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Mapas Antigos

Fatos pouco conhecidos ou deturpados em nossa História, ilustrados por mapas antigos. Atualizado quando tenho tempo, ou seja, raramente. Seja bem-vindo!

Categoria: Ciência e História
Postado por Serqueira em 04/09/2007 09:59

DESCONSTRUINDO O RIO (parte 3/3)
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Mapa: Plan de La Ville de Rio de Janeiro avec le tracé des travaux projetés par le prefét Dr. F. P. Passos et par le gouvernement Fédéral - Bilac, Passos & Bandeira, 1904

BILAC, UM AMIGÃO

Consta que entre outras "qualidades", Pereira Passos era boêmio, mulherengo, grosso, autoritário. Mas era leal aos seus companheiros e gostava de articular profissionalmente com eles. Era um sujeito que protegia a sua patota.

O jornalista e poeta Olavo Bilac, por exemplo, seu dileto amigo, participava de vários empreendimentos oficiais como consultor de qualquer coisa ou de quase tudo. Por exemplo, foi um dos "idealizadores" do Theatro Municipal e, anos depois, o orador oficial na noite da inauguração.

Na ânsia de sentir-se poderoso e de beneficiar seus parceiros, engenheiro Passos freqüentemente extrapolava o exercício da prefeitura e tomava atribuições de presidente do País. Um dos episódios mais grotescos que demonstram a sua interferência indevida na esfera federal foi quando encomendou ao seu camarada Bilac a letra do Hino à Bandeira... Nacional.

Noutra oportunidade, sabe-se lá com qual fantástica justificativa técnica, contratou ao poeta um serviço de cartógrafo: nada mais nada menos que o mapinha que mostramos ali em cima, apresentado num catálogo com o título "Guide des Etats-Unis du Brésil, Rio de Janeiro".

Por sua vez, o poeta tinha a colaboração dos escritores Guimarães Passos e Bandeira Júnior, companheiros de copo, de papo, de Academia e de jabá: os três compunham a firma Bilac, Passos & Bandeira, que prestava serviços ao governo. Qualquer serviço. Mas isso já é outra história. Feia. Quase um "mensalão".

Celso Serqueira
Mapas Antigos & Histórias Curiosas
www.serqueira.com.br



Comentários (6):

Em 4/09/2007, às 10:12:01, Luiz D´ | fotolog disse:
Giovanna Del Brenna nos conta que o advogado Pedro Tavares assim apresentou sua defesa num processo por injúria proposto por Passos:

"E tão certo, Sr. Juiz, tão seguro estou de que, escrevendo e publicando o artigo que faz objecto da queixa, não só exerci um direito, como cumpri um dever, (...) O Prefeito Passos é um funccionario violento, cujos actos são de um cynismo revoltante, porém que elle é um ladrão. Tão ladrão que procurou advogado para requerer uma concordata com os credores e no entanto ficou rico na Prefeitura.

Tão ladrão, que as festas offerecidas em sua residencia particular e os mimos dados ás diversas Tinas di Lorenzo, a que andou arrastando as azas depennadas e os pés tropegos de gallo velho e gosmento, até as contas das maravilhas e marrons comidos, e dos Chambertins e Cliquots entornados, foi tudo pago pelos cofres municipaes. (...)".

Realmente...
Em 4/09/2007, às 10:25:50, Serqueira | fotolog disse:

Caro Luiz,
Agradeço sinceramente os seus adendos, pois minhas informações têm sido freqüentemente postas em dúvida, não obstante eu justificá-las como fatos pesquisados e não opiniões próprias. Mas ninguém é profeta em sua terra, né? Talvez me julguem leviano no escrever, além de pavio curto no sentir.

Com a sua preciosa colaboração e a assinatura de Giovanna Del Brenna, talvez prestem mais atenção aos fatos e deixem de defender ingenuamente a história oficial.

Passos foi um canalha, e a reforma, que também aplaudo, NÃO foi obra dele. Obrigado mesmo!
Em 4/09/2007, às 10:39:12, derani | fotolog disse:
Bela reportagem histórica, cheia de ângulos e meandros desconhecidos!
Parabéns.
Mas, julgado à luz da História, depois de 100 anos, até que a fama não é das piores.
Já não de pode dizer o mesmo de Dutra, Jânio, Jango, os Generais-Presidentes e Collor.
Acredito também que nosso contemporâneo deve juntar-se ao grupo no futuro.
Em 4/09/2007, às 14:53:45, CONVIDADO | fotolog disse:

Celsíssimo.

Belíssima pesquisa; belíssimo texto.

Tinha já ouvido falar das teneborosas transações do Seu Pereira. Mas nunca com tantos detalhes que recheiam tuas três postagens.
Mas não é fácil destruir o mito.
Nem o Magalhães Júnior conseguiu com o seu imperdível livro Rui o Homem e o Mito. O baixinho cearense tomou muita pancada dos "ruisistas fanáticos".
E, até hoje, quando se fala mal da "águia de Haia", há os que se levantam já de punhal na mão para defender o baiano cabeçudo.

Gostei da passagem do Pedro Tavares:
"...os mimos dados às diversas Tinas di Lorenzo, a quem andou arrastando as azas depennadas e os pés tropegos de gallo velho e gosmento...

Eita ferro !

Em 4/09/2007, às 14:55:22, CONVIDADO | fotolog disse:

Esqueci de dizer:
quem escreveu isso aí em cima, fui eu, AG.
Em 4/09/2007, às 19:59:46, Giramundo | fotolog disse:
Celso, seus posts enriquecem muita a minha sede por História.
Com os comentários, então, o quadro fica completo.
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