Comentários (18):
Em 31/08/2005, às 02:31:13,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
disse:
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Em 76, foi o lançamento de um outro disco, que a Odeon me convidou para fazer e chegou a vender cinco mil cópias. Foi um trabalho com Hermeto Pascoal, que também teve o lançamento proibido, em 1º de maio de 76. Fui-me embora oir outro período, fiquei em Paris um ano e pouco, até a estada na Tanzânia. Paris foi um exílio grato, porque, na vida, a gente tem que tirar do mal coisas boas, né? E em Paris dá pra encontrar um arejamento para o espírito. Nesse período em Paris, fui preparando a minha viagem para Tanzânia. Fazia viagens pra Genebra, conversava com Paulo Freire, que foi quem me orientou minha viagem pra Tanzânia, até que em 77 cheguei lá, onde morei todo aquele ano. Antes, em Paris, comecei a perceber que precisava conhecer melhor a França, a classe operária, povo francês, e fui para Belle Ville. Ali, passei a maior parte do meu tempo.
- E TODOS ESSES VETOS - ATÉ 73 FORAM 44 MÚSICAS CENSURADAS POR RAZÕES POLÍTICAS -, ALÉM DO EXÍLIO, LHE FORÇARAM A UMA POSIÇÃO: SÓ VOLTAR A CANTAR NO BRASIL, NUM GOVERNO POPULAR. ESSA VOLTA ACABOU ACONTECENDO ANTES. VOCÊ CONCLUIU QUE SUA MÚSICA É UMA GRANDE AJUDA NESSE PROCESSO?
- Não sei se é uma grande ajuda. Em princípio, sei que quebrei a jura e isso não é bom. Queria ter mantido a minha opinião até o fim. Mas já faz 13 anos, e meio fora do Rio de Janeiro, e comecei a perceber que eu ía ser derrotado. O povo, que esperava que eu voltasse, estava sendo derrotado por aí e o peso dessa derrota eleitoral, em particular do povo carioca - a maior parte votou numa coisa e deu outra, e ninguém está explicando direito até agora - ... então, percebi que tinha que fazer uma força pra voltar pro Rio. Isso tá sendo feito meio atabalhoadamente, não foi feito como a gente queria.
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Em 31/08/2005, às 02:48:11,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
disse:
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Mas o pessoal da Eventua (firma que acompanha o cantor)foi muito positivo e me convenceu que, mesmo sem as condições necessárias, eu devia fazer uma pré-volta, uma pré-estréia, porque já havia todo tipo de bochincho de que eu mesmo não queria voltar, de que havia problema. Só que não se fala dos problemas reais. Não se fala dos problemas que têm a ver com estrutura do sistema., dos novos tipos de censura que estão por aí no ar, como a censura econômica, a censura política, que não é militar, mas está aí. E o preconceito que fica dos 20 anos de militarismo. Fica uma impressão de que... Há pouco mesmo, saiu uma matéria no JB, vendo panfletarismos no trabalho da gente. Que nada! A gente tá dando um depoimento de vida. Muitas vezes não é político o depoimento que estou dando, mas o companheiro assustado pela possibilidade de fazer um panfleto ou de apoiar um panfleto - porque houve uma lavagem cerebral durante esses 20 anos -, e aí as pessoas têm medo de fazer uma arte política. Têm medo de que o trabalho possa se tornar objeto da crítica técnica, tecnocrática, quer dizer, é o tecnocracismo, o psicologismo. Tudo isso cria um estado de nervos e as pessoas vão pro palco pra fazer a arte pela arte; não dá pra contar com a realidade manchar, macular a arte, de baixar o astral.Todo mundo tem medo do astral. Esse medo faz com que as pessoas vejam política, quando não estou falando em política; estou apenas dando um depoimento de vida.
- POR OUTRO LADO, O TIPO DE ARTE FÁCIL, SEM CONOTAR COM A REALIDADE, TEM UM APOIO TAMBÉM MAIS FÁCIL DO PRÓPRIO SISTEMA.
Claro, claro, é por aí...
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Em 31/08/2005, às 03:00:23,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
disse:
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- LÁ PELOS IDOS DE 70, VOCÊ BUSCAVA NA MEDITAÇÃO UMA FORMA PARA A SUA ARTE, ATRAVÉS DA FILOSOFIA DO GURU MAHARISHI MAHESH. POR ONDE ANDA, ATUALMENTE A BUSCA PARA A TRADUÇÃO DE SUA ARTE?
