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TAIGUARA - "Que As Crianças Cantem Livres"

Postado por Poti/Tajira/Moína em 14/10/2005 23:32

1986 - Taiguara em show no Anhembi
LEMBRANÇAS:
Jocimar

A canção Geração 70 fazia furor nos corações jovens.
Taiguara estava demorando.
Seu espetáculo seria numa casa de shows perto do Viaduto Maria Antonia em Sampa.
Quase sem dinheiro, eu havia esperado a semana toda para tentar assisti-lo.
Era meu sonho. Assisti-lo. Novamente. E sempre.
De repente...
Chegou o artista. Muito jovial, iluminado e foi para a lanchonete da esquina.
Segui-o quieto com o coração apressado.
Quem tem um ídolo sabe como é este momento.
Ele curtia um cabelão e bata lilás. Devia ser meia-noite.
Pediu e sorvia suco de laranja pelo canudinho. Eu o observava.
Lia o livro Desperta América Latina. Muito concentrado.

Com a emoção suspensa em minha aura, criei coragem e força íntima.
Dirigi-me ao ídolo:

--- Com licença?
--- Pois, não. Sorriu-me
--- Posso pedir-lhe um favor?
--- Diga lá, companheiro.

Expliquei-lhe a intenção:

--- Vim para assisti-lo. Quero muito vê-lo tocar e cantar. Mas estou sem nenhum dinheiro para entrar...
--- Não é problema. Fique por aqui e quando meu conjunto chegar daremos um jeito.

Aguardei.

Chegaram algumas fãs.
Uma atendia por Marisa e trazia uma flauta.
Ele parou de ler e abraçou-a demoradamente.
A mim pareceu ser uma ex-namorada.
Depois tocou a flauta.

O conjunto A Transa chegou com os instrumentos.

Taiguara cumprimentou-os, teve a idéia e falou:

--- Dê um instrumento para este meninão aí levar para dentro. Hoje ele faz parte da nossa equipe.
Apontou para mim e sorriu alvamente.

Fiquei feliz, fiquei contente. Achei bonito o gesto.
Peguei uma parte da bateria e fui para o palco fingir que trabalhava.

Fiquei ali. Assisti tudo de pertinho.

São lembranças. Vida vivida com delícia.

Por estes e outros raros momentos vivo adornado de emoções taiguarianas.

Pouco tempo depois foi lançado o LP ¿FOTOGRAFIAS¿.
Nele as canções: FLAUTA LIVRE e SAUDADE DE MARISA.



Comentários (2):

Em 15/10/2005, às 09:27:04, jocimar | página pessoal | e-mail disse:
É um momento inesquecível. Dia seguinte meu irmão tb foi lá e sempre lembra que o Pelé tb estava com sua Mercedes placa GOL 1000 - (isto no tempo que placas só tinham 2 letras)Meu irmão voltou encantado e conversamos sobre Taiguara até o dia amanhecer. Eu continuo amanhecendo e taiguariando, sempre. Abraço todos.
Em 18/10/2005, às 15:29:22, João Henrique Weber Ruiz | página pessoal | e-mail disse:
Pro Taí (Cronica feita para a Universidade FM de Londrina, PR)

Fases, tendências, épocas e viagens, sempre mudam....
O cão, o gato, o unicórnio e o transeunte, também, por varias variáveis, mudam...

Certa me perguntaram...e você, por que essa metamorfose?

Mudo sim. O geminiano apático sempre muda. Muda tanto que fica irreconhecível após um banho ou decadência.
Único ser imutável é o amor. Imutável pelas formas e fôrmas que adquire. Amor, ser ousado, varias faces e asas mui grandes. É eterno mesmo que passageiro.

Quando brota, semente pesada como ferro, faz dum coração, mesmo que pequeno, mais pequeno ainda ser.

Este, com latitudes longitudinais imensas é escravo de si mesmo. É mero coadjuvante do ser que lhe porta. E todo mundo porta amor. Já nascemos com ele cravado meio aos dentes como piruá de pipoca mal feita.

Taiguara, poeta maior, certa vez disse em uma de suas líricas: “O asfalto é ver jardim, se você crê”.
Este asfalto é o junco, cimento bruto que os homens usam pra isolar seu coração e alma.

Assim os seres se tornam, cada dia menos, humanos. Cada dia menos amáveis. A geração futura será carente de pureza se já não é.

Resta a coragem, que a muitos ainda falta, de beijar a companheira, abraçar os amigos, e andar de mãos dadas com o amor, que há muito nos cutuca pra olhar pra ele.

J.H.W.Ruiz
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