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TAIGUARA - "Que As Crianças Cantem Livres"

Postado por Poti/Tajira/Moína em 06/07/2005 01:31

TAIGUARA: "A CENSURA ME FEZ MAIS ROMÂNTICO"
JORNAL DO COMÉRCIO
16/11/1983

10 nos depois, Taiguara destaca suas raízes gaúchas

Depois de 10 anos afastado profissionalmente do meio musical, Taiguara, compositor e intérprete de sucesso como "Hoje", entre outros, volta ao meio artístico com um novo LP "Canções de Amor e Liberdade" foi lançado há um mês e meio no Rio de Janeiro e já teve esgotada sua primeira tiragem. Foi lançado também em São Paulo e em Porto Alegre, onde Taiguara esteve na semana que passou, por considerá-la uma das principais capitais e, sobretudo, sua terra natal.
Este novo LP é muito importante para Taiguara, pois retrata sua infância, mostrando desde a música nativa até a sertaneja, com profundas raízes na música gaúcha. Conhecido por seu estilo romântico, o compositor teve em 1973, 44 músicas proibidas pela censura, o que, segundo ele, o transformou em mais romântico ainda. Em 74 foi para Londres estudar música e fazer um disco, que também foi proibido de ser editado no Brasil, o que lhe obrigou a gravá-lo com letras em nome de outra pessoa e lançamento previsto para Ruína das Missões. A verba do disco era proveniente da gravadora Odeon e da Secretaria de Cultura, que na ocasião também resolveram recuar. A partir daí, Taiguara decidiu parar definitivamente de cantar, enquanto não houvesse mais democracia e menos censura no Brasil.
"Canções de Amor e Liberdade" é o primeiro disco em que uma parte da descendência gaúcha de Taiguara aparece ligada à música; descendência esta que sempre esteve presente, pois ele foi criado no Rio de Janeiro com todo o sistema gaúcho dentro da família, do churrasco ao chimarrão. O LP traz uma das músicas que foram proibidas em 1973 e agora liberada, "Estrela Vermelha", de autoria do avô de Taiguara, Glaciliano Corrêa da Silva, composta num cargueiro quando ele estava indo para o Rio de Janeiro. Seu pai, maestro Ubirajara Silva também participa do disco, no bandoneón e como arranjador.

DISCO

O índio é ressaltado no LP, uma vez que é o elo da união entre todas as fronteiras da América Latina. Nele estão juntas a guarania, o rasqueado e o samba à Argentina, ligados com a marcha-rancho e o bolero. A temática das letras também procura colocar os dois elos de identidade dos países: o romântico e o problema social (opressão e luta dos povos latino-americanos para preservar sua independência e fazer com que a classe trabalhadora não morra de fome). Pensando no próximo disco, Taiguara disse que ele será baseado no afro-brasileiro, pois durante o exílio, passado um pouco na África, pôde constatar o quanto os brasileiros também são africanos.
A volta ao contato profissional com o público acontecerá durante um show do Maracanãzinho, dia 30 de dezembro, que será trasmitido para todo o Brasil pela Rede Bandeirantes mostrando a fase principal de seu trabalho, anterior a 1973. A partir daí serão realizados shows principalmente em São Paulo e Porto Alegre, com a participação de seu pai pela primeira vez em shows junto com o compositor. Haverá ainda a presença de tecladistas e da dupla sertaneja Cacique e Pajé, caiapós que conhecem profundamente suas origens e sua história. Os teclados, conforme Taiguara, "serão o início da ponte para o próximo disco, em que estarão juntos o estilo melódico romântico e o samba".


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TAIGUARA ACHA POLÍTICA MUSICAL UM BORDEL

Folha de Goiás
17/11/1983

"Um bordel!": Assim o compositor Taiguara definiu a atual conjuntura musical do país, onde o poderio das multinacionais do disco está massacrando a música popular brasileira. Em consequência, os "rocks" alienígenos estão provocando o desemprego na classe artística, cujos integrantes tem que mendigar a divulgação de seus repertórios numa luta desigual contra o peso dos dólares.


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Comentários (2):

Em 6/07/2005, às 01:46:24, Poti/Tajira/Moína | fotolog disse:
CONTINUAÇÃO DA MATÉRIA:

Taiguara desabafa: "Quem não aceita se entregar às empresas do rock tem que viver desempregado ou recorrer a outro meio de vida, como o meu pai, o Ubirajara, bandoneonista número 1 do País". Para quem conheceu o maestro Ubirajara em sua fase áurea anterior à instituição AI-5, sabe que ele tinha uma agenda carregada a ponto de recusar propostas de shows por falta de datas.

O autor de "Universo no Teu Corpo", e outros sucessos, que está em Goiânia lançando seu novo disco, teve até um LP em inglês censurado no Brasil por manifestar, nas músicas seu protesto contra o atual sistema vigente no País. E foi por este mesmo posicionamento que ele ficou cerca de 8 anos sem gravar e seu meio para comunicar ao seu grande público o motivo pelo qual ficara afastado da música. "Ocorre que a abertura não chegou aos meios musicais". Diz ele, ressaltando que "orgulhosamente, minha gravadora é a única exclusivamente brasileira, mais precisamente a Chantecler-Continental, que enfrenta o cartel das multinacionais, causa de desemprego". Para Taiguara seria necessária a tomada de uma medida revolucionária que impeça, de um só golpe, que as multinacionais continuem açambarcando o mercado incentivadas e até mesmo subsidiadas pela complacência do regime.
Em seu novo LP, Taiguara mantém seu estilo romântico, onde a faixa "Amor da Justiça" fez o álbum esgotar no Rio de Janeiro. Em Goiânia, a música mais tocada tem sido "Voz do Leste". Destaca-se neste álbum a tradicional "Índia", com acompanhamento original da harpa de Luiz Bordon, em que foi feita uma adaptação das duas versões do original. Além deste LP, Taiguara recomeça sua trajetória pela música com um show programado para o Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, 10 anos depois de ter feito seu último show ao vivo.

FIM DA MATÉRIA
Em 6/07/2005, às 16:26:03, Antonio Erivaldo Silva | página pessoal | e-mail disse:
Descobri este fotolog e estou impressionado, eu estava no show 13 outubros, e amo o taiguara, tenho varias musicas em mp3 se alguem quiser é só me contatar
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