- A busca do Maharishi foi a busca por um processo interior, de organização interna, aprofundamento de mim mesmo. Quis aprender uma ioga mental. Depois, andei lendo as idéias dele, adiante, quase estava na escola, em Londres, em 74 - porque eu já havia conhecido Maharish aqui no Brasil, em 72, se não me engano, e aprendi meditação com ele, peguei meu mantra pessoal com ele e já praticava exercícios antes de tocar, às vezes, momentos antes de escrever - e ajuda, é uma ioga mental. Mas as idéias que ele tem ( o guru) do governo universal dessa coisa, não estou de acordo não. Penso que isso corre o risco de se tornar exploração de um processo, que é uns instrumento de concentração, de uma coisa fisiológica, num bom sentido, se tornar uma proposta política, que é muito ruim, porque ninguém procura o Maharishi pra contribuir com esse governo universal. As pessoas o procuram para aprender o exercício da ioga mental. Nessa época minha busca foi por um aperfeiçoamento, em direção à minha tranquilidade pessoal, pra poder refletir melhor. Hoje o meu axé, a força, me vem mesmo da realidade do meu povo, apesar de tão sofrida. bonita. O meu povo corajoso, que hoje tem um jornal discordando de mim, dizendo que é um absurdo eu dizer que o brasileiro tem tradições revolucionárias. Mas tem. O povo brasileiro... só viver num barraco na favela, sujeito a rolar encostas, isso não é conformismo, não. Isso é pra não ir pra longe, é um povo informado. É o povo brasileiro, através de sua história, fora o presente que é discutível, aceita a discussão e as críticas.
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Em 31/08/2005, às 03:14:38,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
disse:
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É o povo que fez a Cabanagem, o Estado do Pará se separou naquele momento, e os indígenas maoés, na época, abrigaram os rebeldes; a Farroupilha, Farrapos, Bahiense, Canudos... Se a gente for estudar a nossa história mesmo, a verdadeira, a Incondidência Mineira e tantos outros movimentos populares e políticos, vai ver que o povo brasileiro tem lutado. O que acontece é que o Brasil é um país muito rico, cobiçado, controlado, sobre o qual se lança esse mito de preguiça, do conformismo, como sendo da índole do seu povo. Falam-se essas coisas do século passado - raça, índole, coisas que não existem mais - , que são lançadas como pestes sobre o nosso povo, e a história real não é contada.
- NA MESMA DÉCADA DE 70, VOCÊ PARTIU PARA DOIS CAMINHOS: A LITERATURA - COM A PUBLICAÇÃO DO ROMANCE "HELP, HIP HAIR" - E O CINEMA, QUANDO PARTICIPOU DO FILME "O BOLÃO". EM QUE RESULTARAM ESSAS DUAS EXPERIÊNCIAS?
- (Pensa bastante) Help, Hip, Hair... Me lembra mais (risos)
- FOI EXATAMENTE EM 71. VOCÊ FALAVA EM UMA MATÉRIA PARA A REVISTA AMIGA QUE ESTAVA VOLTADO PARA A LITERATURA, ESTAVA ESCREVENDO ESSE LIVRO E ÍA PUBLICAR LOGO. ALIÁS, DESTACAVA QUE ERA UM ROMANCE.
- É... É porque a gente teve um trabalho chamado assim, que não chegou a vir a público. Por isso é que estranhei. Não era bem livro, não. Era um trabalho para palco, um testemunho dessa época, da contracultura, do que a gente estava tentando descobrir como forma de vida, pra rolar estrada. Era uma coisa mambembe, que a gente ía fazer e publicar. Mas isso durou muito pouco tempo. Fico até surpreso de você ter falado sobre isso, porque, pra mim, nem chegou a ser sabido... (risos). Agora, O Bolão, ao contrário, vive passando, né? É uma das revoltas da minha vida, porque aquele cara não pagou o elenco até hoje e ganha até hoje com o nosso trabalho. Wilson Silva, o nome dele.
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Em 31/08/2005, às 03:28:16,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
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O filme é uma comédia de um carioca que ganha na loteria esportiva e fica com a cabeça virada, quer se vingar da sogra...
