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Categoria: Diversão
Postado por Angela Vega em 14/11/2005 00:50

O CORTIÇO
Depois de mais de quinze dias no exterior, domingo passado, resolvi matar as saudades de dançar tango e fui no novo espaço do Baile Milonga del Domingo, que conforme informações obtidas , já vem sendo realizado a tres ou quatro semanas no Restaurante “O Cortiço” na Rua das Laranjeiras. Pude constatar que está cada dia mais dificil freqüentar bailes de tango em nossa cidade.

Com todo o respeito que tenho pelos meus amigos e professores Bob Cunha e Aurya, cheguei à conclusão que tal lugar não está à altura e nem chega perto do nível dos bailes dominicais, que vinham sendo dado pelo casal nos lugares anteriores.

O mesmo preço de R$15,00 que era cobrado nos outros maravilhosos salões, está sendo cobrado por um salão precário de iluminação (as luzes acendiam e apagavam em função de defeito na rede elétrica) , com teto e paredes arrebentadas, com um piso metade de tábua corrida e a outra metade de ceramica com uma divisória no meio, que nos fazia tropeçar a cada instante.

Sem ar condicionado, o baile com sete casais apresentava um ambiente de melancolia e se agravava em função de não haver “cortina” com um bolero, um forró, um samba, o que faz com que o astral fique mais desanimado. Esses ritmos só foram tocados ao final do baile, quando todos já estavam indo embora. Isso tudo contribui para um ambiente pesado, nostálgico, sem vida.

Para completar , pedimos ao garçom uma pizza de frango e, para nossa surpresa, misturada à carne de frango havia vários ossinhos, sendo um perigo para quem está com pouca luz na mesa (luz vai e volta). Reclamamos com o garçom, que não deu a menor atenção para o fato ocorrido.

Conclusão : Gastamos muito num lugar que faz jus ao seu nome : O CORTIÇO. Não dançamos quase nada e ainda corremos o risco de morrermos entalados com osso de galinha.

Bob e Aurya, adoro vocês! Por favor , saiam dessa! Vocês são pessoas que, ao se apresentarem em qualquer espetáculo, deixam qualquer um emocionado. Vocês precisam de um espaço condizente com o nível de profissionalismo que vocês tem. O baile de vocês é muito importante, porque o dia e a hora em que é realizado são compatíveis para quem tem que começar a trabalhar no dia seguinte.

Muitos dançarinos estavam considerando o seu baile no Rio Copa Hotel como sendo um dos melhores da semana. Nao tem nada melhor do que curtir um baile, dançar muito num domingo à noite, ao invés de curtir desgraças no programa Fantástico da TV Globo.

Para que tudo isto aconteça, precisamos estar num ambiente alegre, acolhedor e condizente com o preço que nos está sendo cobrado.

Acorda, amigo! Não deixe o tango acabar nos domingos, precisamos deste espaço.

Beijos. Angela Vega



Comentários (6):

Em 15/11/2005, às 14:27:55, Tangueira disse:
Eu não fui, mas depois do que li, com certeza não irei...
Em 16/11/2005, às 19:44:09, Raquel | página pessoal | e-mail disse:
Oi, Angela! Parabéns pelo site e pela sua franqueza. Me deu uma tristeza muito grande ao ler o comentário acima, porém logo depois recebi um e-mail com o aviso: a Milonga Del Domingo mudou-se para Copacabana, no Restaurante Top Beer, Av. Atlântica, 1910. Vamos torcer para que desta vez os queridos Bob & Aurya tenham mais sorte - eles merecem!
Em 24/11/2005, às 17:08:51, Rubén Ceballos disse:





