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Sei lá mil coisas

Categoria: Adulto
Postado por Rodrigo em 18/07/2008 13:14

Haja Paciência
Em primeiro lugar, quero deixar claro que reconheço a importância e o valor da paciência. Pessoas impacientes são as que desprezam o curso natural das coisas e esquecem que há um ritmo próprio regendo o que se move no mundo – e tudo se move. Não podemos desejar que a Terra gire em seu eixo em menos que 24 horas, nem que uma parreira dê uvas antes da terceira poda, muito menos que um neném nasça em quatro meses e fale em 20 semanas.
As pessoas dotadas da paciência sábia costumam ser menos ansiosas e têm muito mais chance de alcançar o que desejam. Há belas histórias que ilustram esse fato, como a daqueles vizinhos que plantavam, cada um, seu pomar. Um deles cuidava muito de suas mudas, enquanto o outro sequer regava as suas. O primeiro, indignado, chamou sua atenção:
– Não quero me meter, vizinho. Mas, sem água, suas árvores não crescerão, e poderão morrer.
O homem, então, explicou:
– Estou provocando o aprofundamento das raízes. Se eu regar muito, as raízes ficarão superficiais, pois haverá água em abundância.Como não há, as raízes buscam beber da própria terra, e assim ficarão mais longas, profundas e firmes, o que é ótimo para a árvore.
– Pode ser – retrucou o primeiro – Mas, assim, demorará para que as árvores cresçam e formem seu pomar.
– Eu sei – respondeu o vizinho. – Eu tenho paciência.
Anos depois os dois pomares estavam formados.Aquele que levou mais tempo para ficar pronto dava mais frutos, pois as árvores sorviam mais nutrientes por meio de suas longas raízes.Além disso, quando um vendaval passou pela região, o único pomar que não teve nenhuma árvore arrancada do solo foi o do homem paciente. Santa virtude, a paciência!
O limite
Tudo bem, não dá para discordar do valor e da importância da paciência. Há belas metáforas – como a dos pomares – e até perfeitas construções filosóficas defendendo sua aplicação. Entretanto, vale lembrar que essa maravilhosa virtude perde força quando se confronta com seus inimigos naturais: o desrespeito, a preguiça e a procrastinação. Neste caso, deve entrar em campo a prudência, pedindo reforços para a indignação.
É muito difícil manter-se paciente diante do nítido “corpo mole” do funcionário que atende de má vontade no balcão de um órgão público, esquecendo totalmente que você é a razão da existência de seu emprego. Ou de crianças que correm entre as mesas do restaurante sem que seus pais lhes imponham limites, tirando a paz dos demais clientes, juro que isto não me incomoda, mas incomoda quase todos os meus amigos. Tolerar essas situações não é uma demonstração de paciência, e sim de submissão.
Sem falar nos fatos verdadeiramente exasperantes, como a insistência dos serviços de telemarketing, a profusão de spams, o trânsito cada vez mais confuso, a péssima pavimentação das ruas, as novelas sem fim, a qualidade de certos serviços e, claro, os políticos corruptos. Nesses casos, paciência não será paciência, mas conformismo.



Comentários (1):

Em 18/07/2008, às 23:47:03, witer kennedy disse:
parabens pela paciencia!!! Santa paciencia. infelizmente tenho que concordar contigo.
Obrigado por isso vou tentar exercitar mais a minha paciencia a partir de agora. Prometo.
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