- FOI DAÍ QUE TIRARAM A IDÉIA DE QUE VOCÊ TINHA FICADO MEIO PIRADO?
- Oxalá fosse daí (risos). Não, foi pelo fato de eu ter recusado muitas propostas em dinheiro durante esses 13 anos, que dizem que maluco rasga dinheiro... e recusa também (risos). Eles não entendem. Não entendem, não. Eles entendem muito bem. Conheço duas ou três pessoas aí da imprensa que andaram fazendo essa campanha de que fiquei maluco, e a posição ideológica delas é belm clara, né? Foi gente que ajudou os militares, contribuiu com eles, e lhes convêm dizer que estou maluco, é claro.
- VOLTANDO UM POUQUINHO: NO QUE RESULTARAM ESSAS DUAS EXPERIÊNCIAS NA LITERATURA E O CINEMA?
- Na Tanzânia, fiz um livro que está praticamente pronto...só falta o último capítulo. E o momento que vacilo entre ficar na Tanzânia, na escola de jornalismo ou voltar pro Brasil. Acabo decidindo voltar pro Brasil e interrompo o escrito. É como um diário: eu escrevia tudo e os capítulos têm nome de lugares onde fui morando. É um brasileiro que vai descobrindo o racismo no Brasil, vivendo na Tanzânia. Ele, misturando suas memórias em forma de cordel e descobrindo suas origens, descobrindo que é um pouco racista, um pouco fascista e não sabia, pensava que no Brasil estava tudo bem. Mas ele vai descobrindo tudo isso, em contato com o povo tanzaniano, vai passando e conhecendo o processo tanzaniano que, na época, estava em construção, já com uma esperança muito grande - um pouco socialismo, um pouco empresa privada. Infelizmente, é um processo que está provado que gerou uma luta interna entre capitalistas e socialistas, que é sempre ganha pela corrupção. A corrupção sempre ganha essa batalha. Ou ela é eliminada de um país ou ganha. Ela tem todas as armas.
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Em 31/08/2005, às 03:42:43,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
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Agora, no cinema, a experiência foi meio frustrante. Gostei da experiência de trabalhar como ator, ao lado de Tânia Scher, companheira e grande atriz, mas a decepção foi nas relações da produção. Ninguém receber pelo trabalho é duro. Passam até hoje, ganham dinheiro com esse trabalho, e a gente não tem como acionar juridicamente porque faltam os instrumentos para isso.
- ANDAM DIZENDO POR AÍ QUE VOCÊ NÃO É BREGA, NÃO É GUERRILHEIRO, BOSSA-NOVISTA NEM SERESTEIRO. O QUE DIRIA PARA AJUDAR NUMA DEFINIÇÃO DO TAIGUARA DE HOJE?
- Estou me sentindo entregue ao meu coração. Estou sentindo que meu coração está na boca, querendo falar. E esse coração não é só romântico; está cheio de feridas por um lado e de esperanças pelo outro. E tudo isso vem do povo mesmo. É amor de muita gente, entende? Vejo que daqui pra frente, é procurar, cada vez mais, ouvir e ser ouvido. Diálogo. A dialética da natureza tomou conta de mim. E falando nela... (ele oferece chimarrão.)
- VOCÊ TEM QUATRO FILHOS DE DUAS RELAÇÕES PASSADAS - IMYRA MARIA, DALINE MOÍNA, TAJIRA KILIMA E SAMORA POTIGUARA. COMO É A SUA RELAÇÃO COM ELES?
- Domingo passado eu os trouxe aqui pra essa suite (do Othon Palace, onde esteve hospedado, durante sua estada no Rio). Ficamos só eu e eles. Vocês precisavam ver essas poltronas viradas de cabeça pra baixo (risos).Curtimos adoidado. Fomos à praia juntos, a gente é muito amigo.
Imyra, do primeiro casamento, está em Brasília, tem 11 anos. A Moína também tem 11 anos, a Tajira tem 7 anos e o Samora no domingo (dia 24/05), fez cinco anos. A festinha dele foi aqui. É fogo. Ele pegou uma vela vermelha, que o hotel tem para quando falta luz e disse: "Oba, minha vela de aniversário". Ele queria comemorar o aniversário na rua. Comemorou aqui, no restaurante chinês, comendo a comidinha que eles gostam, tudo de que gostava.