Ângela, estou por escrever para vc desde que li tua nota sobre o local do baile organizado pelo Bob Cunha. O que me empurrou a fazê-lo agora foi um comentário feito a mim por um conceituado Profissional do Tango, no baile na sede do Vasco dia 19 de Novembro.
Primeiro quero te dizer que concordo com teu comentário e com todos os comentários que se fazem sobre a organização dos bailes (que, na minha opinião, deixam muito a desejar) a objeção que faço é que, talvez vc foi um pouco apressada pois logo após o Bob estava mudando de local e a segunda objeção é (e não sei se aconteceu, não me pareceu) que o Organizador do baile deveria tomar conhecimento da tua insatisfação antes de publicar o texto, para dar a ele a oportunidade de justificar a escolha do lugar, feito isto teu comentário refletiria tua insatisfação e a justificativa do BOB, pelo demais todo esta dentro dos “conformes” vc não agrediu ninguém,não ofendeu ninguém, não tentou macular a imagem de ninguém, pelo contrario transpareceu no teu texto a vontade de querer colaborar no sentido de dizer ao organizador que vc e muita gente (que seguramente tua opinião representa) não se sentiram bem num lugar nessas condiciones.
A meu ver a reação do profissional, mencionado acima, foi desmedida fincando sua posição em não aceitar qualquer crítica relacionada aos profissionais e aos organizadores de bailes o exagero me fez lembrar a época da ditadura em que vc tinha que aceitar tudo calado ou sofreria represálias, aqui no tango você emite tua opinião e se ela não for para adular, quem a escreveu, e considerado um inimigo, condenado a pena mínima de não mas ser cumprimentado por aquele profissional e os que o rodeiam; se a moda pega seremos ate barrados nos bailes. È frustrante que o pessoal que organiza e os chamados profissionais não tenham a crítica como um aliado, como uma ferramenta importante que pode ajudar os bailes que estão em baixa a sair do buraco. Uma crítica, uma observação sempre é positiva
Em 24/11/2005, às 17:15:37, Rubén Ceballos continua texto anterior disse:
sempre é positiva pois trai no seu bojo a insatisfação do consumidor e a dica do que deve melhorar para uma melhor aceitação, a maioria dos profissionais esta obnubilado pelo seu próprio ego, conseqüentemente não consegue ver o erro e muito menos corrigi-lo.
Espero, Ângela, que continue dando tuas opiniões de forma objetiva tanto para elogiar como para criticar e que a ditadura acabe para dar passo á Democracia que precisa permear nossas relações sociais.
Finalmente, quero destacar que toda regra tem sua exceção e nesta exceção e que colocamos os poucos profissionais que agem no controle do seu ego em beneficio do Tango e do Tanguero que paga seu ingresso para ser bem atendido. Abraços.
Rubén Ceballos

Em 28/11/2005, às 19:04:29, sergio almeida disse:
Concordo com o missivista totalmente. Um profissional que ofereça serviços de lazer, seja ele qual for, deve se preocupar, primacialmente, com seus consumidores, pois são eles que ao pagar alavancam o negócio e dão o esperado retorno pessoal e financeiro ao investidor e/ou empresário. Para tanto é fundamental auscultar as expectativas do público alvo, seu perfil social, econômico e cultural para que, a partir daí, se logre oferecer um produto com uma potência desfrutável e que se torne capaz de atrair novos consumidores e manter cada vez mais atraídos os frequentadores habituais. Isto tem um nome na psicologia do comércio: chama-se o apagamento narcísico do prestador de serviços. Por tal instrumento um profissional competente irá, progressivamente, tentando descobrir em termos do artigo que oferece o que tem mais apelo em função da respectiva clientela que o consumiria, deixando assim, de lado, suas particularidades ou interesses mais singulares.Numa época onde as tensões sociais obstaculizam enormemente o prazer esta indagação deveria nortear qualquer projeto que se pretenda ter um mínimo de exeqüibilidade profissional e/ou comercial.





Em 29/11/2005, às 00:11:37, Angela Vega | fotolog disse:
Amigos Rubén e Sergio Almeida :

Agradeço os seus comentários e fico muito contente quando as pessoas conseguem ver na crítica um aliado, ou seja, algo importante que poderá contribuir de alguma forma para que tudo que vem sendo feito fique ainda melhor. Sempre que escrevo, não tenho nenhuma intenção de falar da pessoa, de magoar, nem de prejudicar ninguém. Pelo contrário, faço parte da Comunidade Tangueira e tenho como compromisso fazer com que todos os participantes sejam beneficiados pelas melhorias que possam ser feitas através dos meus comentários. Com sinceridade, respeito e carinho pelos profissionais e amigos, procuro sempre exercer a minha cidadania de “consumidora”, e ao mesmo tempo, abrir espaço à todos que queiram deixar registrada a sua opinião.
( Angela Vega )
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