Comentários (8):
Em 22/11/2005, às 08:53:31,
sergio almeida
disse:
Angela: esta sua pergunta contém, em essência, o porquê da inserção ou não do tango como um gênero musical (em todas suas acepções) na cultura brasileira, e mais especificamente na carioca. É necessário considerar inúmeros fatores dos quais destacaria alguns mais evidentes - na minha opinião: a) o caráter intimista, introspectivo (que não é mesma coisa que triste ou melancólico) absolutamente imperioso na audição ou na dança de um tango e que confronta com um certo ideário carnavalesco que, como ítem cultural marcante, predomina no imaginário cultural brasileiro; b) a vigência, dentro desse mesmo cosmo cultural, do tango como música prostibulária e cabareteira que ainda permanece vigorosa em determinados segmentos culturais da brasilidade;
c) uma profunda rivalidade com os argentinos que se mantém atuante na alma brasileira (nem sempre assumida ou consciente) e que leva a considerar as manifestações culturais do país vizinho como sinônimo de mau gosto ou vulgaridade (indague, por exemplo, aleatoriamente a qualquer frequentador das boates da Barra, da praça N. S. da Paz, da Lapa ou dos bailes suburbanos do Rio qual é a sua concepção(teria que mencionar "idéia", o termo concepção para muitos não seria entendido) sobre o tango e observe o que viria.
Enfim, poderíamos continuar examinando o assunto seguidamente, porém penso que já temos, para iniciar o debate que você sugeriu alguns elementos.
Felicidades, S.
Em 24/11/2005, às 17:19:43,
Ribamar Galiza
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disse:
Sergio Almeida, parabéns pela sua participação inteligente, clara e precisa. Gostaria de aproveitar o espaço, para fazer alguns questionamentos relativos aos ítens dos seus comentários: a) O caráter intimista e restropectivo é realmente fundamental para quem dança um tango. Porém, o que eu observo é que em certos bailes, talvez, devido a falta de renovação de público ou mesmo dependendo dos frequentadores presentes, o ambiente às vezes tem uma tendência de ficar melancólico.b) Será que uma cidade como a nossa, acostumada com tantos rítmos quentes, tais como forró, pagode, gafieira, etc.ainda sofre influêcia de músicas que são ou foram consideradas cabareteiras? c) A nossa rivalidade (talvez, até em nível inconsciente) com os nossos hermanos argentinos realmente existe, e isso provavelmente poderá exercer alguma influencia no nosso processo audivo e interpretativo de sentirmos o tango.
Um abraço,
R.Galiza
Em 24/11/2005, às 20:02:29,
sergio almeida
disse:
Meu prezado Ribamar,
Creio ter havido um equívoco, mas não escrevi "retrospectivo" e sim "introspectivo", palavra que implica a idéia de autorreflexão e um debruçamento sobre si mesmo e sobre os sentimentos que porventura alguém possa estar vivenciando num determinado momento, isto é, dançando ou ouvindo um tango. Entretanto, ao mencionar "retrospectivo", você automaticamente responde a pergunta formulada, porquanto "retrospectivo" alude a um movimento para trás e foi exatamente isso que quis afirmar ao enunciar o aspecto cabareteiro ou prostibulário. Explicarei. Como você já deve ter percebido esses dois vocábulos remetem a redutos que estiveram em voga há décadas atrás, trazendo, portanto, em sua semântica uma carga nostálgica e moralmente comprometida das mais marcantes.Infelizmente ainda hoje, dentro de um universo não-iniciático ou não letrado os tangos contêm, lamentavelmente, esta dimensão transgressora. Eu, particularmente, acho muito bom; contudo não podemos nos esquecer a definição que Leopoldo Lugones, célebre poeta argentino, conferia ao tango, nas primeiras décadas do século XX: "... vil reptil de lupanar". E já que entramos na polêmica, o que você acha das diferenças, em termos de estratos sociais, dos dançarinos e apreciadores do tango no Brasil e no resto do mundo quando comparados ao perfil social(em tese) daqueles argentinos que o praticam ou desfrutam em Buenos Aires? Uma curiosidade: em setembro de 1997, numa festa a rigor comemorativa do aniversário do Teatro San Martin, realizada no Hotel Plaza, na qual compareci, a orquestra que animava o baile, durante todo o tempo que durou o evento não tocou um único tango. Houve música de discoteca, bossa nova, samba e até carnaval. Até hoje este episódio me intriga; afinal comemorava-se uma data importante de uma instituição cultural pública altamente relevante na cultura portenha.
Um forte abraço, S.
Em 25/11/2005, às 08:48:48,
Ribamar Galiza
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disse:
Sergio Almeida, desculpe, mas ocorreu um êrro meu de digitação, digitando a palavra retrospectivo em vez de introspectivo.Na minha opinião existem diferenças muito grandes nas visões interpretativas do tango entre as diversas culturas do mundo. Embora não seja um pesquisador no assunto, eu percebo que na Argentina o tango de uma maneira geral é dançado pela classe social média para baixo, enquanto no Rio de Janeiro o tango é dançado ou sòmente exposto para uma classe social alta, é o que chamo de elitização do tango, o que sou totalmente contra.
Abraços
R.Galiza
Em 4/12/2005, às 11:44:01,
Jairton Barros
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disse:
Angela gracinha, adorei ver no seu site a nossa entrevista,pessoas como vc realmente incentivam os que estão começando.Muito obrigado um abraço do seu novo fã Jairton
Em 19/03/2006, às 19:51:34,
Bailarín de Tango
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disse:
soy un bailarin argentino profesional que da clases de tango en Buenos Aires privadas y grupales y hago bailar a las mininas en las milongas porteñas
gastonespanol@yahoo.com.ar
Em 4/04/2006, às 14:09:38,
Wanyr Almeida ( jornal TangoNews)
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disse:
Tentei colocar no mercado um veículo direcionado exclusivamente para o Tango no RJ.
Retorno de anunciantes pessimo e, não pude infelismente dar continuidade.Gostaria muito voltar ao9 mercado deste ritmo Portenho contagiante. De-me suporte, ajude-me que recoloco no mercado o Tango News,nos moldes do Jornal Dance Ne
Em 4/04/2006, às 14:09:39,
Wanyr Almeida ( jornal TangoNews)
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disse:
Tentei colocar no mercado um veículo direcionado exclusivamente para o Tango no RJ.
Retorno de anunciantes pessimo e, não pude infelismente dar continuidade.Gostaria muito voltar ao9 mercado deste ritmo Portenho contagiante. De-me suporte, ajude-me que recoloco no mercado o Tango News,nos moldes do Jornal Dance Ne