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Em 31/08/2005, às 03:53:25,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
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No final de tudo, ele não estava satisfeito e queria comemorar na rua. Então não teve jeito: tivemos que sentar na calçada, como queria, pra ele cantar parabéns na calçada e apagar a vela ali. Aí, ele ficou satisfeito.
- TAIGUARA, COMO VOCÊ ESTÁ VENDO A MÚSICA QUE ANDA PELOS VEÍCULOS DE MASSA ATUALMENTE?
- O Brasil está muito invadido, muito despersonalizado e não precisa disso. Aqui dentro tem uma miscigenação tão linda, todo mundo convivendo com todo mundo...é um universo, o Brasil. Na Tanzânia vi muito isso. Os tanzanianos gostam do mundo. O brasileiro tem essa coisa: não era preciso abraçar o que vem do exterior, assim com tanto conformismo. A gente já miscigena, é roqueiro natural, não precisava mais de rock do que a gente é roqueiro. Passou da conta. A nossa música teve que se exilar lá fora, é uma música internacionalista; a bossa nova é internacionalista; as manifestações culturais costumam não ser racistas, costumam não ser nacionalistas do ponto de vista da permanência dentro de uma fronteira... o Brasil gosta de ser ouvido no mundo e gosta de ouvir o mundo. Esse processo foi interrompido pelos militares, porque, com medo de todo tipo de manifestação, achando tudo subversivo, eles preferiram essa invasão cultural como forma de garantia no poder. Os nossos artistas começaram a se exilar lá fora, uns por motivos políticos, outros porque não trabalhavam mais e estavam morrendo de fome, outros porque não gravavam há mais de 10 anos... e foram indo. Agora tem uns na França. Alemanhã, outros nos Estados Unidos, Itália, Espanha, Portugal...
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Em 31/08/2005, às 22:20:41,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
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- O QUE VOCÊ VISLUMBRA PARA A MPB, NUM FUTURO PRÓXIMO?
- A gente tem que lutar muito, primeiro para conhecer a nossa realidade, porque está muito fora dela. E o papel da cultura - penso que é o mais importante - é trazer a realidade brasileira pro palco e não omití-la.
- FALANDO EM CULTURA, SUA MÚSICA SOFRE INFLUÊNCIA DE CULTURAS VARIADAS. E O SOM GUARANI, QUE LHE ENSINOU A TRABALHAR CANTANDO; O CONTINENTE EUROPEU, POR ONDE PASSOU E ADQUIRIU O AGUDO, O CELESTE; E SÓ AGORA - APESAR DE SEUS 10 ANOS DE PESQUISA NESSA ÁREA -O SEU LADO AFRO AFLOROU PRA GENTE, ALIÁS DE MANEIRA TÃO GOSTOSA NO SEU RECENTE SHOW NO CANECÃO. O QUE LHE ENSINOU ESSA SUA PASSAGEM NA TANZÂNIA - CONTINENTE AFRICANO?
- Sou africano, em primeiro lugar. A gente, Brasil é africano, é um país da África. Não importam as léguas de mar que nos separam. Estamos na era da cibernética, na era dos jatos, das comunicações e cada vez mais temos a possibilidade crescente de assumir a nossa africanidade. Ser angolano como a gente é ser namibiano, como a gente é. Salve a Namíbia!
- ACHEI MUITO INTERESSANTE O QUE VOCÊ DISSE OUTRO DIA: "A ÁFRICA MUSICAL MOSTRA QUE O INFERNO NÃO EXISTE. EXISTEM OS PÉS E ELES PRECISAM DANÇAR". E TAMBÉM A COMPARAÇÃO ENTRE ÁFRICA E EUROPA: A PRIMEIRA É O SOM GRAVE, É O CHÃO, A TERRA. O SEGUNDO CONTINENTE É O AGUDO, O CELESTE.
- É bonito, né? Seria juntar o céu e a terra, formando o universo.
- SUA MÃE - OLGA CHALAR DA SILVA - É MÃE DE SANTO E ADEPTA DO CANDOMBLÉ. ELA TEVE ALGUMA INFLUÊNCIA NESSA SUA BUSCA PELA CULTURA AFRO?
- Teve também, teve sim. Ela sempre me chamou pra aprender, maeu eu ainda não pude me dedicar.
- VOCÊ É LIGADO À RELIGIÃO?
