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Categoria: Adulto
Postado por Conde di Lido em 22/06/2009 06:43

O ACIDENTE COM O A330-200 EXIGE RESPOSTA DE QUEM SABE VOAR: O AVIADOR
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O acidente com o Air France 447 exige algumas respostas. Na atual década foi o primeiro envolvendo um vôo de longo curso no ocidente: a aeronave desapareceu em pleno cruzeiro e era um modelo de nova geração. O tema fica ainda mais grave quando envolve uma das maiores empresas aéreas do mundo, a Air France, hoje em consórcio com a KLM e sócia da Alitalia, além de um grande fabricante, a Airbus e uma das aeronaves de maior sucesso comercial para o segmento de longo curso, o A330.

Os primeiros indícios apontam um vilão, o pitot (sensor de velocidade), que teria contribuído para que o avião Airbus A330-200, matrícula F-GZCP ficasse vulnerável em plena tempestade. O sensor falho teria deixado os computadores desorientados. Os amantes da Boeing voltaram com o discurso que os modelos da Airbus são muito mais para engenheiros de vôo do que para pilotos.

As mensagens transmitidas automaticamente pelo cockpit do vôo AF447 revelam uma seqüência de colapsos, inclusive o elétrico, em um intervalo de 4 minutos. Os instantes finais da aeronave mostram a soberania da máquina sobre o homem.

Na prática, os falsos dados, alimentados pela falha dos sensores e até gerados pela posição equivocada dos manetes, como ocorreu no acidente da TAM em Congonhas, transformam os computadores de bordo em verdadeiros HAL 9000, o computador personagem do filme 2001, Uma Odisséia no Espaço, que se transformou em um dos maiores vilões da história do cinema.

O instinto suicida destas máquinas não pode superar o comando do homem. Esta é uma realidade que se alastra em todos os processos da aviação. E no caso dos cockpits é mais grave: está surgindo uma nova geração de comandantes que está saindo do forno pronta para obedecer e não comandar. E a obedecer a uma máquina! As pessoas estão sendo programadas para não pensar.

Querem um exemplo mais perto? Quem trabalha na aviação há mais de 20 anos sabe o que é o despacho manual de um vôo. Consolidar um pré-manifesto de passageiros que chegava via telex no aeroporto, emitir manualmente os cartões de embarque e até consolidar manualmente as fichas de reservas e cada vôo.

Cada funcionário controlava e compreendia todo o processo. A nova geração só conhece o que está escrito na tela do computador. Se você não for um bit, você não existe. Se o sistema cai, é um caos. Ninguém consegue mais liberar manualmente uma aeronave.

Aplique isso ao dia a dia de um Despachante Operacional de Vôo, o famoso DOV. Como era possível fazer o balanceamento de um 747 só usando tabelas e réguas? Essa geração que pensava e calculava está em fase de extinção. Mas voltemos ao ocorrido com o AF447. Devemos lembrar que o vôo de demonstração do A320 no Aeroporto Mulhouse-Habsheim, em 1988 ( http://www.youtube.com/watch?v=JN6xtRuQh5o ) com as cores da Air France e matrícula F-GFKC, quando o computador travou e a aeronave seguiu direto para um bosque, sem obedecer ao comando de ninguém.

Os incidentes de interpretação de dados de outros Airbus mostram que a soberania dos bits pode ser fatal. É só imaginar as milhares de turbulências que pilotos dos Constellations, DC6, 707, DC10 atravessaram na mesma rota. E tinham o controle do avião na mão. Os pilotos eram soberanos e a máquina estava escravizada ao seu controle.

Vivemos hoje uma transição de toda uma safra de comandantes que mandava nas máquinas. Não podemos perder essa memória e deixar que os avanços tecnológicos reduzam o ser humano ao papel de espectador.

Cláudio Magnavita – Publisher da Aviação em Revista e diretor do Jornal de Turismo – O texto foi publicado no Jornal do Brasil



Comentários (8):

Em 22/06/2009, às 06:48:41, Conde di Lido | fotolog disse:
.
Ver ainda:

http://www.youtube.com/watch?v=Ea28bUTUfiM&feature=related

bem mais impressionante!
Em 22/06/2009, às 07:34:06, ALEX disse:
Vamos pedir para-queda ao embarcar neste avião, assim teremos alguma chance de sobreviver ou bancos ejetores equipados com para-quedas.
Em 22/06/2009, às 07:40:54, JBAN disse:

A confraria "Amigos do Conde" saúda o Potentado Lidense pelo seu retorno ao fotolog, ainda que por um motivo desse naipe.

