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Categoria: Outros
Postado por NMB em 01/03/2006 00:12


Canto. Na maior parte do tempo eu tenho medo da minha voz. Mas canto no chuveiro, no coral e com amigos também.
Eu converso com meu cachorro e com meus autores favoritos mais do que com os meus amigos. Às vezes danço ao passo de uma solidão irreversível. Não sei contar quantos amigos tenho, mas suponho que seja mais do que imagino. Tenho grande carinho pelas pessoas, mas muita dificuldade em manter relações e saber dos afetos e desafetos.
Às vezes confundo tudo e me corto, porque sempre me jogo, mas com grande agilidade limpo meus arranhões. Alguns deixam cicatrizes e tento fazer-me algo melhor. Eu realmente acredito que cada amor meu é para sempre, mesmo quando ele dura apenas uma noite e eu dou risada do causo na semana seguinte. Para mim também o tempo do amor é irrecuperável e não abro mão de seu acontecer. No entanto, mais do que esse temperamento de novela mexicana, trago em mim o amor das coisas simples.
Acho que não questiono o suficiente. Fico excessivamente em silêncio. Mas tenho dentro de mim um vulcão a respeito das questões que me apaixonam. Quanto àquelas que me interessam, mas não me importam, tenho dificuldade de manter-me indiferente.
Eu uso vestidos porque eles me lembram da mulher que quero ser em minhas piadas mais íntimas. Os floridos são guardados para ocasiões e pessoas especiais. Pessoas que sabemos únicas e que, depois disso, amamos.
Odeio domingo à noite, tenho medo de não conseguir fazer tudo que proponho para os dias seguintes. Se hoje estou pronta, amanhã não sei. Procuro não permitir que o cotidiano me afaste do que faço e acredito, quando isso acontece fico insuportável. Sou perfeccionista à beça e ainda não aprendi a errar.
Um bom vinho, um pouco queijo e chocolate me agradam. Mas se só tiver pinga, pão com mortadela e bala de hortelã eu não culpo ninguém por isso, pois como boa pisciana tenho comigo o valor da imaginação.
Quero ter uma filha, ela se chamará Sofia. Para mim este nome diz muito do que ser mãe representa. Entretanto, às vezes acho que terei como filhos outras crianças, não as minhas, mas aquelas com as quais sonho em trabalhar, sejam moçambicanas, ou brasileiras, com seus brinquedos e brincadeiras trazendo-me a sabedoria que procuro.
Não quero que entre eu e você haja abismos. Sou quem compra minhas bonecas, mas talvez queira alguém pra brincar. Faço vinte e um anos (talvez três ciclos jungianos!), venho de volta de longas viagens, e tenho os pés calejados o bastante para continuar por tantos outros caminhos.

Nadia, 28 de fevereiro de 2006.