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Rouxinol do Rinaré Cordéis

Postado por Rouxinol do Rinaré em 17/09/2009 09:13

ESCRITORES CEARENSES FALAM SOBRE TÉCNICAS DE ESCRITA
TÉCNICAS DE ESCRITA
A solução de cada um*

Os escritores cearenses Rouxinol do Rinaré, Jorge Piero e Tércia Montenegro: diversos caminhos para a criação literária (Foto: Gustavo Pellizzon/Thiago Gaspar)

Com experiências em oficinas de criação literária, os autores Jorge Pieiro, Rouxinol do Rinaré e Tércia Montenegro falam de técnicas e inspiração em suas práticas de escrita

Ainda que a máxima de que a criação envolve inspiração e transpiração seja bastante conhecida, muitos escritores parecem ignorá-la. Ao que parece, com o tempo quem escreve transpira cada vez mais para chegar ao ideal de texto almejado.

A discussão sobre as oficinas e cursos de criação literária passa pela questão da própria formação do escritor - seja lá que forma ela se der. "Minha formação foi através de leituras, que me serviam de modelos para exercícios, treinos de escrita. Não sei precisar o tempo desse percurso, porque fui fazendo as coisas sem calcular ou planejar, mais ao sabor da ocasião, até que enfim eu publicasse", conta a Tércia Montenegro, autora de "O Vendedor de Judas" e "O resto de teu corpo no aquário".

A escritora conta que as técnicas surgiram mais adiante nesse processo de leitura. "A reescrita só veio depois. No começo, eu fazia um conto e, se não achasse bom, jogava fora. Só depois de conversas com outros amigos escritores, de quem ouvia relatos de como trabalhavam, comecei a deixar o texto guardado para pensar melhor a solução em outra hora", revela. Segundo Tércia Montenegro, essa é parte de uma técnica da qual a autora costuma se valer. "Guardo até mesmo textos que acho que ficaram bem realizados na primeira ou na segunda vez. Tem que ter a fase da gaveta. O texto tem que hibernar para eu esquecer a história e ler como leria o texto de outra pessoa", detalha. O tempo para um texto "hibernar" p ode varia de seis meses a alguns anos.

Tércia não tem dúvidas que as oficinas de criação literária que já ministrou a ajudaram no ofício da escrita. "A fase da leitura e discussão daquilo que se produziu na oficina foi de um grande aprendizado. O resultado era imprevisível. Tive resultados brilhantes. Três ou quatro alunos continuam na escrita e até já foram premiados. O resultado deles me despertou para outras técnicas", avalia.

Para a escritora, no entanto, as oficinas não são algo indispensável ao escritor. "Você pode ser forma sem elas. Mas ela serve para trabalhar esse lado racional", defende. Tércia acredita que esse é um contrapeso à inspiração, "o impulso inicial".


Cordelista, Rouxinol do Rinaré também começou assim, lendo e ouvindo leituras dos romances em verso do cordel. "Acho que o poeta nasce com o dom. Mas é bom conhecer a métrica, número de sílabas. Tem gente que não sabe isso, mas faz direito, porque o cordel é muito musical", conta. O poeta já ministrou oficinas de cordel em mais de 20 municípios do Estado. "Elas não ensinam a ninguém ser cordelista, mas formam leitores críticos. Ao mesmo tempo, descobrimos poetas. As vezes o cara é e não sabe", comenta.

*Delano Rios (13, domingo - CADERNO 3 Diário do Nordeste)

Veja matéria na íntegra: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=670659



Comentários (2):

Em 17/09/2009, às 10:48:38, Marco Haurélio disse:

Rouxinol é um alento na nova onda cordelística que tem evidenciado tantas mediocridades, que jamais leram um romance e conhecem, no máximo, algumas obras de referências, que citam em oficinas e palestras.

Quem lê obras como 'O Capitão de Ladrões', 'O Justiceiro do Norte' e, mesmo, 'O Alienista', entre tantas outras, sabe que ali há um envolvimento afetivo e uma formação que vem do berço.
Em 18/09/2009, às 07:44:00, ARIEVALDO VIANA | página pessoal disse:
Nessa onda avassaladora de pseudo-cordelistas, onde encontramos verdadeiros crimes contra a métrica, a rima e a oração, é bom saber que pessoas sérias e talentosas como o poeta ROUXINOL dão vida e graça à poesia popular, dita de "Cordel". Parabéns.
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