Computadores são apenas circuitos eletrônicos tazidos "a vida" pela mão de homens, só isso. A arrogância, a prepotência, a fé cega (faca amolada) na tecnologia como solução para tudo, nos leva à situações como esta.
Desenha-se no horizonte o questionamento que os computadores de bordo estão longe de serem perfeitos e como todo programa de computador está sujeito a "bugs", erros e falsas interpretações, na tarefa inglória e ainda impossível de mimetizar o cérebro humano e a sua flexibilidade, capacidade de decisão com pouca informação, intuição (que é na verdade, uma percepção inconsciente do que está acontecendo) e nível de avaliação e resposta em situação de perigo.

Os computadores, calculadoras e todos os apetrechos que nos ajudam a cumprir nossas tarefas do dia a dia, não substitui a capacidade humana de pensar, avaliar, equacionar e solucionar as questões que se apresentam diante de nós dia após dia.

Um exemplo rasteiro que no meu ver ilustra bem isso. A fé ceha na calculadora eletrônica. De repente ninguém mais pensa e faz um cálculo de cabeça. Nem ao menos um prosaico troco de uma despesa na padaria escapa da maldita calculadora.
Pensar, calcular, avaliar a resposta, criticar o resultado são fundamentais.

Como despachante operacional no meu período na Varig no SDU, lembro-me bem de como era o nosso trabalho naquela era pré informática. Fechei muito balanceamento com o comandante na cabine de vôo e muitas vezes saia do Electra com os dois motores da direita já ligados. Tudo passava pela mão do comendante. Não sei como isso é feito hoje em dia.


Em 22/06/2009, às 09:13:46, Rafael Netto | fotolog disse:
Já soube também que o acidente em 1988 teria sido causado pelo próprio piloto, que ignorou/desabilitou as proteções dos sistemas de bordo, pois os computadores não permitiriam que ele fizesse a manobra que desejava.
Em 22/06/2009, às 10:13:29, Marcelo ZS (fake) disse:
É isso aí mude-se o asunto para o Sarney/senado(computador) e o povo piloto.
Em 22/06/2009, às 12:16:43, Derani | fotolog disse:

Tenho a desconfiança e a impressão que parece que a Boeing tá sendo eficiente à bessa na contra-propaganda... nem se desconfia ainda das causas do acidente e até turbulência normal já vira notícia se for com Airbus...

Desculpem-me se estou sendo chato... mas tá tudo muito estranho... muito estranho.
Em 22/06/2009, às 16:17:27, Conde di Lido | fotolog disse:
.
Eu também estou achando tudo muito estranho. Não creio que haja campanha da Boeing pois eles também usam computadores.

O certo é que um avião só desaparece assim devido a uma sequência de falhas tanto da máquina quanto do ser humano.

Até agora, como vocês são testemunhas, só postei aquilo que tenho recebido da foruns frequentados por aviadores amigos meus .

Eles estão realmente assustados com a possibilidade de serem cerceados em suas atitudes pelos computadores.

Isso já está chegando aos automóveis.
ABS, EBD, controle de tração, etc, e agora a Volvo lançou um carro que freia sozinho ao aproximar-se muito de outro. E se não for a hora de frear?

Estou emocionalmente muito envolvido neste acidente. Temo que jamais chegarão a uma conclusão e, para variar, culparão o piloto tão somente.

Hoje um Airbus da Qantas entrou em queda livre. Isso está virando rotina.
Em 23/06/2009, às 09:31:37, Pilot disse:
Os acidentes diminuíram muito depois que aos aviões foram adicionados assistência via computadores.

Esse recentes desastres foram causados pela fé dos pilotos, acham que eles resolvem tudo e esquecem que são apenas uma ferramenta. Foi o que aconteceu em Congonhas, o piloto deixou uma manete em aceleração, o avião obedeceu e se preparou para decolar, por isso os freios não responderam, estavam cumprindo às ordens do piloto.

Desculpem falar assim, mas os computadores ainda não são tão espertos para prevenir despreparo e burrice.
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