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MARCO HAURÉLIO LITERATURA DE CORDEL

A poesia popular do Nordeste do Brasil.

Categoria: Artes
Postado por Marco Haurélio em 29/06/2009 09:54

Viva São Pedro!
(Crucificação de São Pedro, de Caravaggio)
São Pedro, companheiro de primeira hora de Jesus Cristo, completa a tríade de santos juninos. A Bíblia o apresenta como um pescador que abandona a casa e a família para seguir o Messias. Nos Evangelhos, sua presença é destacada, seja pela aparente rudeza, seja pela honestidade. Preso o Mestre, decepou, com uma espada, a orelha do servo do sumo-sacerdote. Depois, por três vezes seguidas, negou que conhecia o Salvador. Depois da ascensão de Cristo, com a adesão de Paulo, rivalizou com este apóstolo, mantendo uma postura mais conservadora nas questões doutrinárias. Teria morrido em Roma, no tempo de Nero, martirizado durante uma das muitas perseguições aos cristãos movidas pelo sádico imperador. Ao saber que martírio o esperava, pediu que o crucificassem de cabeça para baixo para não imitar o suplício do Salvador. A tradição o aponta como o primeiro Papa.

Na cultura popular, é o terceiro santo junino. É festejado a 29 de junho, provável data de sua morte. Aparece nos contos populares como peregrino, sempre a seguir Jesus e sempre a contestar o seu Senhor. É caracterizado, via de regra, como teimoso, birrento, glutão e azarado. Na Europa, São Pedro é bem mais ladino. Tanto que Câmara Cascudo argutamente vê no pícaro Pedro Malasartes um avatar do santo:

"O nome de Pedro se associa ao apostolo São Pedro, com anedotário de habilidade imperturbável, nem sempre própria do seu estado e título. Na Itália, França, Espanha, Portugal, São Pedro aparece como simplório, bonachão, mas cheio de manhas e cálculos, vencendo infalivelmente". (Dicionário do Folclore Brasileiro, p. 445-6).

A tradição popular atribui-lhe, ainda, a função de porteiro do céu. Nesta condição aparece em algumas obras clássicas da literatura de cordel, como A Chegada de Lampião no Céu, de Rodolfo Coelho Cavalcante, O Grande Debate de Lampião com São Pedro, de José Pacheco e João Soldado, de Antônio Teodoro dos Santos.

Aparece, com destaque, em Briga de São Pedro com Jesus por Causa do Inverno, de Manoel D’Almeida Filho. O conto em que se baseou o poeta, de caráter etiológico, aponta como o santo conquistou a responsabilidade de enviar as chuvas, tão necessárias para as atividades agrícolas e pastoris.

Íntegra em: http://marcohaurelio.blogspot.com/2009/06/viva-sao-pedro.html



Comentários (2):

Em 29/06/2009, às 11:17:17, Júbilo Jacobino | página pessoal | e-mail disse:
Amigo Marco, gozo da nossa amizade ao ler tão preciosas informações. Você mesmo me disse pessoalmente que a internet estava cheia de mentiras sobre o cordel e sobre tantas outras coisas. Que bom que agora temos um fiel bastião da nossa cultura popular.
Em 30/06/2009, às 10:19:41, Varneci Nascimento disse:
O poeta Marco Haurélio
É uma capacidade,
No meio da poesia
Nos trás muita novidade,
Por ser sumido é difícil
Por ser sábio, uma sumidade!

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