- Não. Respeito todo os deuses, acredito em todos eles, porque acredito na humanidade e a humanidade não acredita por algum equívoco, não. A humanidade acredita porque existe, há no que acreditar.
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Em 31/08/2005, às 22:33:49,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
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- OUTRO TIPO DE INFLUÊNCIA QUE DONA OLGA DEVE LHE PROPORCIONADO FOI DENTRO DA PRÓPRIA MÚSICA, JÁ QUE ELA TAMBÉM ERA CANTORA.
- Ah, claro, desde criança. Ela me ensinou a Maysa, Doris Monteiro, que assistíamos juntos. Minhas primeiras influências musicais vêm da minha mãe mesmo. Porque meu pai, músico, trabalhava muito e fora de casa. Minha mãe foi me plantando, cantando comigo. De vez em quando eu a acompanhava com samba-canção de Dolores Duran, Maysa, Doris Monteiro, Luís Vieira, que já era o samba-canção molhado do Nordeste.
- TINHA TAMBÉM O SR. UBIRAJARA DA SILVA, SEU PAI, COM OS BANDONEÓNS, ACORDEÓNS, BANDESSONS, QUE, ALIÁS, ARRASOU NO CANECÃO, SENDO APLAUDIDO DE PÉ PELO PÚBLICO.
- É, mas isso aí começou mais tarde. Meu pai me combateu muito. Ele não queria que eu fosse músico, queria que concluísse o curso.
- DE DIREITO...
- É, houve uma luta muito grande. No segundo ano da faculdade larguei o curso. Ficamos mal, eu e meu pai.
- MAS ELE ESTÁ TODO ORGULHOSO COM SUA VOLTA.
- Tá. Ele viu que não tem jeito, não tem conserto. É aí tem que ter concerto (risos).
- TAIGUARA, EM TERMOS DE MERCADO, FICOU INSTITUIDO QUE O DISCO DEVE VIR PRIMEIRO QUE OS SHOWS. MAS VOCÊ CHEGOU, OU MELHOR, RETORNOU, FAZENDO O CONTRÁRIO. POR QUÊ?
- Pois é, sempre pensei no disco primeiro. Mas o contato com as pessoas, porque esse trabalho era um trabaljho aprendido de lá... pra fazer essa roda, tinha que ter um contato com o público. O disco de estúdio corria o risco de ser um... de falhar nesse diálogo, de não ser o que as pessoas estavam precisando ouvir, pra compreender os 13 anos de afastamento. Porque, na verdade, esse silêncio é o meu trabalho. Esses 13 anos de silêncio e produção, testemunhos e aprendizagens, viagens... é esse o berço do neném aí, no Canecão.
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Em 31/08/2005, às 22:55:24,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
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- ALGUM PROJETO FONOGRÁFICO?
- São duas possibilidades: a de fazer um disco ao vivo, mantendo a idéia da dinamicidade, com o povo se manifestando durante o que tem menos qualidade, né? E esse trabalho exige que apareçam os instrumentos, o equilíbrio, pra demonstrar a africanidade de algumas melodias, quer dizer, pra coisa ficar clara, seria preciso fazer no estúdio. Estamos estudando as duas possibilidades. Vamos ver o que vai surgir agora. O disco deve se chamar 13 Outubros.
- SÃO 11 DISCOS ATÉ AQUI?
- Foram 11 LP´s, sendo que nove são meus, e um com a Claudette Soares e o outro - Crônica da Cidade Amada -, que tem faixas também com Grande Otelo e Blecaute, que foi trilha sonora do filme. Na verdade, não são 11, não são 12, porque tem o Canções de Amor e Liberdade lançado em 83, que foi o último.
- TAIGUARA, É SABIDO QUE SEU ASSUNTO PREFERIDO, DEPOIS DA MÚSICA, É A POLÍTICA. VOCÊ, QUE FOI UM CIDADÃO INCLUSIVE ENVOLVIDO COM O GRUPO MR-8, SEMPRE EM BUSCA DE UM MUNDO SOCIALISTA, COMO VÊ O BRASIL DENTRO DESSE CONTEXTO, ATUALMENTE?
- Não fiz parte deo grupo MR-8, por considerar que as propostas de prática, as propostas táticas lançadas contra a oposição sindical criavam uma divisão, uma das muitas divisões com as quais não concordo. Trabalhei com eles em Hora do Povo (jornal) e, dessa discussão dinânica, brotou um trabalho de um ano, discutido na própria página. Até que não deu certo, porque eles mantiveram as idéias deles e eu mantive as minhas. Aí, nos separamos, em 82.
