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Textos, fotos, divagações e muito sobre mim.

Categoria: Artes
Postado por Márcio Dornelles em 27/01/2010 01:05

Ah, o bonde da vida!
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Já estava deitado, mas voltei. Porque eu transbordo em mim e as palavras me sufocam. O silêncio dos meus lábios me condena cruel e mentirosamente, como se fora meu próprio advogado e juiz. As coisas não deveriam estar pintadas de branco, tal como as folhas de um caderno novo, sem nada escrito. Cores.

Queria ter a força dos bárbaros e a leveza dos monges, a fé das mães e exemplo dos pais, a doçura dos bebês e a ‘amarguice’ da pimenta, a perícia dos médicos e a habilidade dos jogadores de futebol, com seus dribles inexplicáveis. Mas sou o mesmo pobre homem de sempre, sem pregar demagogia ou esperar compreensão imediata. Apenas permaneço no reduto de mim mesmo. Assim são as corujas, pacientes.

Uma música me invade. Deveria mesmo invadir e balançar e remexer e bulir e sacudir quem quer que esteja aí dentro, fazendo sabe-se lá o que. Mas é tão fácil, não?

Escrever é redenção para o corpo cansado, quando nem a cabeça agüenta o peso dos céus. Sempre que as lágrimas caem, umedecendo o rosto seco, pálido e áspero. É como se tentasse limpar dos olhos o que não pode ser visto ou, além, mostrar o que não conseguem ver.

Márcio Dornelles
27.01.10 - 0h01



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