ARTEFARTAMENTÍSSIMAMENTE
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Categoria: Hobbies

Postado por Natalia Bonfim em 06/11/2009 03:14
Pulei fora, cheia de ódio e soberba, e meti o cerebrinho na cara gorda da tal redundância. "Olha aqui, nada presta!" Ao me ver e desaprovar, exigente que sou, transformei o Muro de Auschwitz num espelho, onde vi meus semelhantes. Generalizando, reduzi o mundo a uma fórmula matemática. Sempre que faço isso acabo numa redução ainda mais drástica: primeiro o conjunto fica vazio, depois, inexistente.
Dizem que para escrever bem é preciso ler muito, o que também é generalizar e simplificar demais as coisas. Há os que muito lêem e pouco absorvem. Na voracidade de adquirirem mais conhecimento, se empanturram de informações preciosas e de bobagens (necessárias) que, ao se confundirem com outras, ficam inutilizadas. Não leio muito porque demoro a digerir o conteúdo, passo por estranhas azias. O dilema começa quando leio um livro e me identifico - fico satisfeitíssima! Como já disseram o que eu diria e que muitas vezes nem sabia que queria dizer, me coloco entre aspas, preenchendo um vazio que, no final das contas, não é impreenchível. Porque o vazio, ele mesmo se basta e se auto-empanturra. Já disse quinhentas mil vezes que nunca mais iria comer. Quem nunca disse? O fato é que uma hora dá fome de novo... E às vezes dá vontade de comer algo que não existe. Minha escrita, independente da qualidade, é meu prato inventado, aquilo que eu tenho necessidade de comer, mesmo que seja um punhado de lixo com azeite. No entanto, às vezes a comida que a gente pensa não existir, existe. Talvez mais doce ou mais salgada... Sim! É este o x da questão! Porque, raciocine comigo, se a e b não pertencem ao conjunto dos números reais, e se a é diferente de b, então obviamente é impossível que uma pessoa escreva o que outra já escreveu. Assim como dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço.
Sinto medo enquanto penso nisso tudo. Aos poucos estou aceitando sair do casulo. Antes eu espiava o mundo por uma fresta - não me é totalmente desconhecido este Horror. Mas do alto de um galho resistente eu não via as flores na árvore, brotando, nem no chão, já caídas. Agora que faço a vez de borboleta, deparo-me com uma beleza... morta. E dela me aproprio - tanto mais fácil que de mim me apropriar. Conservo-a dentro d'algum livro, para que a simbiose se concretize e eu possa ter um bom fiapo de vida. Não importa se nada faz sentido nem se tudo é fantasia. Enquanto posso colher mortes na calçada e libertá-las do Horror, posso fazer poesias mudas, inaudíveis, invisíveis, inodoras e intocáveis. Só pelo fato de estar escrevendo agora, já fiz desta ausência de sentidos a própria poesia que, se não é vida, nada mais é. Mesmo eu não me bastando, brinco, e quem sabe um dia visualize algo além. E se isto não acontecer, está feito o rascunho. Eu sou isto, eu sou tudo isto!
Natalia Bonfim
Comentários (2):
Em 6/11/2009, às 07:13:23,
Mente
|
fotolog
disse:
Bom Dia querida,
Estou fora do mundo virtual devido a problemas particulares, já tem muitos dias que não posto, mas às vezes apareço para os melhores amigos...
Acho profundo e pesado demais para sua idade o que você escreve, principalmente porque sua vivência ainda não lhe proporcionou experiências tão profundas, acredito que você deve ter um alto QI, além de ser uma escritora em potencialidade...
Já lí de tudo na vida, mas a internet tem me tomado tempo demais... No momento estou lendo simultâneamente três livros: Mentes Perigosas, Mentes Inquietas e o Alfabeto Afetivo ou da Afetividade... Tudo na área de psicologia... Não sou psicóloga, sou curiosa...
Parabéns por sua maneira tão profunda de escrever e um lindo dia...
Mente...
Em 6/11/2009, às 13:22:26,
Liége
|
página pessoal
disse:
Boa tarde Natália,
Você é uma jovem bem amadurecida para a sua idade: o texto é uma aula, impecável, também, na redação (gosto do português e admiro quem redige bem).
Apesar dos pesares e "apesares" vale a pena enamorar-se pela vida, uma belo poema diário escrito pela sensibilidade e o olhar atento de cada um de nós...
Lindo o conjunto do post! Um ótimo fim de semana, beijos, Liége.