- E COMO VÊ O BRASIL NESSE CONTEXTO POLÍTICO ATUALMENTE?
- Vejo que, pela primeira vez, a gente começa a tomar consciência da necessidade de união. Não de unidade, pela cúpula, mas de união popular, nas ruas.
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Em 31/08/2005, às 23:10:55,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
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A mobilização pelas diretas, que se comprovou eficaz e só foi derrotada devido às ilusões de uma parte das lideranças, que lançou tudo na mão dos políticos e ficou esperando o resultado. Só podia dar no que deu. É uma união que vem da juventude, cansada de empulhação, papo furado, políticos politiqueiros, da direita, da esquerda, todos oportunistas - sempre promovendo essas unidades, pela cúpula, que não dão em transformação social nunca. E a carestia prossegue. Quando o povo foi um movimento efetivo, de mais de 100 milhões de brasileiros na rua, compreendeu essa lição, eu vejo, todo mundo fala isso - nas mãos dos políticos não vai dar certo nunca. Porque eles deram as costas pro povo e foram lá, votar no Colégio Eleitoral, pros candidatos dos militares, porque o Tancredo era o candidato ideal dos militares e das multinacionais - claro que era. E nos empulharam com essa história toda, com essa mentira, e a gente tá sabendo, tá vendo que, pela primeira vez, precisa de uma união pela base, de um movimento que não entregue o resultado de suas conquistas a ninguém lá em cima, na cúpula. Que prossiga pela base pressionando, na rua, mobilizando as massas, os camponeses, os operários pelo Brasil inteiro, para promover as mudanças necessárias. Mudanças, não. Até dessa palavra a gente está enfastiado (risos). Mudança é para automóvel; gente quer transformação social (risos).
- É O PAPEL DA CENSURA, HOJE?
- É uma censura reciclada, né? Ela está aí sob a forma dessa lavagem cerebral, da autocensusa, do que resta dos mecanismos do poder, que retiram toda e qualquer possibilidade econômica de promover o que chamam "música de protesto" e não querem. Na área da música, por exemplo, na área do teatro também...
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Em 31/08/2005, às 23:27:39,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
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O João das Neves está aó, fazendo um sucesso danado com o espetáculo "A Nossa Voz", lotando o teatro todos os dias, mas a direita da imprensa está o tempo todo dizendo que ele é panfletário. Saiu uma matéria, a meu respeito, nesse sentido também, dizendo que é um absurdo eu dizer que o povo brasileiro tem tradições revolucionárias e disse um absurdo, falando que o Anti-Dühring é do Engels. Isso porque quis citar um trecho que, na verdade, é escrito a duas mãos. E o texto diz assim - vê que isso não tem nada a ver com política, o trecho de Karl Marx e Frederic Engels que a gente chama com carinho "esses dois alemães do mundo" - : "A necessidade só é cega quando não é compreendida, e liberdade consiste em reconhecer a própria necessidade". Essa é a concepção de liberdade mais linda que já vi. A partir da necessidade humana, a liberdade. E diziam que eu estava fazendo política, e a gente fica tendo que responder a essa crítica, desinforma, na verdade. Uma besteira. Não disseram nada sobre a frase que citei no palco, sobre o conteúdo, sobre o que eu quis dizer. O livro, está em segundo lugar, não interessa.
- VOCÊ DISSE CERTA VEZ QUE, SE NÃO FOSSE TAIGUARA, GOSTARIA DE SER CAETANO VELOSO, RESPONSABILIZANDO-O INCLUSIVE E A GIL PELO PROCESSO DE ALERTA PARA OS REAIS PROBLEMAS DA MPB, EM FACE DA GRANDE MAIORIA QUE A PRODUZIA: A JUVENTUDE. DESTACATIA O SURGIMENTO DE OUTROS CAETANOS E GILS NESSE CENÁRIO?
- Ah, sim. Não me lembro de ter dito exatamente que eu gostaria de ser o Caetano, mas que o trabalho que me dava vontade de ter feito, gostaria de ter feito. "Não me olhe como se a polícia andasse atrás de mim" (risos). Colocar-me no lugar da mulher, dess maneira genial, com essa honestidade do Caetano. Sou fã dele mesmo. E tem muita gente boa por aí.
