
Postado por Mia em 20/06/2009 10:48
Sem sentir mais nada, só os meus passos a andar, só os meus passos a correr, só os meus passos a atravessar o mundo.
Já morreu dentro de mim o punho negro de garras que apertavam sem matar.
Eles sentaram-me à mesa do medo, no banco mesmo a seu lado, sentia-lhe o corpo hirto e gelado de tão perto. Sentia-lhe o cheiro podre de tão velho, que o medo perdeu a idade no labirinto dos homens e escorre pela sombra dos corredores. Eles sentaram-me à mesa do medo, no banco mesmo a seu lado. Ouvia-lhe a boca negra dizer-me: “não penses, assim não sofres”.
Quando já nada é intacto, quando tudo na vida vem em pedaços.
Quando a cidade alucina e me esqueço de sonhar.
Quando há qualquer coisa que nos sufoca e os dias são iguais a outros dias e por dentro o tempo é tão voraz.
Quando de repente, num segundo, qualquer coisa me vira do avesso e desfaz cada certeza do meu mundo.
Quando os sonhos contaminam os medos e os cansaços.
Quando a cidade te esconde e o silêncio é o fundo das palavras que te esqueces de gritar.
É como sonhar sozinho um sonho que nunca vinga num grito que nunca chora.
Talvez pudesse o tempo parar quando tudo em nós se precipita.
Quando a vida nos desgarra os sentidos.
Tão bom pudesse o tempo parar e voltar-se a preencher o vazio.
É tão duro aprender que na vida nada se repete, nada se promete.
E o mundo não é mais do que um bando de pessoas a tentar derrubar-se umas às outras.
Comentários (1):
Em 22/06/2009, às 22:19:07,
IlluminattI
disse:
no outro dia fui ver se via a estrela no ceu.
n a vi
a ultima frase e vdd,mas é mais k isso