Rod Apresenta: Super-Heróis Brasileiros do Cinema e da Tv

Postado por Rod em 02/03/2006 01:50
METEORANGO KID
METEORANGO KID, O HERÓI INTERGALÁTICO
1969 . ANDRÉ LUIZ OLIVEIRA
As imagens vêm da Bahia, cidade de Salvador. Saído da "boca do inferno", nome dado aos filmes produzidos no período áureo da estética marginal, na capital baiana, Meteorango faz um retrato da revolta de um rapaz de classe média. Lula é o universitário cuspindo fogo nas tradições, enquanto eriça o gosto pela meta-referência à produção da época e pela pura curtição-do-fazer-cinema. Procedimentos que representam alguma liberdade e que fazem o nosso tempo mergulhar naquele tempo. Demonstrado por mais esta mostra, nosso passado recente, em cinema, tem quase sempre o mesmo endereço: o da "esculhambação" dos pós-novos.
No meio do caldeirão da Tropicália, o filme tem o facho da leitura, a visão fenomênica de compor o painel de época ao misturar o improviso, a ficção e o documentário (este, escondido, encenado, mas comentado, em citação). A obra é organizada em várias situações distintas, quase sempre envolvidas em humor e escatologia, em exagero e estranhamento. Logo nas primeiras imagens, Lula é o rapaz que anda de trás para frente, em câmera-a-ré, ou melhor, é o Jesus trepado no coqueiro que volta à cruz, para agonizar. Vemos sangue, suor e suplício em meio aos créditos iniciais, e em seguida aparece a frase "esse filme é dedicado aos meus cabelos".
Lula é o meteorango universitário em busca de aventuras. Um baiano kid que acorda tarde e não faz nada na vida, "um vagabundo", como diz a doméstica que o desperta todas as manhãs. É um giro pela cidade, é o sonho de matar o pai e a mãe vestido de Batman, é uma referência a Glauber e a Sganzerla, é um soco na câmera, é a roda de fumo na casa do amigo (onde ouvimos Assim falou Zarathustra, de Richard Strauss, em 2001, de Kubrick), é a irreverência no velório, quando bate a cinza do cigarro na cara do defunto, é o percurso de Lula de olho nos inventores e de braços abertos para a diversão.
Luiz Otavio De Santi
Cia. produtora: ALO Produções Cinematográficas
Produção: André Luiz Oliveira
Direção e roteiro: André Luiz Oliveira
Fotografia: Vito Diniz
Montagem: Márcio Cury
Cenografia: José Wagner e Édson Grande
Música: Moraes & Galvão
Elenco: Antônio Luís Martins, Carlos Bastos, Mílton
Gaúcho, Manoel Costa Junior, Antonio Vianna, Nilda Spencer, Ana Lúcia Oliveira, João Di Sordi, Caveirinha, Sônia Dias, José Wagner
Bahia, 85 minutos, 35 mm, PB
Comentários (2):
Em 2/04/2006, às 20:31:40,
mr. mani
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disse:
Alguém sabe onde achar em vídeo esse filme? Vídeo ou DVD, mas queria poder tê-lo em casa. Se souberem, por favor me digam.
Obrigado
Em 11/04/2006, às 16:51:54,
Vanessa da Silva
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disse:
Gostaria de obter alguma informacao sobre Joao Di Sordi. Ele e meu avo e nao tive a oportunidade de conhece-lo. Sequer sei se ainda esta vivo. Se tiverem qualquer informacao que seja eu agradeceria muito