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Em 31/08/2005, às 23:44:06,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
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Tem um poeta baiano - o Eduardo Boaventura -, um poetaço; têm músicos lindos, novos aí pelo Brasil todo; no Rio Grande do Sul, naquelas califórnias da canção, t~em surgido músicos incríveis. Conheci o Maurício de Sorocaba - grande cantor e composito; vem aí; a Gabi de São Paulo, uma grande cantora que vem aí. Essa gente vai chegar com tudo, agora, no cenário.
- E OS QUE JÁ ESTÃO AÍ, OS GRUPOS?
- Quem faz um trabalho que admiro muito, pelo interior todo, com uma Kombi velha, cantando pro povo, ouvindo, aprendendo e ensinando, é o Terancón. Adoro ele.
- TAIGUARA, NA ESTRÉIA DO SEU SHOW NO CANECÃO, PUDE NOTAR UMA PESSOA ANGUSTIADA, QUE GRITAVA, ENTRE UMA MÚSICA E OUTRA, O NOME DO LOBÃO. COMO VOCÊ VÊ A SITUAÇÃO EM QUE SE ENCONTRA O SEU COLEGA?
- O sistema de inspiração nazi-fascista precisa de bodes expiatórios. Então, assim como eles devem ter produzido esse vírus maldito (AIDS) em laboratório, e racistas que são - porque o racismo é um braço do imperialismo - muito útil - porque, enquanto pregam inferioridade do que chamam de raça, dos povos, vão nos dominando, a partir da própria psicologização da sociedade, e conquistando a máquina de milhões de seres humanos que trabalham como escravos quase de graça, em seus serviços. Da mesma maneira, pegaram o Lobão pra pato. Acontece que o Lobão não é pato e está diznedo com a maior sinceridade, que tem a dizer. Tenho toda a esperança, quase certeza, de que isso é mais uma armadilha que vai se voltar contro eles. Um tiro que vai sair pela culatra, mais uma vez, se Deus quiser.
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Em 31/08/2005, às 23:54:02,
Poti/Tajira/Moína
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fotolog
disse:
CONTINUAÇÃO DO POST: Entrevista Revista Amiga - 24/06/1987
- E VOCÊ CONFESSOU TAMBÉM, NO SHOW, QUE JÁ HAVIA ENCONTRADO AQUELA MANHÃ QUE PERSEGUIA. COMO E QUANDO FOI ESSE ENCONTRO?
- Foi progressivo. Esse encontro foi com jornaleiros, marxistas de Londres, com os amigos tanzanianos; um amigo alemão, na Tanzânia, que me ajudou muito a ir para a Etiópia, com o meu encontro decisivo no Brasil, com Prestes; os companheiros da imprensa, que sofreram tanto; o encontro com a juventude brasileira, que eu pensava alienada e, quando voltei, constatei que começava a ficar de saco cheio, que não tinha mais alienação que empolgasse a juventude, e foi isso que originou o movimento punk e outras coisas, mais conscientes e políticas que estão por vir aí - que grandes lutas se avizinhavam e a juventude vai participar delas na frente, na vanguarda. Creio que melhor do que em 68, em Paris, esse futuro está bem palpável, cada vez mais. Está acontecendo essa mobilização como única alternativa. As pessoas estão se unindo pela base e compreendendo os problemas comuns. Aos pouquinhos, isso está acontecendo, apesar da desinformação. Isso foi progressivo, vem vindo, principalmente de 76 pra cá.
- E SEUS PROJETOS EM TERMOS DE CARREIRA, ALÉM DO DISCO?
- Nesse sentido, da música, o encontro com Hermeto Pascoal foi fundamental pra mim. Agora, o que sonho é não ser extremista apenas na área da música como eu fui em 76, ao lado de Hermeto e da Sinfônica (orquestra com a qual gravou o LP ao lado de Hermeto). E não ser extremista na área da raíz, da denúncia política e preservação da nossa cultura, como fui no Canções de Amor e Liberdade.
