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RoTa de TaRo - percorrendo o caminho...

Postado por Morgye em 04/04/2005 00:16

Quando as brumas se dispersam, ela surge – A Sacerdotisa – Arcano II
Quem é esta dama silenciosa, que desliza por sobre o mármore com seus pés alvos e pequenos? Quem é este ser que se confunde com as brumas e, desfazendo-se, deixa somente um perfume de incenso no ar? É a mulher em alma e presença, que mesmo sem ser totalmente e humana fêmea, ainda assim emite o tom exato do feminino em tudo que toca.

De todos os muitos e lindos aspectos da sacerdotisa, o que mais gosto é o papel de intermediária entre os mundos superior e inferior, dos vivos e dos mortos, do visível e do invisível. Ela é Perséfone que alterna seus dias ao lado do amado Hades, deus dos Mundos Inferiores, e da mãe Ceres, que garante a fértil colheita na superfície do planeta. Ela é Morgana, que passeia por Camelot, interage com os cavaleiros, e ao mesmo tempo atravessa para o Mundo das Fadas ou chama a barca que a leva até Avalon, fora do tempo e do espaço.

Ela é o silêncio que tudo diz, pois fala diretamente à alma. Ela é o segredo, o mistério, a intuição, a percepção. Enquanto o Mago traz o templo para o nosso mundo concreto, a Sacerdotisa nos leva ao templo, faz com que nossos corpos percam a densidade e entrem em outras dimensões, outros planos, outras realidades.

Olavo Bilac escreveu o texto abaixo e batizou-o de A Montanha, mas eu, com o devido respeito, preferia vê-lo como uma homenagem sutil e divina à sacerdotisa...

"Calma, entre os ventos, em lufadas cheias
De um vago sussurrar de ladainha
Sacerdotisa em prece, o vulto alteias
Do vale, quando a noite se avizinha

Rezas sobre os desertos e as areias,
Sobre as florestas e a amplidão marinha,
E, ajoelhadas, rodeiam-te as aldeias.
Mudas servas aos pés de uma rainha.

Ardes, num holocausto de ternura...
E abres, piedosa, a solidão bravia
Para as águias e as nuvens, a acolhê-lhas;

E invades, como um sonho, a imensa altura,
- Última a receber o adeus do dia
Primeira a ter a bênção das estrelas"

A Sacerdotisa sempre aparece assim: suavemente... com um poder contido, controlado e direcionado, com absurda disciplina, como uma bailarina dançando em um palco silencioso. Ela nos abre os portais e permite um caminhar sereno ao impossível. É ela a primeira a nos dar a mão, a levar o dedo aos lábios num pedido de silêncio, a deixar que deitemos a cabeça em seu colo para sonhar e a mostrar que nem só do que é visível o mundo é feito.



Comentários (1):

Em 5/09/2006, às 07:27:14, Ma Jivan Prabhuta | e-mail disse:
A identificação foi instantânea! Linda a sua interpretação da sacerdotisa..."Ela nos abre portais e permite um caminhar sereno ao impossível."
Que Deus te ilumine cada vez mais. Voltarei aqui, com certeza.
Bjs.
Ma Jivan Prabhuta
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