralelo da "involução" do Brasil colonial com o restante da América Latina, em especial da Argentina, que como o Brasil (e mais até), foi invadida pelos brancos - os demais países, salvo engano, têm população predominantemente ou com forte presença indígena ou negra.

De qualquer forma, isso que os portugueses fizeram com o Brasil é pinto perto do que os europeus fizeram e ainda fazem com a África, maquiavelicamente estruturada para viver em guerra e não se desenvolver.
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