ENTREVISTA A LÍLIAN WANDERLY
FIM DA MATÉRIA
OBS.: Quem quiser ler a crítica que Taiguara cita nessa entrevista, solicitar pelo e-mail: moinaproducoes@yahoo.com.br
Em 1/09/2005, às 09:25:21,
Ramon Rodrigues Borges
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e-mail
disse:
Em 1986 Taiguara deu um show em Juiz de Fora MG, e eu tive o privilégio de assistir. Arranjei um gravador daqueles de mão e gravei grande parte do show, não sei se este material terá condições de ser salvo, mas abriria mão dele com muito prazer para que vocês tentassem recuperá-lo.
Durante anos me considerei o maior Taiguarólogo do Brasil, tendo feito vários contatos com o Joelson Lima em diversos shows, Quando não dava para me aproximar do Taiguara, por ser grande o assédio, batia algum papo com o Joelson, até que Taiguara nos deixou e perdi o contato com o grupo.
Caso vocês se interessem pela fita, me orientem em como remeter para vocês.
OK? Um abraço Ramon
Em 2/09/2005, às 01:19:44,
jocimar
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página pessoal
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e-mail
disse:
Que belo trabalho de divulgação. Valeu o esfôrço de digitar esta imensa matéria. Parabéns e obrigado em nome de todos taiguarianos. Mas tem algo que precisam saber: Taiguara é sede e sede volta sempre. Passe o tempo que passar a sede Taiguara não cede nunca! Abreijos
Em 2/09/2005, às 05:46:01,
marcos pinheiro
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disse:
Ouvir a voz, suas canções e idéias, assistir a um show e, sentir toda a força que emanava dele, privilégio de poucos. Nós, que tivemos esse privilégio,e, participamos aqui dessa e de outras comunidades que o homenageiam, temos o DEVER, a OBRIGAÇÃO de popularizar suas ideias e canções. E, num momento político e social tão triste e vergonhoso como o que vivemos hoje, TAIGUARA nunca esteve tão atual, Tão necessário.Acho que hoje, sua canção mais atual, e mostra bem o momento em que vivemos, é a que diz::
TENHA VERGONHA DE SER BRASILEIRA
TENHA VERGONHA POR SER BRASILEIRA
TENHA VERGONHA PRA SER BRASILEIRA
Divulguemos Taiguara., Ensinemos Taiguara, vivenciemos Taiguara , para que o seu sonho se realize, e que num futuro próximo, realmente AS CRIANÇAS CANTEM LIVRES
Em 16/10/2005, às 14:29:21,
Ozenildo Costa
disse:
Recife, 16 de outubro de 2005
Salve Taiguara !
Nessa manhã de domingo, ao abrir um email enviado por uma amiga, tive a grande surpresa e o imenso prazer de ler essa importante entrevista que o grande cantor e compositor fez à revista Amiga em 24/06/87. Um texto cheio de boas impressões num diálogo saudoso, puro e idealista com a coerência que sempre marcou sua vida artística e política.
A sua obra artística é imortal e marcou toda uma geração. Ainda hoje suas belas canções românticas tocam no íntimo daqueles que foram seus contemporâneos e também de outros que não tiveram privilégio de viver aquela época, mas só em ouvi-lo já é o bastante para admirá-lo.
Eu tive esse privilégio. Mesmo ainda no início de minha adolescência tive o primeiro contato com as canções do Taiguara através de meu pai, que sempre quando ia para banheio começava a cantar o grande sucesso do momento: a canção inesquecível HOJE. Era 1969. O homem havia chegado a lua pela primeira vez; a seleção brasileira era convocada por João Saldanha para a copa 70; a vida política de nosso país era comandada por "mãos de ferro". mas a vida continuava, o sentimento de ternura jamais morreria, mesmo com o desaparecemento do grande Che guevara. E, nesse contexto histórico, as rádios do Brasil inteiro não paravam de tocar e o público não parava de ouvir HOJE, UNIVERSO NO TEU CORPO, NOTÍCIAS DE JORNAL...dentre outras líricas canções de um romântico moderno.Talvez, o últimos dos românticos.
O ídolo afastou-se de seus fãs por mais de uma década. Mas, não deixou órfão o seu fiel público. e em 1988, no teatro guararapes de Recife, tive o imenso prazer de assistir ao seu inesqucível show. Senti-me como num sonho em vê-lo pessoalmente e com a mesma voz e interpretação que emocionou àquele garoto em 1969.
QUE AS CRIANÇAS CANTEM LIVRES ! E QUE ENSINEM SONHOS A QUEM NÃO SOUBE AMAR SEM DOR....
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