TAIGUARA - "Que As Crianças Cantem Livres"

Postado por Poti/Tajira/Moína em 12/06/2005 16:00
O Opério Taiguara Cantando "Canções de Amor e Liberdade"
DIÁRIO POPULAR
03/11/1983
Coluna: Bastidores
Por: Jaime I. Kameyama
O operário Taiguara cantando "Canções de Amor e Liberdade"
Rompendo um silêncio de praticamente dez anos, Taiguara prepara-se para um grande show, no penúltimo dia do ano, em pleno Maracanãzinho, para o lançamento do oitavo LP de sua carreira, "Canções de Amor e Liberdade", reinaugurando o selo Alvorada da Continental. Não pensem que Taiguara Chalar da Silva, uruguaio naturalizado brasileiro, é o mesmo dos sucessos de "Hoje", "Amanda", "Modinha", "Nada Sei de Eterno", "Helena, Helena, Helena", contemporâneo de uma geração forjada nos festivais, como Chico Buarque, Toquinho, Gilberto Gil e outros tantos.
Quando a Censura fazia marcação cerrada - tinha 44 músicas proibidas, na época - rompeu o projeto do lançamento do LP "Imyra, Tayra, Ipy", gravado com Hermeto, Som Imaginário e Novelli, que teria uma palestra de Walter Trindade, concerto de rock e a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, em 1973, nas ruínas das Missões e resolveu parar de cantar, "enquanto não houvesse mais democracia e menos Censura, aí já fazem dez anos de distância dos palcos e oito anos sem gravar". Foi assim que se exilou na Inglaterra, chegando de encontro à África.
Segundo Taiguara, este recente disco nasceu na Tanzânia, onde conheceu um professor que o apresentou a um jovem. "Naquela noite de songueira, o velho me apresentou a um jovem que queria falar das preocupações dele, porque ele sabia que o brasileiro era também africano", comentava. Nessa procura pelo índio, já no Brasil, Taiguara encontrou-se com o deputado Juruna, "da linha acéfala que pensa como o tanzaniano, achando que o índio deve encontrar seu caminho."
"Canções de Amor e Liberdade" traz como convidada a dupla Cacique e Pajé que cantam "a música dos componeses do Brasil", com participação na faixa "Voz do Leste". Ameríndio, Taiguara também interpreta o "zamba" portenho "Che Tajira" (pelo futuro da libertação), "Estrela Vermelha" (canção do avô Glaciliano, pai do bandoneonista Ubirajara Silva) e muitas outras. Politicamente, apesar de sua admiração por Luís Carlos Prestes ("Tenho observado que ao longo desses anos, o único líder que tem se mostrado fiel com a classe trabalhadora é o Prestes") optou pelo PT, porque "ajudei a construir o PMDB, fiquei contra o paralelismo sonhado pela oposição sindical, ajudei na campanha do Brizola e hoje estou com Lula e Menegheli.
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O ESTADO DO PARANÁ
13/11/1983
TAIGUARA VOLTOU; NAS MÚSICAS, A LIBERDADE
Música com raízes e cheiro de povo, marcada pelo ritmo do índio, que transformou a valsa em guarânia, e do negro, que balançou estrutura e compassos do conquistador europeu. É música de Taiguara, comprometida com uma luta política e marcada por muito amor, que está de volta. Com o lançamento de seu disco "Canções de Amor e Liberdade", Taiguara Chalar da Silva, um uruguaio de Montevidéu que cresceu na Lapa, no Rio de Janeiro, está retomando um espaço dentro da música brasileira, que foi cortado muitas vezes, o que o levou a Londres e Tanzânia, perseguido pela censura e muitas vezes repudiado por uma esquerda intelectualizada e burguesa, "que não admitia um proletário no meio", como ele diz.
A força que Taiguara encontrou para voltar à luta se deve muito a Eliane, mulher e companheira muito amada e a sua convicção de que, se a música não provoca uma revolução, é possível fazer uma revolução ao som da música. Politicamente ligado ao PT "que hoje se apresenta como a única de um partido que leve à luta da classe trabalhadora", Taiguara morou nos mocambos de Recife, no bairro operário de Tatuapé em São Paulo, e atualmente está no Rio.
