
Postado por Wondergirls em 01/11/2005 14:20
Nuvem passageira-Parte V
Foi nessa década pré-MTV, quando o jabá não era algo endêmico e plenamente instituído na cultura brasileira e no mercado e a maioria dos artistas não tinha visibilidade muito além das trilhas de novela e programas de tevê como o Cassino do Chacrinha, que se pode dizer que houve o maior “boom” de apostas em artistas que morriam no primeiro compacto. Além das canções citadas, quem não se lembra de “Demais”, com Verônica Sabino, “Kátia Flávia” com Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros, ou as internacionais “I Like Chopin” com Gazebo, “Eyes Without A Face”, com Billy Idol, “Vamos a La Playa”, com Righeira, “Reggae Nights”, com Jimmy Cliff (que voltaria anos depois com “Black Roses”, outra efêmera), “Eternal Flame”, com Bangles; ou já no começo dos 90, “Wicked Game”, com Chris Isaak (cite outra dele!), “Rush Rush”, com Paula Abdul, “Rhythm Is A Dancer”, com Snap!, “What's Up”, com 4 Non Blondes, ou “The Sign”, com Ace Of Base, entre muitos e muitos outros que ficaram no primeiro sucesso.
No período pós-MTV, com as novas tecnologias, como o CD, canais de cabo e Internet, é possível superar sem muito esforço esse trauma do único sucesso. Hoje um artista já ganha um repertório de “smash hits” prontos para estourar nas paradas das emissoras de rádio e canais de tevê que, por sua vez, podem prolongar a carreira de qualquer um. Aliás, muitas gravadoras têm conseguido o milagre de fazer esse pessoal esquecido nas paradas do passado renascer das cinzas com um bom banho de marketing ou um acústico na tevê. Afinal, não e à toa que Cláudio Zoli reapareceu na MTV cantando “Noite do Prazer”. Caso peculiar, Zoli foi talvez o maior sobrevivente dos “eternos efêmeros”. Não há programa de rádio ou festinha de embalo que este não seja lembrada (algo parecido com Collin Hay cantando “Down Under” vinte anos depois do Men At Work, mas essa é uma outra história...).
Em contrapartida, muito do que tem sido lançado nas lojas parece ter decaído em termos de qualidade e validade. A vantagem é que hoje se pode sustentar uma carreira com mais facilidade, por pior que seja a música. Mas ao contrário de clássicos esparsos, como “Aline” ou “Sugar, Sugar”, é difícil imaginar qual será o destino do que é produzido atualmente. Senão, poderíamos apenas citar as recentes “Xibom Bombom”, com As Meninas, a “Dança da Motinha”, com MC Beth, “Ragatanga”, com Rouge, “Cerol na Mão”, com Bonde do Tigrão, e “Éguinha Pocotó”, com MC Serginho — que soam mais defuntas que “Rock Around The Clock” e parecem ter sido lançadas há séculos atrás, já que a parada de sucessos e a roda da fortuna parecem cada vez mais irmanadas. Chama a atenção que, agora, não são os cantores, mas sim as músicas, que têm um prazo de validade cada vez menor
E para quem não suporta a “Ragatanga” e acha que antigamente as músicas eram mais agradáveis, tente ouvir Soeur Sourire cantando “Dominique” e tente não sair do sério ou ficar uma semana cantarolando o tema. Claro que isso não significa dizer que intérpretes “efêmeros” sejam sinônimos de ruins. Até porque, em última análise, bons ou ruins, eles detém um elemento incorruptível que é significar o registro sonoro de uma geração. O que importa aqui é observar que, independente de qualidade, muitas dessas canções eternas e efêmeras são até dignas de antologia.
Comentários (2):
Em 24/12/2005, às 22:29:26,
Antonio Erivaldo
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fotolog
disse:
Uma noite de alegrias e amor!!
Feliz Natal
Antonio
Em 30/12/2005, às 15:42:37,
Antonio Erivaldo
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fotolog
disse:
Obrigado pela convivencia neste ano de 2005, espero que 2006 traga toda felicidade desejada!!
Abraços e boas festas
Antonio