
Postado por Ulisses Azeredo em 27/08/2008 11:16
José Lanzellotti
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Caros amigos, o Cavalheiro aí acima, era o excepcional José Lanzellotti. O Artista ficou conhecido como um dos mais completos ilustradores do nosso país e muitos lembram do seu trabalho, através do volume “Brasil, Histórias, Costumes e lendas”, editado em forma de fascículos, pela Editora Três, a partir da década de 70.
Pois bem, foi na década de 80, que um amigo do meu Pai, o Sr. Marcionílio, que “Deus o tenha”, me presenteou com esta Bíblia do Folclore nacional. Eu fiquei maravilhado com os cenários naturais, com as belíssimas ilustrações, tanto que eu dormia, praticamente com ele, ao lado... com o volume ali... em cima do criado-mudo. Ficava eu, imaginando, com meus doze ou treze anos, que o artista era um ser desigual, sobrenatural, poderoso, pois uma pessoa comum não poderia conceber tais figuras, tão reais, verdadeiras pinturas e obras primas, com uma fidelidade ao extremo. E o meu pai, falava: “-Ulissinho não desgruda do livro. Tá danado esse menino!”. Sim, eu passei a idolatrar o ilustrador, ali representado, nas centenas de imagens... e, ainda hoje, continuo, da mesma forma, admirando àquele que também me fez feliz, que me induziu a sonhos, tão inocentes e tão benfazejos. Quanto ao Livro? Esse eu cuido como um tesouro, da mesma forma e com o mesmo cuidado de quase vinte e seis anos atrás. O Volume ainda continua ali, na mesma Estante de outrora.
A obra Brasil, Histórias, Costumes e Lendas, naturalmente demorou anos para ser concluída. Claro, não esquecendo outros profissionais e pesquisadores como o professor Alceu Maynard Araújo, mas o que poucos sabem, é que Lanzellotti também pesquisou os costumes, as tradições, em várias regiões brasileiras e até viveu entre os índios, a fim de colher na essência, todo o conhecimento da sociedade aborígine. Assim, foi a sua doação, fragilizando seu físico, e a mercê de enfermidades e perigos, que Lanzellotti, nos deixou uma das mais completas pesquisas ilustrativas sobre a cultura do nosso país.
O Artista, que também foi Professor, produziu nos mais variados gêneros: no infantil, onde ilustrou Contos, passando pelo Terror, como também Livros didáticos. Quadrinizou romances e personagens da nossa história. Na linha de seu trabalho, criou o Cangaceiro Raimundo, que até hoje é lembrado. E para a surpresa de muitos, foi um excelente Escultor.
Como não lembrar deste fenômeno brasileiro? Como não? Sim, infelizmente, a nossa cultura de “Colônia”, incapaz e mal influenciada, não permite rememorar nossos valores, mas sim venerar estrangeiros que nem sequer conhecemos... Pois o mestre Lanzellotti, mesmo sendo vítima de editores, que furtavam a sua arte, e, que em muitos momentos, não pagavam a milésima parte do que seu trabalho valia, sempre ilustrou de forma singular o nosso Folclore, o nosso povo, os costumes, nossas regiões, a Fauna e Flora, entre outros! Lanzellotti não se rendeu ou se ajoelhou à valores alheios! Também não desenhou Super-Alienados para se fazer notar. Era uma época em que, os renomados aqui se rendiam, como fez Percy Lau, o francês que desenhou as maravilhas do Brasil.
Lanzellotti viveu e se doou por este sonho, o da arte. Fico aqui imaginando: por muitas vezes, ele enclausurado em seu estúdio e sem perceber, em momentos, se privando da sua família, mas, inconsciente, por amor ao seu trabalho, porque os gênios se doam, se entregam. Ele encantou e continua encantando milhões, ou quem sabe bilhões, já que a sua obra se espalhou pelo mundo! Infelizmente no Brasil, terra dos esquecidos, muitos não sabem, não querem saber ou não se importam.
Jussara Lanzellotti, filha do mestre, gentilmente respondeu-me algumas curiosidades que eu tinha sobre o seu pai. Juntamente, Michel Lanzellotti, filho seu, colaborou com informações. Há tempos procurava elementos sobre o profissional, o que não se encontra na internet. Na semana passada fiquei, sinceramente, emocionado e muito feliz ao ter contato com familiares deste gênio que nos deixou em 1992.
Ulisses Azeredo
Comentários (8):
Em 27/08/2008, às 11:30:14,
Roberta P M de Menezes
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disse:
Muito bom!!! Texto muito informativo. Muitas felicidades,Ulisses!
Em 27/08/2008, às 14:08:35,
Adelmo Freitas
disse:
Que maravilha de texto Ulisses. É realmente extrordinário, pessoas como você que resgata a memória dos nossos queridos artistas. Parabéns!
Em 27/08/2008, às 15:54:56,
Michel Lanzellotti
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disse:
Ulisses, encontrar você foi algo fora do comum, como já lhe disse, por muitos a arte de meu avo já foi colocada por morta, más sempre temos uma excessão! Foi inspirador saber de sua existencia, nos motiva a continuar resgatando meu avo!
Muito Obrigado!
Em 27/08/2008, às 17:40:14,
Michelle Ramos
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página pessoal
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disse:
Muito legal o texto Ulisses, Parabéns pela iniciativa, muito bom saber mais de um artista Brasileiro, ainda mais um que mostrou tantas qualidades artisticas. Abração.
Em 27/08/2008, às 19:11:22,
Rogério
disse:
Muito bom o texto, bem escrito, escorreito. Tomara que essas pesquisas, um dia vire um livro, com parte do conteúdo do site; o livro se chamaria Nostalgia do Terror - Nas profundezas das Histórias em Quadrinhos de Terror do Brasil.
Em 28/08/2008, às 00:10:12,
Carlinha
disse:
Poxa Ulisses..q legal!! Gostei muito de seu texto. Muito poético. Reflexo de sua admiração e paixão pelo pesquisador..e com toda razão!! Uma forma de carinho, além de saudosista e muito critico. A sua cara..Parabens!!!
Em 28/08/2008, às 10:57:27,
Jussara Lanzellotti
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disse:
...Ulisses, se houvesse na face da terra outros iguais a você, eu teria a esperança de um mundo melhor...as côres teriam mais vida...fim das guerras...e nos repirariamos a êssencia do oxigênio...e o ser humano agradeceria!
Amo você por isso!
E receba um forte abraço meu!
Muito obrigada!
....meu pai deve estar dando alguns pulos de alegria em algum lugar lá no céu, pela bela homenagem...
Eternamente, sua fâ ...
Desse dia eu nunca mais vou me esquecer!
Mais uma vez, obrigada, ...pelo presente...fique sempre com Deus!
Em 30/08/2008, às 00:27:37,
Sebastião Seabra
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fotolog
disse:
Ulisses... tive o prazer de conhecer o Lanzellotti na lendária Livraria do Gibi nos anos 70, em São Paulo. Eu era garoto e fazia uma tira chamada Capitão Caatinga e dentre as poucas referências que eu possuia estavam as belas, elegantes e precisas ilustrações de cangaço que ele fazia.
Bela foto.
Abraço.