CONTINUAÇÃO NOS COMENTÁRIOS ABAIXO:
Comentários (6):
Em 12/06/2005, às 16:17:34,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
disse:
CANTO CALADO
Ao contrário de muitos compositores de sua geração, Taiguara sempre encarou sozinho a luta pela sobrevivência. Enquanto o pessoal da MPB morava em Ipanema e no Leblon, Taiguara vivia na Lapa e sobrevivia cantando em boates, clubes, auditórios de televisão. A chance surgiu quando Sérgio Bittencourt entregou ele a música "Modinha" para cantar num festival. A partir daí, Taiguara participou de outros festivais com músicas que foram sucessos, como "Helena, Helena, Helena" e "Universo no Teu Corpo". "Virei cantor romântico apenas, diz ele, e na hora que tentei gravar composições minhas que refletiam uma atitude política, fui podado pela censura e pela gravadora Odeon". Taiguara teve 44 músicas censuradas, além de sofrer imensas pressões da gravadora, que queria transformá-lo num "bom moço, deixando de lado essas bobagens políticas".
Naquela época, explica, não recebeu nenhum apoio, "nem de órgãos de imprensa, como o Pasquim, que ainda podia falar alguma coisa". Depois de participar do Midem, na França, em 1976, Taiguara conseguiu entrar em contato com uma pequena gravadora na Inglaterra e partiu para Londres. Mas a gravadora estava ligada à Odeon, "e já cheguei em Londres com a fama de rebelde que deveria ter a cabeça feita e voltar a gravar modinhas". Ele conseguiu gravar um disco em Londres, que jamais foi lançado no Brasil e, na volta, juntou-se a Hermeto Paschoal para produzir um outro disco. "Nele consguiu colocar algumas músicas que eu queria, mas acabou sendo uma produção extremamente sofisticada, que só atingia uma elite, coisa que nunca desejei". Nova saída do Brasil, dessa vez para Tanzânia, com uma parada na França onde conheceu e se tornou amigo de Paulo Freire.
CONTINUAÇÃO NO PRÓXIMO COMENTÁRIO:
Em 12/06/2005, às 16:22:15,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
disse:
Agora Taiguara voltou para ficar. Sua música tem muito de sertanejo, guarânia, chamamé. São músicas lindas como "Voz do Leste", "Mais Valia, "Estrela Vermelha" (Água que jorra de mim...E aumenta o mar entre nós: um homem só e seu país"). Ou "América del Índio" (Sou índio, não sou folclore"). Mas o que talvez melhor defina Taiguara sejam os versos de "O Amor da Justiça": "por isso esses anos calado, por isso meus versos proibidos."
FIM DA MATÉRIA.
Em 14/06/2005, às 20:59:27,
Lucio
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disse:
Olá!!!
Muito legal essa matéria também!!!
No caso desse ícone da MPB, fica provado que a vida imita a arte e a arte imita a vida, quando ambas (arte e vida) forem baseadas na verdade, no sentimento...
Um grande abraço!!!
Muita Paz e Muita Luz!!!
Em 15/06/2005, às 18:55:34,
Hariéte Fernandes
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disse:
Como uma das milhões de "Fãs N.º uns" gostaria de fazer parte deste grupo de pessoas que divulgam o seu trabalho.
Em 17/06/2005, às 09:16:21,
João Henrique Weber Ruiz
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disse:
Fico pensado e rindo sozinho... Se Taiguara não nos tivesse deixado o que ele acharia de toda essa "panela do diabo" que o Brasil se transformou? O brasilerio é muitoooooo acomodado....não é atoa que Taí era uruguaio...
Em 4/07/2005, às 02:51:49,
jocimar
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disse:
Taiguara tem pai Uruguaio e mãe Brasileira. Naturalizou-se brasileiro. Mas isto não importa muito. TAIGUARA ERA UM CIDADÃO DO MUNDO. Defendia a liberdade e igualdade para o mundo todo. Abraços
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